Doença reumática: quais são as principais, classificação e sintomas

Por Dr. José Aldair Morsch, 25 de maio de 2022
Doença reumática

Dor intensa é um dos principais sintomas de doença reumática.

Também chamada de reumatismo, a expressão se refere a um conjunto de patologias que afetam o aparelho locomotor.

Como esse sistema tem papel fundamental no equilíbrio e movimentação, o avanço dos males reumáticos costuma dificultar atividades corriqueiras.

Lavar a louça, pentear o cabelo e até escovar os dentes podem se tornar tarefas complicadas e dolorosas.

Daí a necessidade de prestar atenção nos sinais iniciais para obter um diagnóstico precoce, permitindo um tratamento que evite complicações.

Neste artigo, falo dos tipos de doença reumática, sintomas e quando procurar ajuda médica.

Você pode contar com a plataforma de teleconsulta para esses e outros cuidados de saúde.

O que é doença reumática?

Doença reumática é um termo que reúne os males que acometem o sistema locomotor.

Ou seja, que impactam a função das articulações, tendões, ossos, músculos, ligamentos e cartilagens.

Osteoartrite, osteoporose e tendinite estão entre as enfermidades reumáticas mais conhecidas.

Essas patologias não são contagiosas, limitam seus efeitos ao doente.

Como adiantei na abertura deste texto, elas costumam provocar dores intensas, o que compromete a qualidade de vida na velhice.

Principalmente quando não são percebidas de maneira precoce, evoluindo para estágios mais graves.

O problema é que as fases iniciais são marcadas por sintomas inespecíficos, dificilmente associados ao reumatismo.

Trago detalhes sobre os sintomas nos próximos tópicos.

Classificação das doenças reumáticas

O grupo de doenças reumáticas engloba mais de 100 patologias.

Elas são caracterizadas, principalmente, por quadros inflamatórios nas articulações.

Esses males podem ser classificados de diferentes formas, dependendo dos fatores avaliados.

Aqui, tomei como referência o tipo de lesão para dividir o reumatismo em alguns grupos.

Doenças osteometabólicas

Podem ser definidas como males que prejudicam principalmente o tecido ósseo, tornando-o frágil e quebradiço.

Alguns exemplos são:

  • Osteoporose
  • Doença de Paget.

Artropatias Reativas

São patologias relacionadas a infecções no sistema locomotor, a exemplo de:

  • Febre Reumática
  • Artrite Reativa ou Secundária, desencadeada por processos infecciosos em outras partes do corpo
  • Artrites Infecciosas
  • Osteomielite.

Males degenerativos articulares

Como o nome sugere, esse tipo de doença reumática tem como causa a destruição das células das articulações aos poucos, prejudicando os movimentos e facilitando o atrito entre os ossos.

As principais são osteoartrite primária e secundária.

Enfermidades extra articulares

Esse grupo de males compromete as áreas que rodeiam as articulações, caracterizando, por exemplo:

  • Tendinites
  • Bursites
  • Fibromialgia.

Doenças provocadas por microcristais

São problemas causados pelo acúmulo de cristais muito pequenos nas articulações.

Cabe citar, neste grupo:

  • Gota
  • Artrite por hidroxiapatita
  • Condrocalcinose.

Patologias inflamatórias do tecido conjuntivo

Costumam ter efeitos difusos, manifestos em uma série de regiões do organismo, com raiz em distúrbios do sistema imunológico.

Entre as mais comuns estão:

  • Artrite Reumatóide
  • Miopatias Inflamatórias
  • Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
  • Esclerose Sistêmica.
Condição reumática

Doenças reumáticas costumam provocar dores intensas, o que compromete a qualidade de vida na velhice

Quais são as doenças reumáticas mais comuns?

Grande parte das patologias reumáticas é pouco comum, afetando pequenas parcelas da população.

Somados, porém, esses males chegam a acometer 15 milhões de brasileiros, conforme alerta da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

Estas doenças causam um impacto significativo ao Sistema Único de Saúde.

Para se ter uma ideia, o SUS registrou a internação diária de mais de 100 mil pessoas com sintomas de enfermidades reumáticas entre setembro de 2019 e agosto de 2020.

Outro dado preocupante tem a ver com a manifestação do reumatismo entre os 35 e 40 anos, quando se está em plena idade produtiva.

Esse fator fez com que as patologias liderassem a concessão de benefícios previdenciários em 2014, segundo pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMU-USP).

Naquele ano, os males reumáticos foram responsáveis por 19% dos auxílios-doença e 13,15% das aposentadorias por invalidez liberadas aos empregados formais.

Muitos desses benefícios foram concedidos devido às doenças que comento a seguir.

Osteoartrite (artrose)

Razão de 30 a 40% das consultas em ambulatórios de Reumatologia, a osteoartrite (artrose) é caracterizada pelo desgaste da cartilagem contida nas articulações.

Como consequência, surgem problemas ósseos chamados osteófitos, o popular “bico de papagaio”.

A osteoartrose, artrose ou doença articular degenerativa, é mais frequente a partir dos 60 anos e pode ter origem primária ou secundária.

A osteoartrite primária recebe essa classificação por não ter causa conhecida, enquanto a secundária costuma ser desencadeada por malformações articulares e alterações metabólicas.

Doenças reumáticas

A partir do diagnóstico de enfermidades reumáticas, alguns exames físicos podem ser solicitados

Artrite reumatoide

O público feminino tem chances dobradas de sofrer com essa patologia inflamatória crônica, que também atinge as articulações.

Por causa do quadro inflamatório, pacientes experimentam incômodos como dores, rigidez pela manhã e a formação de nódulos em diferentes partes do corpo.

Isso atrapalha a realização de tarefas simples, como escovar os dentes, pentear os cabelos ou calçar os sapatos.

Se não houver tratamento, a artrite reumatoide pode chegar a provocar deformidades como dedos em “pescoço de cisne” e joanete.

Fibromialgia

Fibromialgia é uma síndrome, ou seja, se manifesta através de uma combinação de sintomas.

Fadiga, dor muscular generalizada crônica e sono não reparador são os mais comuns, fazendo com que a doença seja facilmente confundida com distúrbios psíquicos.

Tais distúrbios também podem surgir, afetando a memória e favorecendo episódios de ansiedade e depressão.

Sua prevalência se dá entre indivíduos de 30 a 50 anos e o desconforto provocado pela síndrome dura mais de três meses.

No entanto, a doença não causa deformidades nem deixa sequelas.

Osteoporose

Geralmente, o desequilíbrio metabólico leva à perda de massa mineral óssea, causando a osteoporose.

O resultado são ossos fragilizados, capazes de quebrar diante de pequenos esforços e quedas leves.

A doença se divide em três tipos:

  1. Osteoporose pós-menopausa, que pode provocar fratura na coluna
  2. Osteoporose senil, com o potencial de fratura no quadril e coluna
  3. Osteoporose secundária, relacionada ao uso contínuo de corticoides e outros medicamentos ou males como a doença renal hepática.

Para prevenir a patologia, é recomendada uma dieta rica em cálcio, nutriente que fortalece o tecido ósseo.

Parar de fumar, diminuir o consumo de álcool e praticar exercício físico regularmente também ajuda na prevenção da osteoporose, como informa a cartilha da SBR.

Gota

Com maior incidência entre homens de 40 a 50 anos, a gota é uma doença inflamatória caracterizada pela deposição de microcristais nas articulações e outros tecidos.

Os cristais são formados pelo excesso de ácido úrico no organismo, desencadeando inflamações nas articulações, que ficam inchadas, avermelhadas e quentes.

Joelhos e pés estão entre as áreas mais afetadas pela patologia, mas os membros inferiores e até os rins podem ser acometidos.

Nesses casos, são formados cálculos (pedras) que levam a cólicas renais intensas.

Se não for tratada, a gota é capaz de deixar as articulações deformadas, além de provocar crises dolorosas.

Tendinite e bursite

Essas são inflamações em diferentes estruturas.

Na tendinite, são afetados os tendões de áreas como ombro, cotovelo e punho, gerando dor e limitações aos movimentos.

Tendões são estruturas que unem os ossos aos músculos.

A bursite também é comum em articulações como os ombros, mas nesse caso, as estruturas impactadas se chamam bursas.

Bursas são como bolsas contendo líquido, localizadas nas articulações para impedir o atrito entre os ossos.

Nem sempre essas doenças são desencadeadas por atividades laborais, porém, essa é uma relação corriqueira.

Principalmente quando as tarefas ocupacionais envolvem esforços repetitivos, contração muscular por períodos longos ou excesso de esforço físico.

Tanto que, muitas vezes, as tendinites e bursites são enquadradas como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Febre reumática

A febre reumática aparece como consequência a uma infecção pela bactéria estreptococo, afetando crianças a partir dos cinco anos de idade.

Após a infecção, tem início uma reação inflamatória nas articulações, que também pode atingir a pele, coração e o cérebro.

Junto à febre, costumam aparecer caroços no pescoço, dor de garganta, pus e vermelhidão na pele.

O que causa doença reumática?

Ao contrário do que muita gente pensa, a doença reumática não atinge somente idosos.

Pessoas de todas as idades, etnias e grupos sociais podem ser afetadas por esses males, que costumam ter causa multifatorial.

O que significa que têm origem em um conjunto de fatores, como informa o Ministério da Saúde:

  • Características genéticas, como a presença do fator reumatoide no organismo
  • Traumatismos, como pancadas ou quedas
  • Obesidade, que aumenta a sobrecarga nas articulações dos membros inferiores
  • Sedentarismo, que tende a agravar dores
  • Estresse
  • Ansiedade
  • Depressão
  • Alterações climáticas bruscas.

 

Quais os sintomas de doenças reumáticas?

Assim como as causas, os sintomas dependem do tipo de patologia, sua intensidade, estágio e se há fatores agravantes.

No entanto, há alguns sinais comuns a diversas doenças reumáticas, que listo abaixo.

Fique atento caso repare em sinais difusos, pouco específicos, pois eles costumam ser percebidos nas primeiras crises desses males.

Isso dá tempo para um diagnóstico precoce e melhora nas chances de tratamento, uma vez que a maioria das enfermidades é crônica, ou seja, não tem cura.

Veja agora os sintomas típicos de doenças reumáticas:

  • Dor, calor, vermelhidão e inchaço nas articulações
  • Dificuldade ou limitação a movimentos simples, como estender o braço para cima
  • Rigidez em braços e pernas, especialmente logo depois de acordar
  • Fadiga muscular
  • Formigamento nos membros superiores e/ou inferiores
  • Diminuição do tato
  • Maior sensibilidade de mãos e pés ao frio
  • Dores noturnas nas costas e articulações, capazes de fazer a pessoa despertar
  • Secura nos olhos e na boca.

 

Diagnóstico e tratamento de doenças reumáticas

O diagnóstico das enfermidades reumáticas considera o histórico do paciente, queixas, avaliação física e testes complementares.

A história familiar auxilia na detecção de fatores genéticos que predisponham o indivíduo a desenvolver essas doenças.

Combinada ao relato de sintomas típicos e ao exame físico, ela forma uma suspeita clínica que pode ser confirmada a partir da realização de alguns testes.

Esses procedimentos dependem da patologia em questão, podendo incluir:

  • Testes laboratoriais
  • Ressonância magnética para visualizar detalhes das articulações e tendões
  • Ultrassom para verificar alterações nos tecidos
  • Raio X para observar fraturas, entorses e outras lesões
  • Densitometria óssea, que é o principal teste empregado no diagnóstico da osteoporose.

Confirmada a patologia, o tratamento é prescrito de acordo com os sintomas.

De forma geral, todas as enfermidades reumáticas requerem uma combinação entre medidas integrativas e farmacológicas.

Os remédios são receitados para evitar dores, rigidez e outros desconfortos.

Ou para combater problemas autoimunes, aqueles que fazem células do sistema imunológico atacarem outras células saudáveis do organismo.

Já as medidas integrativas focam na melhora da qualidade de vida do paciente e englobam:

  • Atividade física regular
  • Mudanças na dieta
  • Reforço de nutrientes como cálcio
  • Fisioterapia
  • Controle do peso
  • Cuidados para realizar movimentos como agachar e carregar volumes
  • Terapia com psicólogo para tratar estados ansiosos, depressivos e estresse.

 

Qual médico trata de doenças reumáticas?

O especialista que estuda, diagnostica e trata as doenças reumáticas é o reumatologista.

Ao notar algum dos sintomas que descrevi acima, é importante procurar esse médico o mais breve possível.

Ele dará início à investigação sobre a história de saúde e desconfortos que possam sugerir quadros inflamatórios crônicos.

E, como adiantei nos tópicos anteriores, vai indicar a terapia mais adequada para diminuir o desconforto e retardar o progresso de doenças degenerativas.

Caso os problemas tenham sido verificados após uma queda, torção ou pancada, é recomendado buscar o suporte de um ortopedista.

Esse médico é especializado em problemas mecânicos que acometem o aparelho musculoesquelético.

Consulte online com a telemedicina

A consulta com reumatologista, ortopedista e outros especialistas pode ser feita de maneira convencional ou online.

Quando a dor é aguda e súbita ou diante de emergências, o paciente deve ir até o pronto-socorro ou passar por consulta pessoalmente.

Já os sintomas crônicos podem ser avaliados à distância, via plataforma de telemedicina.

Essa opção tem vantagens como a economia de tempo e dinheiro que seriam gastos no deslocamento, além da agilidade desde a marcação ao atendimento médico online.

Basta seguir o passo a passo para agendar sua teleconsulta no software Morsch:

  1. Acesse a página de agendamentos
  2. Selecione a especialidade Reumatologia ou outra que desejar
  3. Escolha o profissional de sua preferência e clique sobre a melhor data e hora
  4. Faça seu login. Se não tiver cadastro, clique em “Criar Conta” e informe alguns dados para se registrar
  5. Prossiga para a página de pagamento e confirme o agendamento
  6. Pronto! No dia marcado, você vai receber lembretes e um link de acesso para a sala virtual de teleconsulta. É só acessar e conversar com seu médico.

 

Conclusão

Cada tipo de doença reumática deve ser avaliada e tratada de forma individualizada.

Além de evitar complicações, esse cuidado personalizado contribui para o bem-estar do paciente.

E você pode utilizar a tecnologia como sua aliada na rotina terapêutica através da teleconsulta na plataforma Morsch.

Se gostou deste conteúdo e quer receber os próximos, assine nossa newsletter.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

COMPARTILHE