Quais são os sinais vitais normais e como fazer a verificação?
A avaliação de sinais vitais faz parte da rotina de muitos serviços de saúde.
E não é para menos, dada a importância do pulso, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura.
Esses parâmetros determinam a condição de saúde do paciente, demonstrando o desempenho em atividades corporais indispensáveis à sobrevivência.
Daí a necessidade de saber como verificar os sinais vitais, quais os valores normais e que condutas adotar diante de alterações.
É sobre isso que falo neste artigo. Continue lendo para conferir também uma tabela de sinais vitais normais e opções para qualificar o diagnóstico com a telemedicina.

O que são sinais vitais?
Sinais vitais são indicadores do funcionamento de sistemas essenciais para a sobrevivência.
Os aparelhos cardiovascular e respiratório estão entre os principais, sendo monitorados para verificar a condição de saúde do paciente.
Quais são os sinais vitais?
Os sinais vitais são: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura.
Eles descrevem a performance das funções corporais básicas, que podem ser influenciadas por uma série de doenças, anormalidades internas ou externas.
Geralmente, a medição dos sinais vitais faz parte do primeiro atendimento na atenção básica, ajudando na triagem hospitalar.

Frequência cardíaca
Também conhecida como pulsação, a frequência cardíaca descreve o número de batimentos por minuto realizados pelo coração.
Como bomba natural, o músculo cardíaco precisa bater em um ritmo sinusal, regular e suficiente para impulsionar o sangue pelas artérias.
Depois, o líquido leva oxigênio e nutrientes para todas as células do organismo.
Em um adulto jovem, o pulso ideal fica entre 60 e 100 bpm (batidas por minuto).
Atletas e pessoas muito ativas podem ter a pulsação mais baixa, chegando a 40 bpm sem que haja comprometimento ao bem-estar.
Antes de um ano, os bebês registram até 160 bpm, sem qualquer problema para a saúde.
Frequência respiratória
A taxa de frequência respiratória (FR) revela a quantidade de respirações completas em um minuto.
Ela fica entre 12 e 20 mrm (movimentos respiratórios por minuto) em um adulto saudável e com menos de 40 anos.
Da mesma forma que a frequência cardíaca, a respiratória tende a sofrer variações conforme a idade.
Para se ter uma ideia, os valores normais de FR para bebês menores de 1 ano ficam entre 30 e 60 mrm.

Pressão arterial
Quando o coração bombeia o sangue pelas artérias, o líquido faz força contra as paredes desses vasos sanguíneos.
Esse é o conceito por trás da pressão arterial, medida sempre em duas partes: sistólica e diastólica.
O valor sistólico corresponde à tensão no momento em que o órgão se contrai e, portanto, é superior ao diastólico.
O valor obtido na diástole é mais baixo, pois se refere ao instante de relaxamento do músculo cardíaco.
Idealmente, os valores de pressão em um paciente adulto ficam entre 120/80 mmHg (o famoso 12 por 8).

Os sinais vitais variam conforme a faixa etária e são determinantes ao avaliar condição de saúde
Temperatura
Medida por meio de um termômetro, a temperatura demonstra o resultado entre ganho e perda de calor do corpo para o ambiente.
O valor de referência é de 36,5ºC (graus Celsius), para qualquer idade.
No entanto, existe uma variação aceitável, que fica entre 36,1ºC e 37,2ºC.
Valores abaixo de 35ºC caracterizam a hipotermia, enquanto aqueles acima de 37,8ºC correspondem à febre.
Qual a importância dos parâmetros de sinais vitais?
Cada um dos sinais vitais mede funções fundamentais para a manutenção da vida.
Quando algum deles é alterado, pode ser a primeira pista de que a saúde não vai bem.
Um exemplo simples é a elevação da temperatura (febre), que pode sinalizar a existência de uma infecção.
Por sua vez, uma pulsação abaixo do normal pode indicar problemas como insuficiência cardíaca.
E os valores de pressão elevados constantemente revelam a hipertensão arterial, patologia que aumenta o risco de a pessoa sofrer eventos graves como AVC (acidente vascular cerebral) e infarto do miocárdio.
Quando o profissional de saúde mensura corretamente os sinais vitais, esses e outros problemas podem ser evitados.
Ou tratados de forma precoce, com maiores chances de cura, redução das sequelas e tempo de recuperação.
Na maioria das vezes, é possível abandonar comportamentos prejudiciais e adotar hábitos saudáveis, revertendo a tendência a uma doença.
Daí a importância de conhecer os parâmetros de sinais vitais, que otimizam um diagnóstico certeiro.
Também permite o socorro rápido diante de variações bruscas nos valores normais, antes mesmo que o paciente perceba sintomas.
Isso é bastante útil, por exemplo, para casos de pressão baixa, que raramente desencadeiam sintomas e, por consequência, dificilmente são detectados pelo doente.

