Como entender letra de médico e por que a solução é digital

Por Dr. José Aldair Morsch, 24 de junho de 2021
Letra de médico

Quem é que nunca teve dificuldades para entender letra de médico?

Ou não conseguiu comprar um remédio na farmácia porque a prescrição feita manualmente era incompreensível mesmo para o farmacêutico?

A falta de legibilidade em receitas, atestados e até prontuários de pacientes é tão comum que usamos a expressão “letra de médico” como sinônimo de caligrafia ruim.

Brincadeiras à parte, o fato de não entender o que foi receitado pode gerar uma série de problemas, a exemplo da ingestão de medicamentos errados.

Além de punições para o profissional de medicina, conforme preveem legislações como o Código de Ética Médica.

Nas próximas linhas, comento essas e outras implicações.

Falo também sobre soluções disponíveis para acabar com a confusão na hora de ler os documentos médicos.

Dentre as mais relevantes estão a prescrição digital, a receita digital e o prontuário digital.

São recursos que substituem a caligrafia cursiva, aumentando a segurança para o paciente.

Se o assunto interessa, continue lendo.

Letra de médico é mesmo sempre difícil de ler?

Claro que não dá para generalizar, afinal, a caligrafia carrega traços particulares.

Letras mais ou menos legíveis existem em qualquer grupo de profissionais, mas foram os médicos que ganharam a fama de ter uma caligrafia ilegível.

Isso faz sentido se pensarmos nos impactos que a letra de médico é capaz de provocar, começando por impor barreiras ao tratamento do paciente.

Quando uma pessoa sai do consultório, clínica ou hospital com uma receita em mãos, costuma se dirigir à farmácia.

A ideia é começar logo com as terapias, reduzindo sintomas desagradáveis, iniciando o processo de cura ou controlando doenças crônicas.

Então, dá para entender a frustração caso o farmacêutico não consiga decifrar o que está escrito.

Geralmente será preciso contatar o médico novamente por telefone, WhatsApp ou até voltar ao consultório para pedir esclarecimentos e poder, enfim, adquirir os remédios necessários para o tratamento.

Para se ter uma ideia dos efeitos da letra de médico no mundo, vamos citar estudos realizados por uma empresa de tecnologia no Reino Unido.

Eles revelam que 68% dos erros relacionados ao uso incorreto de medicamentos decorrem da falta de compreensão do que está recomendado na prescrição médica.

Mas esse não é o único problema agravado pela grafia de médico.

Nos Estados Unidos, uma antiga pesquisa divulgada pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências (IOM) já tinha alertado sobre o tema. 

O levantamento indicou que a caligrafia pouco legível contribuiu, no período analisado, para a morte de 7 mil pessoas todos os anos no período analisado.

Em 2017, dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fiocruz, contabilizaram 1.853 casos de intoxicação por erro de administração dos medicamentos.

Estima-se que 10% deles tenham ocorrido por causa da grafia ruim nos pedidos.

Mas os pacientes não são os únicos afetados.

Segundo levantamento da Unifesp, 34% dos prontuários escritos à mão são mal interpretados pelos próprios colegas dos médicos que os elaboraram.

Letra médica

Quando ficarem dúvidas sobre o que está escrito na receita, é recomendado contatar o médico novamente

Por que a letra de médico é feia?

Não existe uma causa comprovada para a grafia ruim entre os médicos.

Contudo, é possível que ela seja consequência dos vários anos de estudos desses profissionais, passando pela graduação, residência, especialização e, em alguns casos, pós-graduação.

A combinação entre carga horária extensa, diversos materiais para ler e plantões durante a residência colabora para que os estudantes de medicina desenvolvam técnicas de escrita rápida.

Abreviações, jargões e termos específicos costumam se tornar populares entre os alunos, que precisam economizar tempo, mas não podem perder as conclusões e informações.

Depois de formados, a rotina agitada tende a consolidar essas técnicas, colaborando para a falta de legibilidade de sua caligrafia.

Outra explicação remonta ao tempo dos boticários, profissionais que precederam os laboratórios farmacêuticos.

Segundo relatos, médicos teriam aprendido a escrever de modo que apenas os boticários conseguissem interpretar suas instruções.

Essa dinâmica evitaria que leigos se aventurassem a ler e a manipular substâncias com efeitos terapêuticos, correndo o risco de provocar acidentes ou agravar o quadro de saúde do paciente.

O que diz a lei sobre caligrafia de médico

De forma geral, a lei exige que os documentos médicos sejam elaborados com grafia legível, de forma clara e direta.

A principal menção a esse tema está no Artigo 11 da Resolução CFM 2.217/18 (Código de Ética Médica), vedando ao médico:

Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição, bem como assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos.”

Outra norma de interesse é a Lei Federal 5.991, de 1973, que já chamava a atenção para a importância de uma caligrafia legível para os médicos, pacientes e profissionais que precisam interpretar os receituários, como os farmacêuticos.

Abordando o Controle Sanitário do Comércio de Drogas, Medicamentos, Insumos Farmacêuticos e Correlatos, a legislação afirma, no Art. 35, que a receita só será válida se:

  • Estiver no vernáculo, redigida sem abreviações e de forma legível e que observe a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais
  • Tiver o nome e o endereço residencial do paciente e, expressamente, o modo de usar a medicação
  • Tiver a data e a assinatura do profissional de saúde, o endereço do seu consultório ou da sua residência e o seu número de inscrição no conselho profissional.

Por fim, a Lei 13.021/2014 dá maior segurança aos profissionais formados em Farmácia, esclarecendo, no Art. 14, que:

“Cabe ao farmacêutico, na dispensação de medicamentos, visando a garantir a eficácia e a segurança da terapêutica prescrita, observar os aspectos técnicos e legais do receituário.”

Essa é uma das bases para que esses profissionais se recusem a liberar medicações caso não consigam decifrar as orientações anotadas na receita.

Em artigo, o ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Jecé Freitas Brandão, destaca as consequências da troca de medicação e outros problemas desencadeados pela letra de médico.

Elas podem motivar ações civis ou penais, levando o médico a responder por culpa profissional e conduta negligente.

Caligrafia médica

A lei exige que receitas, atestados ou laudos médicos devem ser legíveis

Como entender letra de médico

Essa tarefa pode ser complicada, principalmente se você não tiver conhecimento prévio sobre medicamentos e tratamentos.

Ter noção sobre as drogas mais comumente receitadas é um dos segredos dos farmacêuticos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que conseguem compreender grafias ruins.

Eles também consideram sintomas e diagnósticos informados pelo paciente para interpretar as orientações do médico.

O tema impacta a vida de tanta gente que inspirou até uma pergunta encaminhada para a Segunda Opinião Formativa, respondida pelo Núcleo de Telessaúde Rio Grande do Sul, vinculado ao Ministério da Saúde.

Publicada nesta página, a resposta traz orientações sobre o conteúdo de um receituário médico, a fim de ajudar na compreensão da caligrafia.

As informações obedecem à seguinte ordem:

  • Cabeçalho: nome, endereço, telefone, instituição e número de cadastro do profissional (geralmente impresso no receituário)
  • Superinscrição: nome e endereço do paciente que receberá o medicamento, seguido pela forma “uso interno” ou “uso externo”
  • Inscrição: nome do fármaco, forma farmacêutica (comprimido, solução, pomada) e sua concentração
  • Subinscrição: quantidade a ser fornecida
  • Transcrição: as orientações para o paciente
  • Data, assinatura e carimbo.

Se essas dicas não forem suficientes, é sinal de que você deverá pedir para que o médico esclareça o tratamento recomendado.

Caso precise, solicite a ajuda de um profissional de saúde ou uma segunda opinião.

Não se automedique, nem tente deduzir a posologia (quantidade e intervalos para tomar o remédio) por conta própria, em hipótese alguma.

Tradutor de letra de médico

Nos últimos anos, empresas se dedicaram a criar soluções para auxiliar na interpretação das receitas e outros documentos médicos.

Surgiram, então, aplicativos que se propõem a “traduzir” a letra de médico, como o Netfarma Acha, lançado em 2014.

Mais tarde, o app expandiu seu escopo para incluir opções de compra de itens farmacêuticos, englobando cosméticos e produtos de higiene pessoal.

Caligrafia do médico

As chances de erros quase desaparecem com a utilização de prontuários digitais

Prontuário digital acaba com problema da letra

Décadas atrás, a sociedade experimentava uma opção à letra de médico: a datilografia.

Usando máquinas de escrever, profissionais e pacientes tinham acesso a uma escrita padronizada, que minimizava as interpretações equivocadas.

Na época, ficou evidente que a forma manuscrita deveria ser substituída por mecanismos que padronizassem as palavras, facilitando sua compreensão.

Porém, nem todos os médicos e serviços de saúde tinham condições de adquirir uma máquina de escrever.

Esse cenário se repetiu com a popularização dos computadores no Brasil, por volta dos anos 1990.

Até então, não se imaginava a revolução que a internet traria à humanidade, tornando grande parte das atividades possíveis em ambiente digital.

Contudo, a chegada ao século 21 reforçou o poder da rede mundial de computadores, tornando os PCs indispensáveis nas unidades de saúde.

Aos poucos, hospitais, clínicas e consultórios vêm se atualizando por meio da transformação digital, que se mostrou necessária para que se mantenham competitivos hoje.

Equipamentos modernos para exames de imagem, automatização de tarefas operacionais, marcação de consultas online e a telemedicina são tecnologias que garantem avanços para o setor da saúde.

O prontuário digital é um desses sistemas revolucionários, que vai além da simples substituição do papel para concentrar as informações do paciente num único local.

Dispensando a impressão de documentos e os manuscritos, o prontuário eletrônico do paciente (PEP) é a solução para os problemas causados pela letra de médico.

Esse software armazena eletronicamente os dados dos pacientes que recebem cuidados em uma unidade de saúde.

Documentos como receitas, encaminhamentos e atestados são emitidos com segurança dentro do sistema, e podem ser enviados por e-mail, SMS ou WhatsApp.

Aliás, prontuários modernos como o ofertado na plataforma Morsch adicionam um QR Code no receituário enviado ao paciente.

Assim, basta que o atendente das drogarias registradas ou farmacêutico acesse o código para verificar todos os detalhes da receita.

As chances de erro caem drasticamente com essa dinâmica.

Prescrição médica

Teleconsultas têm no prontuário e prescrição digitais documentos seguros e fáceis de entender

Vantagens do prontuário digital

Mas os benefícios do prontuário digital não param por aí. O software também:

  • Economiza o tempo que seria dedicado à localização e preenchimento de arquivos
  • mais agilidade às consultas e emissão de documentos médicos
  • Dispensa a necessidade de espaço físico para guardar os documentos. Todos ficam armazenados na nuvem, que é o local de arquivamento na internet
  • Eleva a produtividade das equipes de saúde
  • Aumenta a segurança na guarda dos dados, preservando os direitos do paciente. Documentos armazenados no sistema ficam protegidos por senhas e criptografia, impedindo que pessoas não autorizadas os visualizem
  • Pode ser acessado de qualquer dispositivo conectado à internet, mediante login e senha
  • Possibilita a integração com outros softwares que qualificam o atendimento, como as plataformas de telemedicina.

Como é a consulta e o prontuário online?

O prontuário online pode ser utilizado tanto em consultas presenciais como na teleconsulta.

Na modalidade presencial, o médico faz o atendimento normalmente, mas tem acesso ao histórico do paciente a partir de poucos cliques.

Dessa forma, a assistência ganha qualidade e rapidez, pois o profissional confere os últimos atendimentos, exames e particularidades de um jeito simples.

Com o PEP, você também não vai precisar carregar resultados de exames e pedidos em papel para diferentes unidades de saúde, nem guardar os testes de diagnóstico.

Tudo fica salvo na nuvem e disponível com facilidade através do sistema.

Na teleconsulta, médico e paciente aproveitam os mesmos benefícios, com a vantagem adicional de romper com a barreira geográfica.

Afinal, a consulta por videoconferência conecta pessoas em diferentes localidades com segurança e comodidade.

Após entrevistar o paciente, verificar sintomas e seu histórico, o médico usa o prontuário digital para gerar documentos em tempo real.

Na plataforma de teleconsulta Morsch, receitas, atestados, pedidos de exames e encaminhamentos são gerados a partir de alguns cliques e encaminhados ao paciente.

Os arquivos digitais são sempre legíveis, não são perdidos e ficam armazenados de forma automática.

Conclusão

Sinônimo de grafia indecifrável, a letra de médico ainda provoca problemas para pacientes, acompanhantes e farmacêuticos.

Porém, já existem soluções que garantem a legibilidade dos documentos médicos, como o prontuário digital.

Junto à teleconsulta, esse sistema dá mais agilidade, segurança e confiabilidade para os atendimentos, mantendo os dados salvos na nuvem.

E o melhor: você já pode aproveitar esses benefícios, agendando um encontro a distância na plataforma Morsch.

Clique aqui e marque agora mesmo sua consulta online!

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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