Tudo sobre oxigenoterapia: tipos, indicações e protocolo médico

Por Dr. José Aldair Morsch, 1 de março de 2022
Oxigenoterapia

A oxigenoterapia é uma técnica útil no tratamento de males que reduzem a saturação de oxigênio no sangue.

Depois de um tempo, a baixa saturação desse gás pode desencadear uma série de complicações, devido ao mau funcionamento dos órgãos e sistemas.

Reverter esses quadros pode exigir uma suplementação de O2, que é feita a partir de diferentes equipamentos e condutas.

Comento as principais ao longo deste texto, junto com as indicações, importância e cuidados da terapia com oxigênio.

Além de um bônus para quem deseja otimizar os atendimentos e esclarecer dúvidas através da telemedicina.

O que é oxigenoterapia?

Oxigenoterapia é uma técnica que emprega dispositivos para suprir a deficiência de oxigênio no organismo, atendendo à demanda de alguns pacientes.

Indispensável à manutenção das funções celulares, o oxigênio precisa ser captado em quantidade suficiente, mas nem sempre isso é possível de forma natural.

Porque, enquanto pessoas saudáveis conseguem O2 suficiente a partir da respiração, quem tem os alvéolos ou outros tecidos comprometidos necessita de suplementação.

Lembrando que os alvéolos são pequenas bolsas que integram os pulmões e realizam as trocas gasosas essenciais à respiração.

Sua contração ou obstrução estão entre as principais causas para indicar a terapia com oxigênio.

Para que serve a oxigenoterapia

A oxigenoterapia serve para aumentar a oferta desse gás no sangue.

Dessa forma, busca manter a saturação de oxigênio acima de 90%.

Valores abaixo dessa linha costumam levar à dispneia, taquicardia, tontura e, em casos mais graves, à síncope.

7 indicações da oxigenoterapia

Na maioria das vezes, a terapia com oxigênio é indicada para aliviar a dificuldade respiratória – sintoma comum a uma série de doenças.

Um exemplo são males como a insuficiência cardíaca, que causam edema pulmonar, aumentando a pressão sanguínea e levando à dispneia.

Nesses casos, a oxigenoterapia é fundamental para conter as crises ou exacerbações.

Abaixo, conheça sete indicações para esse tipo de tratamento.

1. Covid-19

Casos graves de infecção pelo coronavírus têm o potencial de comprometer os pulmões, desencadeando um tipo de pneumonia silenciosa ou atípica.

Nesse cenário, o paciente pode só perceber sintomas quando sofre com insuficiência respiratória aguda de maneira repentina.

Tanto que a oxigenoterapia vem atraindo a atenção do público e da mídia desde que os primeiros casos críticos de Covid-19 surgiram, em 2020.

Junto a informações sobre a transmissão do vírus e medidas preventivas, foram veiculados detalhes sobre tratamentos com administração de oxigênio.

Conforme orienta este estudo científico, as vítimas do coronavírus devem receber a suplementação preferencialmente via cateter nasal, com até 5L/min sem necessidade de umidificação.

Quanto ao fluxo, os especialistas afirmam:

“Recomenda-se o início da oxigenioterapia com fluxo de 5L/min com alvo de SpO2 ≥ 94% para pacientes com algum sinal de instabilidade clínica e alvo de SpO2 ≥ 90% quando o paciente estiver estável ou SpO2 ≥ 92% para gestantes.”

2. Pneumonia

Caracterizada pela entrada de um agente infeccioso nos alvéolos, a pneumonia pode ser provocada por vírus, bactérias, fungos ou substâncias químicas.

A reação inflamatória dos pulmões para combater esses agentes acaba prejudicando as trocas gasosas da respiração.

Por isso, a falta de ar está entre os sintomas corriqueiros da patologia e, algumas vezes, precisa ser revertida com suplementação por oxigênio.

Em geral, é usado um concentrador de oxigênio para aliviar o incômodo e melhorar a condição clínica do paciente.

3. Asma

Sibilância (chiado) e insuficiência respiratória fazem parte do conjunto de sintomas das crises de asma – doença inflamatória crônica das vias aéreas.

Nem sempre essas crises são graves, contudo, há pacientes que necessitam de atendimento de emergência para evitar complicações.

Segundo relata este artigo, a limitação do fluxo aéreo apresenta sinais como frequência cardíaca maior que 120 batimentos/minuto, frequência respiratória maior que 30 movimentos/minuto, pulso paradoxal maior que 12mmHg e cianose.

E a oxigenação deve ser administrada:

“Imediatamente a todos os pacientes com asma aguda que apresentarem saturação do O2 menor ou igual a 93%, através de cânula nasal com fluxo de 2 a 3L/min.”

Terapia com oxigênio

Quadros de asma, pneumonia e outras doenças pulmonares podem ter na oxigenoterapia um possível tratamento

4. DPOC

Bronquite crônica e enfisema pulmonar formam o grupo das Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC).

Dependendo de sua gravidade e da avaliação via gasometria arterial, o tratamento inclui oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) via cateter nasal.

A terapia serve para melhorar o desempenho do paciente nas atividades diárias, reduzindo o desconforto torácico e a falta de ar.

5. Cefaleia em salvas

Manifesta em episódios de dor intensa de um lado da cabeça, na têmpora e/ou ao redor dos olhos, a cefaleia em salvas pode ser mitigada com o suporte da oxigenoterapia.

Nesses casos, é indicado o uso de máscara facial para a inalação de oxigênio a 100%.

Verifique ainda se o paciente está sentado em posição confortável, com o corpo inclinado alguns graus para frente.

Uma das maiores vantagens da suplementação de O2 é que ela pode ser utilizada por pessoas com restrições aos medicamentos, como as gestantes.

6. Edema pulmonar

Frequente nos atendimentos em serviços de emergência, o edema agudo de pulmão ocorre quando há acúmulo anormal de líquidos nesse órgão, provocando hipóxia e esforço para respirar.

Uma das opções terapêuticas é a ventilação com pressão positiva de forma não invasiva, que usa uma máscara facial para aumentar a oferta de oxigênio.

Muitas vezes, a conduta dispensa a necessidade de intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva, diminuindo o risco de complicações de saúde.

7. Fibrose pulmonar

O enrijecimento pela formação de cicatrizes e a consequente perda da elasticidade pulmonar geram incômodos como dor precordial, fadiga e dispneia.

A recomendação da terapia com administração de oxigênio se baseia no aumento do nível de saturação, que reduz o desconforto para o doente.

O tratamento pode ser feito tanto em ambiente hospitalar quanto em casa, por meio de dispositivos portáteis que auxiliam o paciente durante as crises.

Qual a importância da oxigenoterapia?

Mencionei, acima, que a oxigenoterapia é fundamental para reverter crises de falta de ar de diversas origens.

Mas sua importância vai além, agregando vantagens do ponto de vista funcional, fisiológico e até neurológico.

De acordo com análise da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) resulta em:

  • Redução da hipóxia tecidual durante as atividades cotidianas
  • Aumento na sobrevida dos pacientes por melhorar as variáveis fisiológicas e sintomas clínicos
  • Mais qualidade de vida para o paciente, devido ao aumento da tolerância ao exercício, diminuindo a necessidade de internações hospitalares
  • Melhora dos sintomas neuropsiquiátricos decorrentes da hipoxemia crônica
  • Alívio do estresse miocárdico decorrente da hipoxemia, reduzindo arritmias cardíacas
  • Atenuação da progressão da hipertensão pulmonar.

 

Quais são os tipos de oxigenoterapia?

Existem diferentes sistemas que oferecem a suplementação de oxigênio, prescritos considerando as particularidades de cada paciente.

A principal diferença entre eles é a quantidade de gás dispensada por minuto.

Saiba mais sobre cada um a seguir.

Oxigenoterapia de alto fluxo

Crises, doenças agudas e casos de insuficiência respiratória pedem suplementação de oxigênio em altas concentrações.

Essa quantidade superior é fornecida pela terapia de oxigênio de alto fluxo, que usa equipamentos como a máscara de Venturi.

Por sua complexidade, esse sistema costuma ser empregado apenas em ambiente hospitalar e clínico, com o manejo de profissionais de saúde.

Oxigenoterapia de baixo fluxo

Ideal para pacientes que tenham menos deficiência de oxigênio, como grande parte dos asmáticos.

Oferece uma quantidade menor de oxigênio por minuto, que é controlada pelo aparelho utilizado.

Geralmente, dá mobilidade para que o usuário receba a suplementação enquanto realiza as atividades de rotina.

Cânula nasal, cateter nasal, máscara facial, máscara com reservatório e máscara de traqueostomia podem ser indicados para a terapia.

Oxigenoterapia hiperbárica

Tratamento usado para lesões de difícil cicatrização, como traumas e esmagamento de membros, a oxigenoterapia hiperbárica proporciona um ambiente com oxigênio puro ao paciente.

O procedimento é feito dentro de uma câmara hiperbárica, a uma pressão 2 a 3 vezes superior à atmosférica ao nível do mar.

A combinação entre pressão hiperbárica e oxigênio concentrado em 100% do ar respirado auxilia no combate a infecções, toxinas e na normalização da cicatrização.

Ventilação não invasiva (VNI)

Empregada para reabrir os alvéolos pulmonares, a VNI se vale de aparelhos que criam uma pressão positiva para “forçar” a entrada de oxigênio pelas vias aéreas.

Esses equipamentos são ventiladores portáteis que também dão suporte às trocas gasosas, otimizando o fluxo respiratório.

Os mais comuns são BiPAP e CPAP.

Tipos de oxigenoterapia

No ambiente hospitalar, a oxigenoterapia busca reverter quadros de hipóxia o mais rapidamente possível

Protocolo de oxigenoterapia

A técnica é realizada em diferentes locais do hospital ou na casa do paciente, seguindo as diretrizes das entidades de saúde.

Veja algumas características de cada ambiente.

Oxigenoterapia hospitalar

Utilizada principalmente no pronto-socorro ou sala de emergência, tem como meta corrigir a hipóxia o mais breve possível.

Segundo recomendação da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), pacientes com suspeita de Covid e que registrem saturação de O2 menor que 94% e/ou frequência respiratória maior ou igual a 24 são candidatos à oxigenoterapia.

Cateter nasal de O2 (cateter óculos), máscara com reservatório não reinalante e cateter nasal de alto fluxo servem a esse tipo de tratamento.

No entanto, outros equipamentos e máscaras podem ser empregados sob orientação médica para doentes com patologias diferentes, como DPOC.

Oxigenoterapia domiciliar

Por vezes, portadores de doenças que desencadeiem insuficiência respiratória crônica não precisam ficar internados a todo tempo.

Após avaliação médica, eles são mandados para casa com instruções para a oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP).

Essa possibilidade representa um ganho em qualidade de vida para o paciente, além da liberação de leitos hospitalares e diminuição de custos.

Em sua residência, o doente recebe suplementação diária por 15 horas ou mais, de forma contínua.

Muitos casos exigem que a ODP permaneça 24 horas por dia.

Um dos métodos mais comuns é o uso de cateter nasal, ligado a um cilindro de oxigênio que mantém a suplementação ativa.

Dispositivos de oxigenoterapia

Basicamente, a ODP usa três tipos de sistemas para o fornecimento de oxigênio:

  • Concentrador de oxigênio: é empregado na remoção de outros gases, mantendo apenas o oxigênio puro
  • Sistema líquido: visando diminuir o espaço necessário para armazenar o O2, o gás passa por super resfriamento para se tornar líquido
  • Oxigênio pressurizado em um cilindro de metal.

 

Cuidados de enfermagem na oxigenoterapia

É natural que profissionais de enfermagem sejam responsáveis pelo preparo e inserção dos dispositivos de oxigenoterapia nas clínicas e hospitais.

Além dos cuidados básicos com a higienização das mãos, instrumentos utilizados e da pele do paciente, vale testar a saída de oxigênio na régua de gases ou rede portátil antes de iniciar o procedimento.

Outra dica importante é a avaliação prévia da narina mais adequada para a introdução do cateter nasal, verificando se não há obstruções ou desvio de septo.

Telemedicina aproxima pacientes e equipes médicas

A telemedicina é uma disciplina que conecta profissionais de saúde e pacientes em todo o Brasil.

Usando uma plataforma simples e intuitiva, empresas como a Morsch rompem com a barreira geográfica para otimizar o diagnóstico e o tratamento de doenças.

A assistência médica, da equipe de enfermagem ou colegas da área da saúde é realizada dentro de um sistema seguro, por videoconferência.

Dessa forma, dá para observar fatores como a prostração, dificuldades na fala e limitações devido à hipóxia.

Além, é claro, do relato do doente, de seus cuidadores e familiares.

Nesse cenário, a telemedicina se apresenta como uma opção inteligente para ampliar o monitoramento do paciente em domicílio.

Tendo a Telemedicina Morsch como parceira do seu negócio, seu time ainda poderá tirar dúvidas por meio do serviço de teleconsultoria.

Basta solicitar um parecer de nossos especialistas de plantão, dentro do próprio software, para receber orientações com agilidade.

Outra vantagem é a segunda opinião médica, que propicia o debate sobre a suspeita clínica e exames, qualificando o diagnóstico.

Saiba mais sobre os benefícios de contar com o suporte da Morsch neste link.

Conclusão

É inegável a contribuição da oxigenoterapia para a reversão de quadros críticos, melhora na sobrevida e qualidade de vida de pacientes.

Suas diferentes versões podem ser utilizadas em ambiente hospitalar, em domicílio ou até fora de casa, graças a dispositivos portáteis.

Daí a necessidade de médicos e profissionais de enfermagem conhecerem detalhes da suplementação de oxigênio.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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