Sinais vitais na triagem hospitalar e classificação de risco
A aferição dos sinais vitais tem papel fundamental na classificação de risco, baseada em ferramentas como o protocolo de Manchester.
Isso porque valores fora do padrão indicam sinais de alerta para emergências e urgências, dando base a uma classificação correta, que garanta o atendimento rápido para condições que colocam a vida ou a integridade em risco.
Febre alta e ritmos respiratórios patológicos são alguns parâmetros que motivam intervenções rápidas para evitar complicações de saúde.
Já quando os sinais vitais estão normais, o profissional de enfermagem responsável pode atribuir baixa complexidade ao caso, priorizando quadros de maior gravidade.
Tabela de sinais vitais normais
Agora que você entende a importância dos sinais vitais no atendimento clínico e no atendimento pré-hospitalar (APH), vamos avançar um passo.
Veja, abaixo, uma tabela com os valores de referência dos sinais vitais para cada faixa etária.
| Parâmetros normais dos sinais vitais conforme faixa etária | ||||
| Faixa etária | Frequência Cardíaca (pulsação) | Frequência Respiratória | Pressão arterial (valor máximo aceitável) | Temperatura |
| Bebês | 100 a 160 bpm | 30 a 60 mrm | 110/75 mmHg | Entre 36,1ºC e 37,2ºC |
| Crianças | 80 a 120 bpm | 20 a 30 mrm | 120/80 mmHg | Entre 36,1ºC e 37,2ºC |
| Adultos | 60 a 100 bpm | 12 a 20 mrm | 120/80 mmHg | Entre 36,1ºC e 37,2ºC |
| Idosos | 45 a 90 bpm | 16 a 25 mrm | Mulher: 134/84 mmHg
Homem: 135/88 mmHg |
Entre 36,1ºC e 37,2ºC |
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Fontes: Aula Sinais Vitais do Idoso, disponível neste link; III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial, disponível aqui. |
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Como fazer a verificação de sinais vitais?
A verificação de sinais vitais envolve tarefas simples, mas que pedem atenção e zelo para obter resultados de qualidade.
Recomendo que você siga a seguinte ordem para essa avaliação:
- Temperatura
- Frequência cardíaca
- Frequência respiratória
- Pressão arterial.
Nas próximas linhas, trago um passo a passo para facilitar o processo.
1. Comece pela temperatura
Essa é a tarefa mais rápida, que exige apenas um termômetro para coletar os dados necessários.
A medição pode ser feita por via oral, retal ou axilar, sendo que esta última oferece mais praticidade na rotina das unidades de saúde.
Antes de colocar o termômetro em contato com a pele do paciente, desinfete o equipamento.
Depois, seque a axila da pessoa e garanta que o bulbo do aparelho fique junto à pele, sendo levemente comprimido pelo braço para que não se mova.
Aguarde de 3 a 5 minutos para retirar o termômetro e registrar a temperatura corporal.
2. Tome a pulsação
Peça para o paciente se sentar em posição confortável, na qual possa se recostar.
O pulso pode ser tomado a partir da compressão de uma artéria contra um osso, feita de modo leve.
Pescoço, pulso e parte interna do braço (braquial) são bons locais para tomar a pulsação.

Em adultos que estejam conscientes, o mais comum é observar a frequência cardíaca pressionando o pulso, a fim de sentir as artérias radiais.
Com o braço do paciente apoiado e relaxado, utilize 2 ou 3 dedos para comprimir a parte central, logo abaixo da palma da mão.
Use o indicador e o dedo médio, mas não o polegar, pois pode distorcer o resultado.
Se não encontrar pulso, é possível procurar pela artéria carótida, no pescoço.
Basta colocar os dedos sobre o pomo-de-adão e deslizar até a lateral para achar a pulsação.
Em bebês até os 12 meses, será mais simples tomar a pulsação braquial, seguindo os mesmos passos que a medição pelo pulso.
Conte os movimentos durante 60 segundos, observando se são regulares e intensos.
Anote os valores obtidos para que sejam comparados aos parâmetros normais.
3. Siga para a Frequência Respiratória (FR)
A FR deve ser medida logo depois da frequência cardíaca, a fim de encontrar valores confiáveis.
Primeiro, coloque o paciente sentado em posição confortável e posicione o braço de maneira relaxada para verificar as incursões respiratórias.
Ou coloque os dedos indicador e médio sobre a artéria carótida, como expliquei acima.
Verifique, então, a quantidade de ciclos respiratórios, contando os movimentos sentidos por 60 segundos.
Durante esse período, preste atenção, ainda, nos movimentos torácicos, se há ritmo padrão para a respiração, se é profunda ou superficial.
Registre os valores de FR e a posição do paciente no prontuário médico e compare os números com os valores de referência.
4. Meça a pressão arterial
Caso tenha um aparelho específico, você pode escolher o método oscilométrico para medir a pressão arterial.
Se não tiver, siga o pequeno roteiro para registrar corretamente a pressão sistólica e diastólica:
- Certifique-se de que o paciente esteja tranquilo, pois o estresse e ansiedade podem aumentar os valores reais. Na dúvida, peça que ele descanse por alguns minutos antes de realizar o procedimento
- Localize a artéria braquial por palpação
- Prenda o manguito firmemente cerca de 2 a 3 cm acima da fossa antecubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria braquial
- Mantenha o braço do paciente na altura do coração
- Palpe o pulso radial, posicione o estetoscópio sobre a artéria braquial e infle o manguito até o desaparecimento do som
- Faça a deflação com uma velocidade constante de 2 a 4 mmHg/segundo
- Determine a pressão sistólica máxima no momento do aparecimento do primeiro som
- Determine a pressão diastólica mínima no momento do desaparecimento do som
- Registre os valores das pressões sistólica e diastólica, o braço em que foi feito o exame e o horário.
Na sequência do texto, comento sobre o que impacta os sinais vitais.

Atividades físicas podem alterar os sinais vitais e, por isso, vale aguardar 30 minutos para medir
O que altera os valores de sinais vitais?
Nem sempre uma patologia é responsável por alterações nos valores normais para os sinais vitais.
Há diversos fatores capazes de interferir nesses resultados, por isso, vale conversar com o paciente antes de iniciar as medições.
Pergunte sobre:

- Exercícios físicos: é preciso esperar ao menos 30 minutos depois de se exercitar para medir os sinais vitais. A atividade física pode aumentar momentaneamente a temperatura, frequência cardíaca e respiratória
- Idade: como demonstrei na tabela, existem variações normais de acordo com a faixa etária
- Estresse: pode elevar temperatura, frequência cardíaca e respiratória
- Banhos: costumam interferir na temperatura
- Ambiente: há indivíduos que sofrem maior influência da temperatura ambiente, como os idosos
- Medicamentos: substâncias como a epinefrina aumentam a pulsação, enquanto os cronotrópicos digitálicos a diminuem.
Continue lendo para saber como agir quando uma alteração é identificada.
O que fazer em caso de alteração nos sinais vitais?
A conduta adequada aos profissionais de enfermagem vai depender do estado clínico do paciente, se está internado ou sob tratamento.
Em ambiente hospitalar, é essencial seguir as recomendações médicas e considerar as medições de sinais vitais anteriores para comparação.
Em caso de desmaio, tontura, convulsão, falta de ar ou dor no peito, interrompa as medições e peça auxílio ao médico ou enfermeiro de plantão.
O mesmo raciocínio vale para doentes com pulso irregular por mais de 1 minuto, ou febre muito alta e persistente.
Crianças com temperatura acima dos 38,5ºC devem ser novamente testadas, de preferência em local diferente do primeiro para confirmar a febre.
Se os movimentos respiratórios estiverem difíceis de contar, experimente fazer a ausculta pulmonar, contar a quantidade de incursões por 30 segundos e multiplicar por 2.
Caso considere necessário fazer uma nova medição para corroborar a primeira, aguarde alguns minutos e repita o procedimento.
Quando é indicado o monitoramento contínuo de sinais vitais?
Realizado por meio de monitor específico, o registro contínuo de sinais vitais é indicado para doentes em estado crítico, como os internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
O mesmo se aplica a pacientes no pré ou pós-operatório, que aguardam pela estabilização clínica para receber alta hospitalar.
Vítimas de trauma, pessoas com distúrbios neurológicos ou respiratórios, ferimentos graves ou suspeita de choque também devem ser avaliadas continuamente, a fim de evitar complicações graves e fatais.
A administração de certos medicamentos durante a internação hospitalar é outra situação que pede monitoramento constante para verificar a resposta ao tratamento.
Grupos sensíveis, como gestantes, idosos e crianças pequenas, podem ter os sinais vitais aferidos periodicamente enquanto aguardam em unidades de pronto atendimento.
Telemedicina no monitoramento de sinais vitais
Embora a medição manual dos sinais vitais seja bastante útil, muitas vezes é preciso avançar na investigação de anormalidades.
Nesse cenário, o médico costuma fazer a solicitação de exames complementares para detalhar os resultados, confirmar ou afastar uma hipótese diagnóstica.
Um exemplo é o diagnóstico da hipertensão, que se beneficia da realização da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA).
Esse exame faz medições regulares durante um período de 24 horas consecutivas, permitindo a confirmação da doença.
Da mesma forma, o exame holter mede a frequência cardíaca por pelo menos 24 horas, embasando o diagnóstico de patologias como as arritmias.
Ambos os procedimentos têm os resultados otimizados com o suporte da telemedicina e laudos a distância.
Basta realizar normalmente os exames e compartilhar os registros na plataforma Morsch para receber o laudo online em minutos.

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Perguntas frequentes sobre sinais vitais
Respondo a outras questões recorrentes sobre esse tema a seguir. Acompanhe!
Quais são os principais sinais vitais?
Os principais sinais vitais são frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura.
O que é pulso e frequência cardíaca?
Enquanto a frequência cardíaca corresponde à quantidade de batimentos por minuto do coração, o pulso reflete o impacto dos batimentos nos vasos sanguíneos.
Qual a frequência cardíaca normal?
Os valores normais para um adulto saudável ficam entre 60 e 100 bpm (batimentos por minuto). Consulte a tabela de sinais vitais mais acima para outros valores de referência.
Como anotar sinais vitais?
O registro deve ser feito logo após cada medição, de forma legível, clara, concisa e objetiva. Como em toda anotação de enfermagem, só se deve usar abreviaturas padronizadas da instituição, sem rasurar, anotar a lápis ou usar corretivo líquido.
Conclusão
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Referências bibliográficas
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_acolhimento_classificacao_risco.pdf
https://pt.slideshare.net/slideshow/aula04sinaisvitais-cuidador-de-idosospdf/267248744
https://www.scielo.br/j/abem/a/DqgfTzHLDkR4ZxXTp5V6bKv/?format=html&lang=pt
https://anatomiaefisioterapia.com/2020/04/07/como-encontrar-a-arteria-braquial/#:~:text=Para%20adequada%20verifica%C3%A7%C3%A3o%20da%20pulsa%C3%A7%C3%A3o,o%20paciente%20flexione%20o%20cotovelo.
https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2022/09/anotacao-de-enfermagem.pdf