Insuficiência cardíaca: o que é, causas, diagnóstico, recomendações e tratamento
A insuficiência cardíaca (IC) vem se tornando uma questão de saúde pública devido à sua alta incidência.
Para se ter uma ideia, dados do DATASUS mostram que são diagnosticados 240 mil casos por ano no Brasil.
O número deve aumentar nos próximos anos, conforme a população envelhece.
Daí a necessidade de entender melhor a IC, seus tipos, sintomas e tratamento.
Apresento essas e outras informações ao longo deste artigo, incluindo um bônus com serviços de telemedicina que colaboram para o diagnóstico.
O que é insuficiência cardíaca?
Insuficiência cardíaca é uma síndrome em que ocorre a falência do miocárdio.
Nesse cenário, o músculo cardíaco se torna incapaz de bombear sangue em quantidade suficiente para o bom funcionamento do organismo.
Em alguns casos, o suprimento de sangue é suficiente, porém, é realizado às custas de pressões de enchimento elevadas, o que desencadeia redução do débito cardíaco.
Segundo definição do Ministério da Saúde, a IC:
“É uma síndrome clínica com sintomas e/ou sinais atuais ou anteriores causados por anormalidades cardíacas estruturais e/ou funcionais, corroborados por níveis elevados de peptídeo natriurético e evidência objetiva de congestão pulmonar ou sistêmica”.
Tipos de insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca pode ser classificada de diferentes maneiras, a exemplo da fração de ejeção e progressão da doença.
Uma forma simples está na classificação entre IC crônica ou aguda.
De acordo com a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, a insuficiência cardíaca crônica tem natureza progressiva e persistente.
Por sua vez, a insuficiência cardíaca aguda se refere a alterações rápidas ou graduais de sinais e sintomas, resultando em necessidade de terapia urgente.
A diretriz ainda afirma que:
“Embora a maioria das doenças que levam à IC caracterizem-se pela presença de baixo débito cardíaco (muitas vezes compensado) no repouso ou no esforço (IC de baixo débito), algumas situações clínicas de alto débito também podem levar a IC, como tireotoxicose, anemia, fístulas arteriovenosas e beribéri (IC de alto débito)”.
Explico mais detalhes a seguir.
Classificação conforme a fração de ejeção
Uma das divisões mais utilizadas se baseia na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), separando a IC em quatro tipos:
- IC com fração de ejeção preservada (ICFEp): FEVE maior ou igual a 50%
- IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr): FEVE menor que 40%
- IC de fração de ejeção levemente reduzida (CFEi): FEVE entre 41 e 49%
- IC com FE melhorada (HFimpEF): FEVE basal ≤ 40%, um aumento ≥ 10 pontos da FEVE basal e uma segunda medição da FEVE > 40%.
Na sequência, falo sobre possíveis sintomas da condição.
Quais os sintomas da insuficiência cardíaca?
Inicialmente, muitos casos de IC podem ser assintomáticos, apresentando sinais apenas quando a patologia se intensifica.
Os principais sintomas são:
- Dispneia (falta de ar)
- Ortopneia
- Edema (inchaço) de membros inferiores e abdômen
- Fadiga (cansaço intenso)
- Intolerância ao exercício
- Tosse persistente.
A síndrome se manifesta de forma diferente no paciente pediátrico, como aponta a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Respiração rápida, cansaço fácil, interrupções frequentes das mamadas, palidez e sudorese excessiva, vômitos frequentes e baixo ganho de peso são sintomas que acometem bebês.
Já as crianças mais velhas apresentam:
- Cansaço aos esforços
- Dispneia
- Fadiga
- Intolerância alimentar (ex.: vômitos)
- Edema abdominal, na face e nas pernas.
No próximo tópico, vamos entender o que está por trás dessa condição.
O que causa insuficiência cardíaca?
As causas mais relevantes no Brasil são doenças isquêmicas, hipertensão arterial sistêmica e, em algumas regiões, a doença de Chagas.
No entanto, diversas patologias cardiovasculares e até em outros sistemas do organismo podem estar na origem da IC, incluindo:
- Valvulopatias
- Cardiomiopatias
- Patologias congênitas
- Toxicidade por medicamentos
- Miocardite
- Doenças endócrinas, renais ou autoimunes.
- É importante que a investigação médica busque identificar os fatores que levam ao quadro.
Qual exame detecta insuficiência cardíaca?
O diagnóstico clínico oferece um panorama interessante a partir da combinação entre histórico de doenças cardiovasculares, sintomas e comorbidades (como diabetes e hipertensão).
Geralmente é feita a solicitação de exames complementares como:
- Eletrocardiograma, para avaliar sinais de cardiopatia estrutural ou distúrbios de condução
- Ecocardiograma com doppler para analisar a FEVE e características dos átrios e ventrículos e das válvulas cardíacas, pressão sistólica, entre outros fatores
- Dosagem plasmática de peptídeos natriuréticos BNP e NT-proBNP
- Ressonância magnética cardíaca, considerada o método padrão-ouro para medidas dos volumes, da massa miocárdica e da fração de ejeção de ambas as cavidades ventriculares.
A partir do diagnóstico, passamos ao tratamento.

Muitos casos podem ser assintomáticos, com manifestações apenas em estágios avançados
Como tratar insuficiência cardíaca?
O tratamento é definido a partir da causa e características da insuficiência cardíaca, que pode afetar o coração direito ou esquerdo.
Geralmente, a abordagem engloba medidas farmacológicas e não farmacológicas e, em alguns casos, procedimentos invasivos.
Betabloqueadores, diuréticos e inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) estão entre os medicamentos comumente prescritos para reverter os sintomas.
Eles devem ser combinados a uma dieta com restrição de sódio e hábitos saudáveis, como a prática de atividade física regular, para melhorar a qualidade de vida do paciente.
Dependendo da origem da IC, pode ser necessário recorrer à cirurgia de revascularização, colocação de marcapasso ou cardioversor implantável (CDI) ou substituição de válvulas.
Casos de IC refratária são candidatos ao transplante de coração.
Insuficiência cardíaca tem cura?
A doença não tem cura, mas tem tratamento.
Essa é uma condição crônica e progressiva. Porém, pode ser controlada e ter a evolução atrasada com o tratamento correto.
Cabe ao cardiologista avaliar cada caso para fazer a prescrição médica adequada, que pode incluir remédios, hábitos saudáveis e procedimentos invasivos.
O que uma pessoa com insuficiência cardíaca não pode fazer?
Algumas práticas devem ser evitadas para que a doença não piore, a exemplo de:
- Consumir muito sal
- Fumar ou respirar a fumaça do cigarro
- Ingerir comidas gordurosas
- Beber líquidos em excesso (deve-se beber entre 1 e 1,5 litro por dia)
- Tomar cerveja e outras bebidas alcoólicas
- Usar anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno).
- Exercícios físicos devem ser feitos sob orientação médica.
É importante que médico e paciente conversem sobre a necessidade de mudança de hábitos.
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Como prevenir a insuficiência cardíaca?
A prevenção foca no controle dos fatores de risco para patologias cardiovasculares, combinado a comportamentos saudáveis.
Listo as principais medidas abaixo:
- Controle da hipertensão (pressão alta), diabetes, colesterol alto e obesidade
- Tratamento para parar de fumar e diminuir o consumo de álcool
- Mudanças na dieta, evitando itens ultraprocessados, com muito sódio, comidas gordurosas, etc.
- Manter a ingestão de líquidos entre 1 e 1,5 litro por dia
- Diminuir o estresse, investindo em hobbies, exercícios de respiração e autoconhecimento
- Abandonar o sedentarismo, praticando atividade física regular de acordo com a recomendação médica.
Também é importante realizar o check-up cardiológico, incluindo consultas e exames regularmente para monitorar a saúde do coração.
Acompanhamento e monitoramento do paciente com insuficiência cardíaca
Após o diagnóstico da IC, é essencial manter uma rotina de cuidados e acompanhamento junto ao cardiologista, a fim de prevenir agravos à saúde.
Esse acompanhamento pode ser conduzido utilizando o atendimento híbrido, que emprega a teleconsulta e telemonitoramento para dar mais comodidade ao paciente.
Afinal, ele não precisará se deslocar para passar na consulta com cardiologista nos intervalos determinados, e ainda poderá receber os resultados de exames online.
Durante o teleatendimento, o médico poderá avaliar a adesão ao tratamento, fazer a troca ou ajuste na medicação, aconselhar sobre boas práticas em viagens e tipos de exercício físico adequados, entre outras ações.
É assim que a telemedicina cardiológica faz a diferença na vida do paciente, que recebe assistência médica sem sair de casa, com qualidade e conforto.
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Telemedicina facilita o diagnóstico da insuficiência cardíaca
O diagnóstico da insuficiência cardíaca é complexo e pede os conhecimentos de um cardiologista.
Por vezes, as clínicas e hospitais não dispõem de especialistas em quantidade suficiente para fazer a interpretação de exames cardiológicos como ECG e RM.
Mas é possível suprir essa carência com o suporte da telemedicina, que coloca um time de cardiologistas à sua disposição.
Basta compartilhar os registros dos exames na plataforma de Telemedicina Morsch para que sejam avaliados por um especialista qualificado.
Ele conclui e assina digitalmente o laudo online, entregue em minutos ou em tempo real, no caso de urgências.
Sua equipe ainda pode solicitar uma segunda opinião médica ou encaminhar os pacientes a especialistas através da teleconsulta.
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Perguntas frequentes sobre insuficiência cardíaca
Neste espaço, reuni respostas para questionamentos recorrentes sobre a IC.
Quais são os primeiros sinais de insuficiência cardíaca?
Os primeiros sinais de IC são relacionados à retenção de líquidos e de sódio, que é consequência da diminuição do fluxo sanguíneo devido ao mau funcionamento do coração. Podem surgir inchaço nos membros inferiores, cansaço excessivo em atividades físicas e fraqueza.
O que acontece quando a pessoa tem insuficiência cardíaca?
Quadros de insuficiência cardíaca provocam um círculo vicioso. Eles fazem com que o coração não bombeie sangue em quantidade suficiente para suprir o organismo, o que resulta no retorno de líquido para os pulmões, prejudicando a respiração.
O acúmulo de líquido em outras áreas do corpo, como as pernas, tornozelos e pés, leva ao inchaço. Já os rins sofrem por não receber sangue suficiente, diminuindo a produção de urina e reforçando o acúmulo de líquidos, o que sobrecarrega o músculo cardíaco.
É possível reverter a insuficiência cardíaca?
Apesar de não ter cura, a IC tem controle. Dependendo do quadro, a função cardíaca pode ser preservada ou melhorada, contanto que o paciente mantenha o acompanhamento e siga as orientações do cardiologista.
O que faz piorar a insuficiência cardíaca?
Falhas no uso de medicamentos, como alteração nas doses ou esquecimento, elevam o risco de complicações decorrentes da IC. Comer alimentos com muito sódio e gordura, fumar, tomar bebidas alcoólicas e não se exercitar são outras práticas danosas. Também a automedicação com analgésicos não esteroidais (AINEs) pode piorar o quadro.
Conclusão
A insuficiência cardíaca é uma condição complexa que pede atenção para evitar complicações graves.
Você pode contar com a plataforma Morsch para otimizar o diagnóstico e acelerar o tratamento dessa síndrome.
Se achou o artigo útil, leia mais conteúdos sobre cardiologia que publico aqui no blog.
Referências bibliográficas
https://datasus.saude.gov.br/
https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/insuficiencia-cardiaca-%28IC%29-no-adulto/definicao/
https://www.scielo.br/j/abc/a/XkVKFb4838qXrXSYbmCYM3K/?lang=pt
https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/doencas/insuficiencia-cardiaca/
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https://www.msdmanuals.com/pt/casa/fatos-r%C3%A1pidos-dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/insufici%C3%AAncia-card%C3%ADaca/insufici%C3%AAncia-card%C3%ADaca