5 passos para implementar o protocolo de Manchester na sua clínica

Por Dr. José Aldair Morsch, 5 de janeiro de 2021

O Protocolo de Manchester consiste em um método de classificação de riscos amplamente utilizado no mundo para determinar quais são os atendimentos prioritários nas unidades de emergência.

Por meio da metodologia, é possível identificar de maneira célere quais são os pacientes estáveis e aqueles com riscos mais elevados. Dessa forma, é possível organizar o atendimento para que os mais urgentes sejam recebidos primeiro.

Nos dias de hoje, o Protocolo de Manchester é utilizado em mais de 25 países. Ele foi inventado em 1994, pelo médico e professor Kevin Mackway Jones, e passou a ser recomendado em todos os hospitais do Reino Unido já em 1998, até que ganhou relevância mundial.

A importância de sua adoção está diretamente ligada à superlotação das unidades de saúde. Uma vez que possibilita uma organização rápida e efetiva dos pacientes, para que sejam priorizados aqueles de urgência.

Porém, lembre-se de que o Protocolo de Manchester não deve ser utilizado para presumir os diagnósticos, apenas identificar em quais situações existem maiores riscos fatais, de perda de função ou mesmo de órgãos.

Quer saber como utilizar a prática e como ela pode lhe auxiliar a garantir uma melhor organização dos seus atendimentos?

A seguir, confira todos os detalhes sobre seu funcionamento, equipamentos necessários, responsáveis envolvidos, benefícios e meios de implementação!

Como o Protocolo de Manchester funciona na prática?

No Protocolo de Manchester, os profissionais de saúde precisam efetuar uma avaliação do quadro clínico do paciente.

O objetivo é identificar o risco do quadro em questão, colocando uma pulseira no indivíduo que indica a gravidade do seu caso e a priorização do seu atendimento.

Confira como é feita a classificação e o que é levado em consideração em cada caso:

Emergencial: cor vermelha

Os casos de emergência são aqueles em que os indivíduos estão com risco de morte ou em condições de extrema gravidade.

Ou seja, aqueles com pulseira de cor vermelha são aqueles que precisam ser atendidos imediatamente.

Entre os quadros mais comuns nesses casos, estão:

  • Crises de convulsão; 
  • Paradas cardiorrespiratórias;
  • Hemorragias sem controle;
  • Dor no peito com falta de ar;
  • Queimadura em mais de 25% do corpo;
  • Tentativa de suicídio, entre outros semelhantes.

Muito urgente: cor laranja

A cor laranja também identifica os pacientes urgentes, mas em um nível um pouco menos elevado do que o anterior.

Em média, o tempo aceitável de espera nesses casos é de até 10 minutos.

As condições geralmente tratadas como muito urgentes incluem:

  • Dores muito severas;
  • Cefaleia de rápida progressão;
  • Arritmia sem sinais de instabilidade;
  • Entre outras situações de igual gravidade.

Urgente: cor amarela

Nos casos urgentes, podemos considerar que existem riscos para o paciente, mas eles não são imediatos. Assim, o tempo de espera pode chegar a até 1 hora.

Os casos mais comuns são:

  • Vômitos intensos;
  • Desmaios;
  • Crises de pânico;
  • Dores ou hemorragias moderadas;
  • Irregularidades nos sinais vitais;
  • Casos de hipertensão, e assim por diante.

Pouco urgente: cor verde

Os casos menos graves são identificados com pulseiras verdes e têm um tempo aceitável de espera de até 2 horas.

Nessas situações, é comum que os quadros incluam: febres, dores leves, viroses, tonturas, resfriados, náuseas, hemorragia sob controle, entre outros.

Não urgente: cor azul

Para finalizar, os quadros mais simples são identificados pela cor azul e aceitam até 4 horas de espera para os pacientes.

Como é de se imaginar, as situações não urgentes envolvem atendimentos mais simples, como aplicação de medicamentos receitados pelo médico, troca de sonda, dores relacionadas a condições crônicas já diagnosticadas, etc.

Como o Protocolo de Manchester funciona na prática?

No próximo item, saiba mais sobre os insumos que são necessários para que o Protocolo de Manchester seja devidamente viabilizado

Quais os equipamentos necessários para a adoção do Protocolo de Manchester?

Para realizar as avaliações necessárias para determinar os riscos e garantir que o Protocolo de Manchester flua de maneira correta, alguns equipamentos e materiais são indispensáveis nas unidades de saúde. Eles incluem:

  • Etiquetas de identificação (com a escala de gravidade);
  • Esfigmomanômetro;
  • Estetoscópio;
  • Glicosímetro;
  • Oxímetro;
  • Prontuários;
  • Relógio de frequência cardíaca;
  • Termômetro.

Além de conhecer as classificações e insumos necessários para o Protocolo de Manchester, também é fundamental compreender quem são os seus responsáveis. Descubra no item seguinte.

Quem são os responsáveis pela execução do Protocolo de Manchester?

De acordo com as leis vigentes, é responsabilidade da equipe de enfermagem designar o especialista que será responsável por executar o Protocolo de Manchester na clínica ou hospital em questão.

Esse profissional de enfermagem precisa ser devidamente qualificado para lidar com a responsabilidade da triagem. Nesse sentido, evita falhas e erros capazes de comprometer o bom andamento dos atendimentos e até de colocar a vida dos pacientes em risco.

Além disso, o enfermeiro responsável precisa cumprir suas funções com celeridade, para garantir a fluência das intervenções, e possuir uma boa capacidade interpessoal para lidar com os pacientes em espera.

Tenha em mente que, além do responsável, todos os profissionais clínicos precisam se engajar em prol do Protocolo de Manchester, assim como a infraestrutura deve ser adequada para a sua execução.

Dessa maneira, os benefícios da prática podem ser garantidos sem problemas, conforme explicarei no próximo item!

Quais são as principais vantagens do Protocolo de Manchester?

Com todos os fatos que mencionamos ao longo do artigo, é fácil perceber como o Protocolo de Manchester é importante para as unidades de emergência. Assim como, também é indispensável para garantir toda a segurança necessária aos pacientes.

Saiba as principais vantagens do Protocolo de Manchester

Para que você entenda melhor como as suas vantagens são significativas, acompanhe um breve resumo a respeito do impacto que o método tem nas clínicas e hospitais:

Garanta mais segurança para seus pacientes

O Protocolo de Manchester é baseado em padrões sólidos, sistemáticos e respaldo científico. Inclusive, é por isso que seu uso é tão amplo ao redor do mundo.

Sendo assim, a segurança é garantida para os pacientes, que passam a ter um apoio objetivo para seus encaminhamentos e para a redução de riscos ligados a agravamentos.

Aumente a satisfação do público

Com a segurança fornecida pelo Protocolo de Manchester, os pacientes se sentem mais tranquilos e bem acolhidos nas unidades de saúde.

Além disso, ao entender melhor qual será o tempo de espera, suas expectativas são mais bem alinhadas e a satisfação com a experiência de atendimento se torna maior.

Defina a melhor organização possível

Por meio do Protocolo de Manchester, todos os fluxos de atendimento se tornam padronizados, a organização para as intervenções de urgência é feita da maneira mais adequada possível e o direcionamento dos recursos se torna totalmente assertivo.

Sendo assim, toda a organização da unidade é favorecida. Uma vez que os padrões são bem definidos, assim como os profissionais, equipamentos e demais insumos médicos são sempre alocados junto aos pacientes que mais precisam.

Tenha um maior alinhamento entre enfermeiros e médicos

Sem métodos como o Protocolo de Manchester, é comum que os profissionais de saúde discordem a respeito de certos casos e suas respectivas classificações de risco.

Logo, isso pode gerar atrasos nas intervenções, além de falta de clareza e consenso entre as equipes que efetuam os atendimentos.

Como o protocolo adota um padrão único, com critérios de classificação bem definidos, ele não abre brechas para que esse tipo de problema ocorra.

Reduza a incidência de fatalidades

Não é novidade que esperas excessivas podem ser fatais. Por isso, a priorização que o Protocolo de Manchester garante para casos graves é capaz de salvar muitas vidas. Além disso, ele também evita casos de perda de órgãos ou de função.

Torne sua unidade de atendimento mais segura

Além da própria segurança agregada aos pacientes, mencionada logo acima, é importante ressaltar que as instituições de saúde como um todo se tornam mais seguras com o Protocolo de Manchester.

Isso porque, como explicarei no item seguinte, o uso do método depende de auditorias constantes e análises muito rigorosas para determinar se os seus resultados são realmente efetivos na clínica ou hospital em questão.

Assim, sempre que a instituição for aprovada dentro dos critérios que guiam o protocolo, ela poderá ter certeza de que atua em conformidade com os padrões ideais de classificação emergencial, que seus profissionais atendem dentro de critérios sólidos de segurança e que os pacientes não terão seus riscos aumentados por esperas excessivas.  

As vantagens do Protocolo de Manchester em clínica ou hospital

As vantagens do Protocolo de Manchester são significativas e de suma importância para qualquer clínica ou hospital que lida com casos de urgência.

Como implementar o Protocolo de Manchester nas clínicas ou hospitais?

Agora que você já conhece os principais detalhes sobre o Protocolo de Manchester, vou detalhar as etapas fundamentais para que você implemente ele com sucesso na sua unidade de saúde! Acompanhe:

1. Conscientize a equipe sobre a importância da classificação de risco

O primeiro passo para ter sucesso na implementação do Protocolo de Manchester é conscientizar toda a equipe clínica a respeito da relevância da gestão de urgências e da classificação de riscos.

De acordo com o Grupo Brasileiro de Classificação de Risco, não só os enfermeiros e os médicos devem ser treinados como classificadores, mas também a própria direção e coordenação da unidade de emergência.

Ainda segundo a instituição, uma Palestra de Gestão a Partir da Classificação de Risco deve ser promovida aos profissionais, abordando os modelos de classificação com foco no Protocolo de Manchester. Além de problemas comuns na entrada, passagem e saída dos pacientes e diagnóstico situacional dos serviços de urgência.

2.   Capacite a sua equipe como classificadores pelo GBCR

Por falar no Grupo Brasileiro de Classificação de Risco, a instituição ainda fornece capacitação com certificação profissional de classificador do Protocolo de Manchester.

De validade internacional, o documento precisa ser atualizado a cada 3 anos ou sempre que houver uma nova edição de regras do protocolo.

Porém, em mais de 30 anos de aplicação, o Protocolo de Manchester passou apenas por 3 edições, o que só reforça o quanto o método é sólido e estável.

Aqueles que forem reprovados podem repetir a capacitação, mas somente após 30 dias de intervalo.

Outra possibilidade é o treinamento à distância, disponibilizado pelo GBCR por meio da plataforma Zoom.

3. Chame um tutor do GBCR para fazer um acompanhamento presencial

Depois que o Protocolo de Manchester é implementado na unidade de saúde, um tutor do GBCR vai até o local para realizar um acompanhamento presencial.

O objetivo desse encontro é corrigir eventuais erros, promover melhorias e sanar dúvidas que possam ter restado entre os profissionais.

4. Capacite auditores internos 

Para garantir a conformidade e excelência do Protocolo de Manchester, ele precisa ser auditado todos os meses, de acordo com as recomendações do GBCR.  

Dessa maneira, sua clínica ou hospital deve capacitar auditores internos. O ideal é que sejam, no mínimo, um auditor médico e outro enfermeiro.

O próprio GBCR oferece cursos de auditoria, que também podem ser realizados presencialmente ou à distância, via plataforma Zoom.  

5.   Faça uma auditoria externa para verificar o controle do sistema

Além da exigência de auditorias internas periódicas, o Protocolo de Manchester também demanda processos contínuos de auditorias externas.

Realizadas pela GBCR, têm como objetivo garantir que a operacionalização do método seja feita de acordo com os devidos padrões estabelecidos.

Isso porque, mais que um cuidado indispensável para qualquer unidade de saúde emergencial, os sistemas de avaliação de riscos exigem extremo rigor entre quem os aplica e devem ser devidamente controlados para que os profissionais os utilizem com todo o critério, cuidado e qualificação necessários para a segurança dos pacientes!

Conclusão

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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