Caxumba: o que é, sintomas, diagnóstico, causas e tratamento

Por Dr. José Aldair Morsch, 23 de setembro de 2026
Caxumba

Inchaço no pescoço é o sinal mais evidente da caxumba.

Conhecida popularmente como papeira, essa infecção viral é comum durante a infância, porém, pode acometer pessoas de qualquer idade.

Apresento, ao longo do texto, um panorama completo com sintomas, causa, via de transmissão, diagnóstico e tratamento da caxumba.

Na dúvida sobre essa doença, é muito importante receber orientação médica, que pode, inclusive, ser prestada através da consulta de telemedicina.

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O que é caxumba?

Caxumba é uma doença viral infecciosa aguda que provoca parotidite ou inflamação de glândulas salivares.

O vírus pode levar a quadros inflamatórios em qualquer glândula do corpo, mas afeta com maior frequência as as parótidas, localizadas junto aos ouvidos, e, com menor frequência, as glândulas submandibulares e sublinguais, situadas sob a mandíbula e no assoalho da boca. 

Contudo, podem ocorrer complicações em casos raros, fazendo com que a infecção atinja, por exemplo, os testículos ou as meninges.

A infecção é comum, registrando cerca de 500 mil casos no mundo todos os anos, sendo a maioria deles durante o inverno e a primavera.

Regiões em que a maior parte da população não foi vacinada registram surtos de caxumba a cada 5 anos, aproximadamente.

Quais os sintomas da caxumba?

De acordo com a SBIM (Sociedade Brasileira de Imunizações), o sintoma mais característico é o inchaço nas bochechas e mandíbula, decorrente do aumento das glândulas salivares, que aparece em 65% dos quadros de caxumba.

Outras manifestações clínicas incluem:

Vale mencionar que até um terço dos quadros podem ser assintomáticos ou causar sintomas leves, parecidos com os de um resfriado.

Caxumba sinais

O sintoma mais característico é o inchaço nas bochechas e mandíbula

Como saber se estou com caxumba?

Se perceber algum sintoma ou tiver contato com uma pessoa infectada, você deve marcar uma consulta médica.

Na maioria das vezes, basta um diagnóstico clínico para confirmar a suspeita e iniciar o tratamento adequado.

Para tanto, o médico realiza o exame clínico no consultório, que começa com a anamnese médica.

Essa entrevista permite a coleta de relatos sobre a queixa de saúde atual, remédios em uso, comorbidades, alergias, esquemas vacinais completos e outros aspectos do histórico do paciente.

Isso inclui detalhes sobre o estilo de vida que impactam na saúde.

Na sequência, o profissional utiliza técnicas de inspeção, ausculta, percussão e palpação para detectar sinais de caxumba.

Se achar necessário, ele faz a solicitação de exames complementares para confirmar a hipótese diagnóstica.

O exame preferencial para confirmação é o RT-PCR em amostra bucal.

Além disso, a sorologia IgM pode auxiliar no diagnóstico. 

O exame médico também pode fornecer informações sobre anticorpos decorrentes de vacinação ou de contato anterior com o vírus.

O que causa caxumba?

Essa doença infecciosa é causada por um vírus da família Paramyxoviridae. 

Devido à preferência desse microrganismo pelas glândulas salivares, ele costuma se alojar na saliva, o que facilita sua disseminação.

Uma vez adquirido, o vírus tem período médio de incubação entre 16 e 18 dias, variando de 12 a 25 dias para a manifestação dos primeiros sinais da doença.

Entretanto, o contágio de outras pessoas pode ocorrer antes mesmo de aparecer qualquer sintoma, porque o período de transmissibilidade vai de 7 dias antes até 9 dias depois da inflamação de glândulas salivares.

Caxumba infecção

Basta um diagnóstico clínico para confirmar a suspeita e iniciar o tratamento adequado

A caxumba é contagiosa?

Sim, essa doença é extremamente contagiosa e tem alto nível de morbidade.

A forma mais comum de transmissão é o contato direto com saliva infectada pelo vírus, o que pode ocorrer por via aérea.

Um indivíduo com o vírus da caxumba expele gotículas respiratórias durante a fala, tosse ou espirro, as quais podem atingir pessoas próximas. 

Quanto mais próximo o contato e maior o tempo de exposição, maiores as chances de adquirir o vírus.

Beijar uma pessoa com o vírus ou compartilhar objetos contaminados com a secreção do nariz ou da boca são outras maneiras de contrair caxumba.

Daí a relevância de praticar a etiqueta ao tossir ou espirrar, usando a parte interna do braço para conter as gotículas expelidas, e usar máscara facial quando possível.

Não compartilhar utensílios pessoais, como protetor labial e escova de dentes é outra boa prática para prevenir o contágio não apenas pelo vírus da caxumba, como também por outros tipos de vírus.

Caxumba é grave?

A maioria dos casos não é grave, apresentando evolução benigna e resolução em até 2 semanas.

O ciclo natural da doença inclui um período de incubação de até 25 dias, seguido pela multiplicação do vírus, inflamação e danos a células.

A inflamação das glândulas salivares provoca o inchaço das bochechas e da região da mandíbula, que podem se estender por 7 a 10 dias.

Porém, casos raros podem provocar complicações que pedem internação hospitalar, por exemplo:

  • Orquite (inflamação dos testículos)
  • Ooforite (inflamação dos ovários)
  • Mastite (inflamação do tecido mamário)
  • Meningite (inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal)
  • Encefalite (inflamação do cérebro)
  • Pancreatite (inflamação do pâncreas) 
  • Perda auditiva.

Quadros severos podem, ainda, gerar sequelas como nefrite, miocardite, convulsões, infertilidade, paralisia dos nervos cranianos e hidrocefalia.

O risco de complicações e sequelas é maior entre adultos não vacinados e menor entre crianças.

Qual o tratamento para caxumba?

Não existe um tratamento específico para a caxumba.

A recomendação para a maioria dos casos é tratar os sintomas até que o vírus seja eliminado pelo sistema imunológico, o que confere imunidade vitalícia ao paciente.

Durante a fase sintomática, é indicado:

  • Repouso na cama
  • Hidratação intensa através de água, chás e sucos
  • Reforço na higiene bucal
  • Adaptações na dieta para facilitar a nutrição, evitando alimentos ácidos
  • Uso de compressas frias ou quentes para aliviar a dor e o inchaço no pescoço
  • Analgésicos e antitérmicos para aliviar a dor e a febre.

Procure observar sinais de piora ou complicações, que devem motivar uma nova consulta médica com o infectologista, especialista em doenças infecciosas.

Quadros leves a moderados também podem receber a assistência de um médico generalista, como o clínico geral (para adultos), pediatra (para crianças e adolescentes) ou geriatra (para idosos).

Embora você possa utilizar medicamentos isentos de prescrição (MIP) para combater os sintomas, tenha cuidado com os perigos da automedicação.

Afinal, essa prática tende a mascarar sintomas, podendo atrasar o diagnóstico correto e o início do tratamento.

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Perguntas frequentes sobre caxumba

Neste espaço, você acompanha respostas para outros questionamentos recorrentes sobre essa infecção viral.

Qual tipo de isolamento é recomendado para caxumba?

É recomendado o isolamento respiratório do paciente para prevenir a transmissão do vírus. Assim, ele deve ficar afastado da escola ou do trabalho por 9 dias após o início dos sintomas, se possível, em um quarto separado dos familiares. Mantenha uma janela aberta para a ventilação do ambiente.

Quanto tempo dura a caxumba?

O período sintomático dura de 7 a 10 dias, em geral, com um pico por volta do terceiro dia. Em seguida, dor, inchaço no pescoço, febre e demais sintomas são reduzidos aos poucos, até desaparecerem.

O que não pode fazer quando está com caxumba?

Não se deve fazer esforço físico, pois isso pode levar a complicações como inflamação do testículo. Vale também evitar alimentos ácidos e se isolar para não transmitir o vírus a outras pessoas.

Quem pega caxumba não pega mais?

A reinfecção é incomum, mas pode ocorrer. Geralmente, o sistema imunológico desenvolve anticorpos para o vírus da caxumba, seja pela doença ou pela vacinação. Atualmente, é possível realizar a imunização por meio da vacina tríplice viral (para sarampo, caxumba e rubéola) e quádrupla viral (para sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Conclusão

A caxumba não costuma desencadear infecções graves, mas é bom prevenir possíveis complicações mantendo a caderneta de vacinação em dia.

Há imunizantes disponíveis no SUS para crianças, adolescentes e adultos.

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Referências bibliográficas

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/caxumba

https://familia.sbim.org.br/doencas/caxumba 

https://portalcievs.saude.pe.gov.br/docs/CAXUMBA%20-%20Guia%20de%20vigil%C3%A2ncia%20em%20sa%C3%BAde%20-%20vol%201_240424.pdf

https://saude.abril.com.br/medicina/o-que-e-a-tal-da-caxumba/

https://aps-repo.bvs.br/aps/quais-os-aspectos-para-diagnostico-mais-importantes-sobre-caxumba/

https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/caxumba 

https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/10/09/caxumba-veja-sintomas-causas-e-tratamento.ghtml

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin