Quais os sintomas de asma, como identificar e tratar

Por Dr. José Aldair Morsch, 11 de março de 2022
Sintomas de asma

Dificuldade para respirar e encher os pulmões estão entre os principais sintomas de asma.

Faz sentido pensar neles quando falamos sobre essa doença inflamatória, já que são sinais marcantes dos episódios de crise.

No entanto, a asma é crônica, o que significa que o paciente convive com períodos assintomáticos intercalados às crises, incluindo uma série de outros problemas.

É sobre eles que vou falar no texto abaixo, comentando sobre a sua gravidade e quando buscar ajuda médica.

Para diminuir os riscos, vale contar com acompanhamento médico convencional ou via teleconsulta, mantendo a patologia controlada.

Quais os sintomas de asma? Conheça os mais comuns

Asma é uma doença respiratória crônica que desencadeia reações inflamatórias nos brônquios (tubos que transportam o ar para dentro dos pulmões).

O problema pode acometer pacientes de todas as idades e se agravar na presença de fatores irritantes do trato respiratório.

É por isso que pessoas com asma vivenciam episódios de crises ao terem contato com poeira, fumaça, produtos de limpeza, mofo, etc.

Nesse cenário, é natural apresentarem dois ou mais dos sintomas clássicos da doença.

Saiba quais são eles na sequência.

1. Falta de ar

Forte característica de problemas respiratórios, a falta de ar pode se apresentar de forma mais branda ou intensa.

O sintoma ocorre porque a reação inflamatória leva ao estreitamento dos brônquios, reduzindo o espaço para que o ar passe.

Como resultado, os brônquios e as vias aéreas se estreitam, deixando a respiração difícil.

2. Chiado

Está aí um dos sinais mais marcantes da asma.

Quem tem a doença costuma perceber sibilância ou chiado alto, que também decorre da contração dos brônquios ou broncoespasmo.

3. Opressão no tórax

O paciente asmático tem a sensação de não conseguir encher os pulmões de ar, quando, na verdade, o problema está na eliminação do ar que entrou e não tem espaço suficiente para sair.

Os pulmões cheios causam a impressão de sufocamento e opressão no peito.

4. Tosse

Outro incômodo verificado entre asmáticos é a tosse, fruto da inflamação nas vias respiratórias inferiores.

Geralmente, é uma tosse seca, mas também pode aparecer com muco ou expectoração.

Nesses casos, o catarro tem aspecto semelhante à clara de ovo.

O sintoma também é persistente, porém, tende a se agravar durante a noite e de manhã.

5. Dor no peito

A pressão exercida pelos pulmões cheios de ar pode se intensificar, provocando dor no peito.

Assim como episódios prolongados de tosse, que sobrecarregam os músculos do tórax.

6. Cansaço crônico

A dificuldade para respirar diminui a oxigenação das células, porque compromete a chegada desse gás ao sangue.

Cabe às hemácias transportar oxigênio; nutrientes circulam principalmente no plasma sanguíneo. 

Com essa substância vital escassa, cai também a energia disponível para realizar as tarefas do dia a dia, resultando em cansaço.

7. Respiração rápida

A falta de ar costuma aparecer combinada à respiração rápida e curta.

A inspiração e expiração superficiais são efeitos da dificuldade para esvaziar os pulmões.

8. Coração acelerado

A redução na oferta de oxigênio ainda pode desencadear taquicardia, fazendo o coração bater mais rápido para aumentar o bombeamento de sangue e a oferta de oxigênio aos tecidos. 

Taquicardia é um tipo de arritmia de padrão rápido, ou seja, uma alteração do ritmo cardíaco padrão.

É o caso quando o coração registra mais de 100 batimentos por minuto (bpm).

Esse esforço extra é uma resposta do músculo cardíaco, que tenta coletar mais gás para manter as células funcionando de modo adequado.

Sinais de asma

A falta de ar é um dos sintomas mais recorrentes da asma, atingindo pessoas de todas as idades

Tipos de asma e seus sintomas

Sabia que existem diferentes tipos de asma?

Tudo depende da base para classificação e dos gatilhos – fatores que pioram os sintomas.

Reuni neste tópico os três tipos de asma mais comuns, tomando por referência estudos publicados no site da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Acompanhe os detalhes a seguir.

Asma alérgica

Prevalente em populações de diferentes faixas etárias, a asma alérgica representa 80% dos casos na infância e mais de 50% nos adultos.

Essa modalidade tende a se manifestar cedo, normalmente antes dos 12 anos de idade.

Também está relacionada à história familiar, acometendo diversas pessoas de uma mesma família.

Seus sintomas são desencadeados por alérgenos, que contribuem para a obstrução parcial dos brônquios.

Pólen, poeira, ácaros, fumaça de cigarro e pelos de animais estão entre os agentes capazes de agravar os incômodos da asma alérgica.

Asma não alérgica

A doença recebe essa classificação quando os sintomas aparecem em resposta a outros agentes ou situações, e não a alérgenos.

Crises de ansiedade, exercícios físicos intensos e queda brusca na temperatura são exemplos de gatilhos da asma não alérgica.

Embora os sintomas sejam os mesmos que os da modalidade alérgica, eles costumam surgir em uma forma mais grave.

Asma ocupacional

Às vezes, a asma resulta do contato com substâncias irritantes no local de trabalho.

Segundo estudos, a doença costuma ter um período de latência que pode se estender por meses ou até anos antes que os sintomas se manifestem.

Farinhas, grãos, fungos e metais são alguns dos sensibilizantes com o potencial de provocar asma ocupacional em trabalhadores expostos de forma contínua.

Sintomas de asma infantil são diferentes?

Em alguns casos, sim, principalmente em bebês e crianças com menos de 5 anos.

Seu organismo em formação pode modificar os sintomas de asma, tornando-os mais intensos do que nos adultos, além de manifestar a patologia com sinais como a cianose, decorrente de problemas com a oxigenação do sangue.

Nessas situações, a criança apresenta lábios e pontas dos dedos azulados.

Também podem surgir incômodos como falta de apetite e, em casos graves, a exposição das costelas decorrente do esforço para respirar.

Outra pista da asma infantil é o sibilo no peito, tão alto que pode ser escutado pelos pais ao colocarem o ouvido perto do tórax da criança.

A doença é bastante comum nos primeiros anos de vida, acometendo entre 10% e 20% dos meninos e meninas no Brasil.

Fatores como obesidade, apneia obstrutiva do sono e refluxo gastroesofágico tornam as crianças mais suscetíveis a desenvolver asma grave.

Outro quesito a se considerar é a genética, já que a doença tem maior prevalência entre os filhos de asmáticos.

Quais são os sintomas da crise de asma?

Por ser uma doença com diferentes intensidades e manifestações, a asma pode desencadear crises de gravidade e sintomas distintos.

Há pessoas que sofrem apenas quadros leves, com períodos de crise de asma curtos e marcados por tosse seca ou carregada.

Nesse cenário, as crises podem ser tratadas em casa, pois são revertidas com o uso de medicamentos broncodilatadores, as famosas “bombinhas”.

Os episódios de intensidade moderada também são tratados com medicações e raramente levam o paciente ao pronto-socorro.

Elas podem surgir da piora progressiva de sintomas ou de forma repentina, principalmente durante a noite ou após contato com alérgenos.

Indivíduos que estiverem se recuperando de outros quadros inflamatórios, como gripes e resfriados, têm risco aumentado para exacerbações.

Isso porque seu sistema respiratório já se encontra enfraquecido, facilitando agravos nas vias aéreas.

Normalmente, a crise se anuncia com chiado, falta de ar e tosse intensa, com duração variável.

O doente experimenta os sintomas por minutos, horas ou até dias, dependendo da gravidade da situação.

Sinais de alerta

Crises moderadas e graves preocupam, pois prejudicam o esvaziamento dos pulmões, impedindo a oxigenação das células.

Por isso, é natural que a vítima fique ansiosa logo que a exacerbação começa, o que acaba intensificando os sintomas respiratórios e cardiovasculares já presentes.

No entanto, o mais sensato é que a pessoa sente, incline-se um pouco para a frente e procure manter a calma, tomando fôlego devagar.

A pressão interna da musculatura no entorno dos brônquios pode desencadear dor torácica, além de muito suor, devido ao esforço extra para respirar.

Se a crise for grave, o paciente fica sem fôlego para falar, o chiado diminui e sua pele pode adquirir cor azulada, revelando cianose.

Esses sinais devem servir de alerta para acionar um serviço de emergência, como o SAMU 192.

A falta de oxigenação ainda provoca confusão mental e desmaio, caso não haja socorro rápido.

Sintomas de asma pioram à noite?

Sim, é comum observar uma piora dos sintomas à noite, especialmente na hora de dormir.

Isso pode acontecer devido ao ar mais frio e seco nesse período, que favorece o estreitamento dos brônquios, desencadeando tosse, falta de ar, respiração rápida, etc.

Bem como devido à presença de alérgenos no quarto, o que irrita as vias aéreas e pode provocar crises de asma.

Cortinas, tapetes, cobertores e bichos de pelúcia podem juntar poeira e ácaros, ou pode haver mofo nas paredes, por exemplo.

Outro fator que contribui para a chamada asma noturna é a posição deitada, que favorece o acúmulo de secreções nas vias aéreas, piorando as manifestações da doença.

Essa posição ainda agrava patologias que servem de gatilho para a asma, como o refluxo gastroesofágico (retorno do conteúdo ácido do estômago através do esôfago).

Quais os principais gatilhos dos sintomas de asma?

Veja uma lista de gatilhos comuns para os sintomas, considerando os diferentes tipos de asma:

  • Pólen
  • Poeira
  • Ácaros
  • Fumaça de cigarro 
  • Poluição
  • Pelos e penas de animais
  • Mofo 
  • Cheiros fortes
  • Crise de ansiedade
  • Exercícios físicos intensos 
  • Queda brusca na temperatura
  • Ar frio e seco
  • Doenças como infecções respiratórias e refluxo gastroesofágico
  • Exposição ocupacional a poeiras, farinhas, grãos, fungos e metais.

Continue lendo para diferenciar as manifestações de asma e bronquite.

Diferenças entre os sintomas de asma e bronquite

Muita gente confunde asma com bronquite, e não é à toa.

Ambas causam um quadro inflamatório nos brônquios, que dificulta a passagem de ar e, por consequência, a respiração.

Vêm daí expressões como bronquite asmática e asma brônquica – ambas se referindo à asma.

No entanto, há uma série de diferenças entre essas patologias.

Enquanto a bronquite em sua forma aguda é desencadeada por agentes infecciosos como vírus, bactérias e fungos, a asma provavelmente surge pela alta sensibilidade pulmonar do paciente.

Ainda não se sabe ao certo, mas é provável que um conjunto de fatores genéticos e ambientais esteja por trás dessa sensibilidade.

Quanto aos sintomas, a tosse seca é mais comum entre asmáticos e a carregada, em quem sofre com bronquite.

Os sinais variam dependendo do tipo de bronquite, que pode ser aguda ou crônica, manifestando-se com:

  • Tosse carregada
  • Falta de ar
  • Pressão ou dor no peito
  • Dores de cabeça
  • Mal-estar generalizado
  • Febre e calafrios (na bronquite aguda)
  • Sensação de cansaço após fazer esforço físico.

A duração dos sintomas também difere.

Na asma, eles costumam ser revertidos de forma ágil com o uso da bombinha.

Já a bronquite exige tratamento contínuo por dias ou até semanas antes que o paciente melhore.

Por outro lado, a bronquite aguda tende a se curar espontaneamente depois de alguns dias.

Ao contrário da asma, que não tem cura, embora possa desaparecer quando se inicia na infância.

Quem tem asma pode passar longos períodos sem sintomas, desde que receba tratamento para controlar a doença e adote medidas preventivas como se afastar de substâncias que causam alergia.

Sintoma em asmático

Filhos de pessoas asmáticas têm maiores chances de desenvolver asma em qualquer fase da vida

Como saber se uma pessoa tem asma?

Sempre que houver suspeita de qualquer doença, não se prenda a uma lista de sintomas.

Apesar de os sinais às vezes serem claros, somente um médico pode diagnosticar a asma ou qualquer outro problema de saúde.

Observe quais incômodos aparecem, se eles pioram em um determinado período do dia ou diante da exposição a alérgenos.

Em seguida, procure um clínico geral ou pediatra, caso o paciente tenha menos de 18 anos.

Esses médicos possuem conhecimento amplo e podem dar o primeiro atendimento, formulando uma hipótese diagnóstica que será confirmada ou refutada.

Provavelmente, será feita uma entrevista com o paciente (anamnese), avaliação física e exames complementares como o raio-X do tórax para investigar os sintomas.

Outro procedimento útil é a espirometria, que mede a capacidade respiratória para verificar se há dificuldades ao inspirar ou expirar.

Depois, os profissionais podem encaminhar o doente a um pneumologista ou alergologista, se for preciso.

Esses especialistas dão seguimento à avaliação e monitoram o tratamento para melhorar a qualidade de vida ao paciente.

Asma tem cura ou apenas controle dos sintomas?

Embora o asmático possa passar meses ou anos sem sintomas, a asma não tem cura.

Isso porque ele vai continuar tendo sensibilidade aumentada nos pulmões e brônquios, podendo vivenciar novas crises no futuro.

Apesar de haver quadros de asma que desaparecem após a infância, essa não é a regra.

Daí a importância do acompanhamento contínuo junto ao pneumologista ou alergista, a fim de manter a doença controlada e levar uma vida normal.

Como controlar os sintomas de asma no dia a dia?

Para evitar a manifestação dos sintomas, é fundamental seguir a orientação médica, utilizando diariamente a medicação de controle.

Geralmente, é um corticoide inalado isolado ou em associação com uma droga broncodilatadora de ação prolongada, e serve para reduzir a inflamação dos brônquios.

Também é essencial evitar o contato com gatilhos, removendo itens que causam alergia da casa e, principalmente, do quarto.

Caso ocorra uma crise, você deve utilizar a medicação de resgate ou bombinha.

Veja um passo a passo para fazer o uso correto abaixo:

  1. Retire a tampa do bocal da bombinha e agite vigorosamente
  2. Mantenha-se em pé ou sentado, com o tronco reto
  3. Solte todo o ar dos pulmões antes de disparar a bombinha
  4. Abra a boca e segure a bombinha na posição vertical (em forma de L) a 5 cm de distância (3 dedos)
  5. Inicie a inspiração pela boca e dispare o jato imediatamente. Puxe o ar lenta e profundamente (entre 3 e 5 segundos)
  6. Feche a boca e segure o ar nos pulmões por no mínimo 10 segundos, ou pelo tempo que suportar
  7. Respire normalmente e recoloque a tampa no bocal da bombinha.

Veja mais recomendações nesta cartilha do CFF (Conselho Federal de Farmácia).

Tem sintomas de asma? Agende com um médico online

Como expliquei antes, crises de asma intensas devem levar o paciente ao pronto-socorro mais próximo.

Dá para reparar em sinais antes das exacerbações, que permitem um diagnóstico precoce.

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Perguntas frequentes sobre sintomas de asma

Veja, agora, respostas breves para dúvidas comuns sobre o tema:

Quais são os primeiros sinais de asma?

Tosse persistente, falta de ar, pressão e chiado no peito são algumas das manifestações iniciais da doença.

O que pode ser confundido com asma?

Outras doenças respiratórias e alérgicas podem ser confundidas com a asma, a exemplo da bronquite (causada por agentes infecciosos, como vírus e bactérias), da doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC (que surge devido a agressões aos pulmões, como tabagismo), além de quadros alérgicos de rinite e sinusite (com sintomas semelhantes aos da asma, mas nas vias aéreas superiores).

Como é o cansaço da asma?

O cansaço é constante e não melhora com repouso, refletindo a baixa oxigenação das células. É comum que ele venha acompanhado por falta de ar, respiração rápida e difícil.

O que é asma silenciosa?

A expressão descreve formas de asma sem sintomas clássicos ou mesmo assintomática. No entanto, o que geralmente acontece é uma remissão dos sintomas devido ao tratamento com remédio para asma, afastamento de alérgenos e outras medidas de controle. O importante é manter o acompanhamento médico para evitar complicações de saúde.

Conclusão

Ao final deste artigo, você está por dentro dos sintomas de asma, classificações da doença e o que fazer quando eles se agravam.

Caso note um ou mais incômodos, vá ao pneumologista ou consulte seu médico online no sistema Morsch.

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Referências bibliográficas

https://asbai.org.br/

https://www.jornaldepneumologia.com.br/details/3548/pt-BR/asma-relacionada-ao-trabalho

https://sbpt.org.br/portal/publico-geral/doencas/asma-perguntas-e-respostas/

https://www.cff.org.br/userfiles/Tr%C3%AAs%20recomenda%C3%A7%C3%B5es%20para%20o%20uso%20da%20bombinha.pdf

https://asbai.org.br/como-faco-para-saber-se-tenho-asma/

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin