Espirometria de incentivo: o que é, para que serve e classificação

Por Dr. José Aldair Morsch, 27 de fevereiro de 2019
Espirometria de incentivo

A espirometria de incentivo é um assunto de grande interesse para médicos e fisioterapeutas.

Diferentemente da versão clínica ou ocupacional da prova de função pulmonar, que pode diagnosticar doenças respiratórias, o foco dessa abordagem vai para o tratamento e recuperação de pacientes.

Por isso, tem indicações e contraindicações bastante pontuais, sobre as quais vamos falar ao longo deste artigo.

Você também vai conhecer os principais benefícios da espirometria de incentivo, além de descobrir como se dá a classificação do espirômetro utilizado no procedimento.

Era esse o conhecimento que procurava?

Então, não deixe de acompanhar o artigo até o final.

Boa leitura!

Espirometria de incentivo: o que é?

Espirometria de incentivo: o que é?

O que é espirometria de incentivo?

A espirometria de incentivo é uma técnica de fisioterapia respiratória não invasiva empregada no tratamento e acompanhamento de pacientes portadores de doenças respiratórias ou submetidos a cirurgias no pulmão, além de ser efetivo em prevenção de infecções pulmonares nos idosos e acamados.

O procedimento é conduzido com o uso de um dispositivo específico, o espirômetro de incentivo, com um sistema de feedback visual extremamente simples e que ajuda o paciente a monitorar o fluxo e o volume de ar mobilizados a cada inspiração, restabelecendo volumes e capacidades pulmonares.

O equipamento estimula inspirações mais lentas e profundas, o que contribui para o melhor funcionamento do órgão e com o objetivo de gerar uma maior ventilação alveolar.

A espirometria de incentivo induz a chamada Inspiração Máxima Sustentada (SMI, na sigla em inglês), que objetiva o incremento de volume na respiração, sendo empregada por um período de tempo determinado.

Para que serve a espirometria de incentivo?

Para que serve a espirometria de incentivo?

Para que serve a espirometria de incentivo?

Como acabamos de destacar, a espirometria de incentivo é uma técnica que serve para estimular o paciente a respirar profunda e lentamente.

Entre outros objetivos, ela se destina a elevar a pressão transpulmonar e os volumes inspiratórios.

Também atua na melhora do desempenho muscular inspiratório e pode restabelecer ou simular o chamado padrão normal de hiperinsuflação pulmonar.

Mais à frente, vamos trazer mais detalhes sobre as situações nas quais a espirometria de incentivo é indicada.

Antes, porém, vale esclarecer a diferença do procedimento para a espirometria tradicional, também chamada de prova de função pulmonar.

Como explicado na abertura do artigo, a prova de função pulmonar, também conhecido como exame de espirometria, é um exame diagnóstico que avalia a capacidade do pulmão, quantificando o volume de ar que o paciente consegue inspirar e expirar durante a respiração (análise dos fluxos).

Assim, além da quantidade de ar, a espirometria avalia também a velocidade de sua saída dos pulmões.

Esse é um exame bastante empregado na identificação de possíveis anormalidades durante movimentos de respiração, o que pode revelar quadros de asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e fibrose pulmonar, entre outros.

Então, enquanto o exame de espirometria tem uso diagnóstico, a espirometria de incentivo é utilizada como técnica de tratamento e prevenção em pacientes.

Em resumo:

  • Espirometria de incentivo: exercício para tratamento ou prevenção com o objetivo de gerar uma maior ventilação alveolar.
  • Exame de espirometria: exame conhecido como prova de função pulmonar que mede a quantidade de ar que uma pessoa é capaz de inspirar ou expirar a cada vez que respira.

Benefícios da espirometria de incentivo

Benefícios da espirometria de incentivo

Benefícios da espirometria de incentivo

São esperados os seguintes benefícios com a utilização da espirometria de incentivo como técnica de fisioterapia respiratória:

  • Melhora da função pulmonar
  • Fortalecimento da musculatura respiratória
  • Aumento dos volumes e capacidades pulmonares
  • Maior controle da ventilação
  • Ajuda a normalizar os padrões respiratórios
  • Educação respiratória do paciente
  • Melhora no seu condicionamento físico geral
  • Ganhos na autoestima e na qualidade de vida do paciente.

Estudos sugerem ainda uma série de outros benefícios da espirometria de incentivo nas suas mais variadas aplicações.

Por outro lado, nem todos desfrutam de consenso na classe médica e científica.

É o caso da espirometria de incentivo empregada como tratamento de complicações pulmonares pós-operatórias.

Este artigo, que apresenta uma revisão da literatura, aborda a eficácia do procedimento da seguinte forma:

“Na maioria dos estudos, não foi encontrada diferença significativa na incidência dessas complicações ao comparar o espirômetro de incentivo a outras terapias, mas esse recurso tem sido considerado mais eficaz do que qualquer outra forma de terapia respiratória.”

Classificação do espirômetro de incentivo

Classificação do espirômetro de incentivo

Classificação do espirômetro de incentivo

O espirômetro de incentivo é um dispositivo relativamente simples, que o paciente pode usar mesmo em sua casa como forma de treinar e qualificar a sua respiração.

Isso é possível porque o aparelho oferece feedback visual ao paciente, que precisa usá-lo da maneira correta para que a técnica seja efetiva.

Sua classificação se divide em dispositivos volume-dependentes e fluxo-dependentes, os quais iremos conhecer em detalhes a partir de agora.

Espirômetro de incentivo a volume (EV)

O espirômetro de incentivo a volume (EV) apresenta a capacidade inspiratória alcançada e de expansão pulmonar.

Ou seja, ele revela qual foi o volume máximo de ar inspirado após uma expiração normal.

Essa análise se vale de escalas visualmente representadas no próprio dispositivo, através de um pistão presente dentro dele, o que facilita a leitura até mesmo pelo paciente.

Espirômetro de incentivo a fluxo (EF)

O espirômetro de incentivo a fluxo (EF), por sua vez, traz dados sobre o fluxo inspiratório que é gerado pelo paciente durante a aplicação da técnica.

A taxa do fluxo é mostrada a partir de esferas encontradas no interior do cilindro e que são elevadas e sustentadas conforme o desempenho do paciente no exercício.

O que são exercitadores ou incentivadores respiratórios?

O que são exercitadores ou incentivadores respiratórios?

O que são exercitadores ou incentivadores respiratórios?

Os incentivadores respiratórios, também chamados de exercitadores devido ao uso que é feito deles, são uma classe de dispositivos na qual se enquadram os espirômetros de incentivo.

Recursos mecânicos, eles são empregados em terapias de higiene brônquica, tendo por objetivo expandir o pulmão, melhorar a respiração, fortalecer e auxiliar os músculos utilizados no processo.

Sua origem remonta à década de 70. Desde então, embora a tecnologia tenha evoluído bastante, a característica principal dos espirômetros se mantém, que é a necessidade de participação ativa do paciente no seu uso.

Não havendo domínio da técnica pelo paciente, portanto, a capacidade de avaliação e também terapêutica do dispositivo médico é reduzida ou mesmo se torna nula.

Indicações da espirometria de incentivo

Como já explicado em tópicos anteriores, a espirometria de incentivo tem indicações relacionadas à função pulmonar, à força muscular respiratória e à mobilidade tóraco-abdominal.

Dessa forma, pode ser empregada como técnica de fisioterapia respiratória nas seguintes situações:

  • Remoção de secreções nas vias aéreas
  • Tratamento pós-operatório na cirurgia pulmonar
  • Tratamento pós-operatório na cirurgia abdominal alta
  • Tratamento pós-operatório em cirurgia em paciente com DPOC
  • Pacientes em recuperação de cirurgia cardíaca
  • Pacientes em recuperação prolongada de qualquer cirurgia
  • Pacientes em recuperação de pneumonia
  • Pacientes em recuperação de lesão de costela
  • Pacientes com defeito pulmonar restritivo
  • Pacientes com doença neuromuscular que atinja a musculatura respiratória
  • Pacientes com atelectasia pulmonar (colapso parcial ou completo do tecido pulmonar com redução de volume)
  • Pacientes com condição de predisposição ao desenvolvimento da atelectasia pulmonar
  • Pacientes portadores de fibrose cística, bronquite crônica, bronquiectasia, infecção pulmonar necrosante e lesão medular.

Como curiosidade, a espirometria de incentivo pode também ser utilizada por músicos instrumentistas de sopro, com o objetivo de melhorar o fluxo de ar.

Contraindicações da espirometria de incentivo

Contraindicações da espirometria de incentivo

Contraindicações da espirometria de incentivo

As contraindicações da espirometria de incentivo são relativas, o que significa que não são aplicáveis a todo e qualquer paciente.

Possíveis restrições à realização da técnica, portanto, devem partir do profissional responsável pelo seu acompanhamento médico e fisioterápico.

As mais comuns envolvem hipertensão e aneurisma intracranianos, redução da perfusão arterial coronariana e osteoporose.

Devem ser avaliados com atenção também casos de doença aguda de abdômen, aneurisma da aorta abdominal, hérnia hiatal, pneumotórax sem tratamento e gestantes.

Além disso, a espirometria de incentivo é contraindicada quando o paciente não consegue realizar o uso adequado do dispositivo ou se mostra incapaz de respirar profundamente.

Havendo estoma traqueal aberto (traqueostomia), o procedimento pode ser realizado, mas é preciso que o espirômetro seja adaptado.

Limitações da espirometria de incentivo

Além de contraindicações, é importante conhecer as limitações da espirometria de incentivo.

Ou seja, são condições que prejudicam ou mesmo inviabilizam os resultados da técnica respiratória.

As principais incluem:

  • Hiperventilação
  • Fadiga
  • Broncoespasmo exacerbado
  • Barotrauma pulmonar
  • Desconforto que resulta do controle inadequado da dor
  • Hipóxia originada na interrupção da oxigenoterapia.

Lembrando novamente que a espirometria é ineficaz caso a técnica não tenha domínio por parte do paciente.

Também vale destacar que, segundo diretrizes da AARC (Associação Americana de Cuidados Respiratórios), há controvérsia em relação ao uso excessivo do procedimento.

“Evidências sugerem que a respiração profunda sozinha, sem auxiliares mecânicos, pode ser tão benéfica quanto a espirometria de incentivo na prevenção ou reversão de complicações pulmonares”, afirma o documento.

Como o espirômetro de incentivo é utilizado

Como o espirômetro de incentivo é utilizado

Como o espirômetro de incentivo é utilizado

Confira a seguir um passo a passo com um resumo das etapas de uso do espirômetro de incentivo como técnica de fisioterapia respiratória:

  1. O paciente deve estar sentado, o que pode ser até mesmo na beira da cama
  2. Em seguida, é necessário segurar o espirômetro na posição vertical
  3. Encaixe os lábios no bocal do aparelho, preenchendo todo espaço ao seu redor
  4. Inspire de forma lenta e o mais profundamente que conseguir
  5. Observe no espirômetro as marcações do pistão ou esferas e a indicação de referência
  6. Segure a respiração pelo maior tempo possível
  7. Em seguida, expire lentamente
  8. Descanse por alguns segundos e repita o exercício

Telemedicina Morsch como parceira no laudo à distância do exame de espirometria

O espirômetro de incentivo, como vimos ao longo do artigo, é um dispositivo médico que pode ser utilizado pelo paciente supervisionado ou devidamente orientado.

Logo, não depende de uma análise especializada sobre os seus resultados, desde que utilizado corretamente, é claro.

Essa é uma realidade totalmente diferente do exame de espirometria que avalia a função pulmonar e investiga possíveis doenças e anormalidades.

Embora a sua realização também seja relativamente simples, há grande responsabilidade quanto à interpretação dos resultados.

Dados sobre capacidade vital (CV), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), volume residual (VR), ventilação voluntária máxima (VVM), tempo da expiração forçada (TEF) e fluxos expiratórios, entre outros, exigem conhecimento avançado, que só um especialista possui.

É por isso que laudos de espirometria devem ser emitidos apenas por médicos pneumologistas.

Esse é um fator complicante para clínicas, consultórios e hospitais disponibilizarem o exame.

Afinal, custa caro contar com especialistas que precisam se dedicar exclusivamente à análise de resultados.

Uma solução para manter o exame no seu portfólio e reduzir custos se dá com a telemedicina.

Essa é uma especialidade que consiste no apoio diagnóstico à distância. Para isso, faz uso de tecnologias de informação e comunicação (TICs).

Como funciona uma plataforma de telemedicina

O exame pode ser realizado por um técnico em enfermagem, que coleta as informações com o paciente a partir de um espirômetro.

Do equipamento, os dados vão direto para o computador, de onde são disponibilizados em uma plataforma de telemedicina.

Essa é uma solução de armazenamento e compartilhamento de informações em nuvem.

Com seu login e senha, o médico especialista da empresa de telemedicina ingressa na plataforma e acessa os dados do exame de espirometria.

Então, ele faz a análise e interpretação dos resultados, para depois registrar suas conclusões em um laudo online.

Esse documento é assinado digitalmente e disponibilizado na mesma plataforma de telemedicina.

Pronto: agora, médicos, demais profissionais da saúde e até pacientes podem ter acesso ao laudo. Para isso, basta ingressar no ambiente online com seu login e senha.

A Telemedicina Morsch não apenas oferece o serviço de laudos à distância, como também pode ceder sem custos o equipamento para realizar o exame de espirometria.

Isso está previsto no contrato com regime de comodato, que permite o uso do aparelho enquanto durar o contrato de uso de laudos à distância.

Conclusão

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Você conferiu neste artigo o que é e como funciona a espirometria de incentivo.

Descobriu, por exemplo, que essa técnica de fisioterapia respiratória é indicada para situações diversas e pode ser realizada pelo próprio paciente, desde que devidamente orientado para isso.

Também conheceu na leitura as diferenças do procedimento para a prova de função pulmonar, um importante exame que pode diagnosticar doenças e anormalidades diversas no sistema respiratório.

Se a sua clínica ainda não oferece a espirometria clínica ou ocupacional, não perca a chance de aumentar seu portfólio de serviços.

A Telemedicina Morsch é a parceira ideal para lhe ajudar nessa missão.

Visite o site, faça contato conosco e solicite um teste grátis da plataforma.

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Referências Bibliográficas

FARIA, Ingrid de Castro Bolina; FREIRE, Lincoln Marcelo Silveira; SAMPAIO, Walkyria N Oliveira.  Incentivadores da inspiração: atualidades nas técnicas de espirômetro de incentivo e breath-stacking – Rev Med Minas Gerais 2013; 23(2): 228-234.

MATOS, J.P.; MADUREIRA, K.T.; PARREIRA, Verônica Franco. Eficácia da espirometria de incentivo na prevenção de complicações pulmonares após cirurgias torácicas e abdominais – Revisão de literatura. Revista Brasileira De Fisioterapia. 2003.

Diretrizes da AARC – Associação Americana de Cuidados Respiratórios – Respir Care 1991; 36(12):1402–1405.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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