Crise de ausência: sintomas, tratamento e médico online

Por Dr. José Aldair Morsch, 14 de outubro de 2021
Crise de ausência

Você já presenciou uma crise de ausência? Durante esse episódio, o paciente se desliga do mundo exterior por alguns segundos.

Em seguida, ele retoma a atividade anterior, sem nem notar os momentos em que ficou “fora do ar”.

Somadas ao fato de essa condição ser mais comum em crianças, suas características dificultam a identificação pelas pessoas próximas.

Daí a necessidade de saber mais para procurar ajuda médica, recebendo o diagnóstico e o tratamento adequados.

Nas próximas linhas, trago as principais informações sobre as crises de ausência, sintomas e opções de consulta online com o neurologista.

O que é uma crise de ausência?

Crise de ausência é um episódio em que há alienação completa em relação ao ambiente exterior.

Também chamada de “desligamento”, ela faz com que o paciente fique “fora do ar”, incapaz de responder a qualquer estímulo externo.

A crise de ausência é classificada como crise não motora generalizada, pois não provoca movimentos como as crises motoras.

E tem início em ambos os hemisférios do cérebro – ao contrário de crises focais, nas quais a descarga elétrica epileptogênica (que desencadeia a convulsão) começa em uma determinada região cerebral.

Em geral, esse tipo de convulsão dura poucos segundos e tende a passar despercebida pelas pessoas ao redor.

Qual a relação entre crise de ausência e epilepsia?

Primeiro, cabe esclarecer que a epilepsia é uma doença neurológica que nem sempre tem causa conhecida.

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) a define como:

“Uma doença caracterizada pela presença de crises convulsivas não provocadas, recorrentes, com a ocorrência de no mínimo duas crises em intervalo de tempo superior a 24 horas.”

Está aí a relação entre essas duas condições: a epilepsia pode se manifestar por crises de ausência e outras crises epilépticas.

Vale lembrar que, além da crise de ausência, existem várias outras modalidades de crise epiléptica ou convulsiva, a exemplo da tônico-clônica e mioclônica.

A crise tônico-clônica é mais simples de identificar, combinando membros rígidos, movimentos descontrolados, salivação e gemidos.

Já a mioclônica provoca uma sensação de choque e movimentos não intencionais na vítima.

Tanto as crises epilépticas quanto a epilepsia têm origem em perturbações no processo de comunicação entre os neurônios.

A diferença entre elas é que, na epilepsia, as crises ocorrem mais de uma vez.

Episódios de ausência

Na crise de ausência, o cérebro para de funcionar de forma temporária e reversível

Sintomas de crise de ausência

Os sintomas típicos de uma crise de ausência são:

  • Perda da consciência
  • Pausa imediata na atividade que estiver fazendo, seja um movimento, uma conversa ou qualquer outra coisa
  • Olhar perdido ou vago
  • Olhos virados para cima
  • Ausência de resposta a estímulos
  • Repentino retorno à atividade anterior depois de segundos, sem recordações sobre a crise.

Embora o mais comum seja ficar parado durante a crise, há casos em que o paciente realiza movimentos repetitivos.

Piscar sem parar e ficar mastigando são alguns exemplos.

De qualquer forma, os demais sinais de alteração da consciência podem estar presentes.

Como diferenciar crise de ausência de distração?

A crise de ausência é mais comum entre crianças.

Essa característica faz com que ela seja, muitas vezes, confundida com distração ou desatenção, quando se tratam de condições diferentes.

A crise de ausência tem início e fim abruptos, enquanto a distração começa aos poucos e é finalizada progressivamente.

Outra diferença está no fato de ocorrer um desligamento completo durante a crise de ausência, ao passo que uma pessoa distraída responde a estímulos externos rapidamente.

Um simples barulho ou chamado pelo nome são capazes de encerrar o momento de distração.

É possível ter crise de ausência dormindo?

As crises de ausência típicas ocorrem predominantemente durante a vigília. 

Episódios semelhantes durante o sono precisam ser avaliados para identificação de outras causas. 

Isso porque a crise de ausência se enquadra no grupo de convulsões que levam à perda da consciência.

Por consequência, o paciente não se lembra de ter sofrido uma crise, mesmo quando é tônico-clônica e causa movimentos bruscos.

Notar uma crise de ausência durante o sono será ainda mais difícil, pois sua manifestação é discreta, ainda que o paciente esteja acordado.

O que causa crise de ausência?

De maneira geral, qualquer crise convulsiva resulta de uma alteração nos impulsos elétricos cerebrais.

Como eles são responsáveis pela comunicação dos neurônios (células do cérebro), essas descargas elétricas anormais prejudicam os comandos emitidos pelo cérebro.

E, por consequência, interferem no funcionamento de diferentes partes do corpo por alguns instantes.

Falando especificamente sobre a crise de ausência, ela gera uma espécie de transe temporário, interrompendo o pensamento e a atividade realizada pelo indivíduo.

Nem sempre existe uma causa conhecida para essa crise, porém, sabe-se que ela surge a partir de um problema que afeta o sistema nervoso central. 

As crises de ausência típicas estão geralmente associadas a epilepsias generalizadas de base genética. 

Outras condições neurológicas podem produzir episódios semelhantes, mas exigem classificação diagnóstica específica.

Tratamentos para crise de ausência

Ao observar sintomas de crises de ausência, procure auxílio médico para confirmar ou afastar essa suspeita.

O diagnóstico é feito com base na entrevista com o paciente ou responsável (anamnese), combinada a um eletroencefalograma (EEG).

Esse exame registra a atividade elétrica cerebral, evidenciando anormalidades que possam estar por trás da convulsão.

Uma vez confirmada a crise convulsiva, o especialista indica o melhor tratamento, de acordo com fatores como a idade e a gravidade dos episódios.

Uma das terapias mais comuns é feita com base em antiepilépticos – medicamentos capazes de prevenir as descargas elétricas alteradas e, como resultado, de acabar com as crises.

Outras vezes, as crises podem sumir sem qualquer tratamento.

Crise de ausência tem cura?

Depende do caso.

As crises de ausência infantis costumam começar em idade escolar. 

A necessidade de tratamento deve ser definida pelo neurologista conforme a frequência das crises, a síndrome diagnosticada e o impacto sobre a criança. 

No entanto, há casos em que a quantidade de crises aumenta quando a pessoa cresce.

Ou evolui para formas mais graves de crise convulsiva, incluindo movimentos involuntários e quedas.

Crise de ausência infantil

Meninos e meninas em idade escolar podem enfrentar a crise de ausência infantil.

Muitas crianças apresentam remissão das crises, mas o quadro exige acompanhamento devido aos possíveis impactos escolares e à possibilidade de persistência ou de ocorrência de outros tipos de crise. 

O diagnóstico também ajuda a diferenciar a crise convulsiva de desatenção ou desinteresse por parte da criança.

Afinal, um dos sinais que acendem a luz de alerta para os pais é a queda no rendimento escolar e na participação em sala de aula.

Crises de epilepsia

As consultas com neurologista online podem ser agendadas pela plataforma digital: é rápido e fácil

O que fazer durante uma crise de ausência?

Uma crise de ausência costuma durar até 15 segundos, portanto, não se desespere.

Mantenha a calma e não tente interromper o episódio à força. 

Em vez disso, coloque a vítima sentada ou apoiada de maneira confortável e afaste objetos perigosos que possam machucá-la, como facas, estiletes e máquinas industriais.

Assim, dá para preservar a integridade dela, mesmo que realize movimentos repetitivos e automáticos durante a crise.

Tenha em mente que ela voltará à consciência em breve, sem recordar do que aconteceu nos últimos segundos.

Então, procure esclarecer dúvidas e acolher a pessoa afetada.

Se ela permanecer confusa ou apresentar outros sintomas neurológicos, como fraqueza, dificuldade para falar ou alteração prolongada da consciência, leve-a a um pronto atendimento para que passe por avaliação médica.

Qual médico atende crise de ausência?

O médico capacitado para diagnosticar e tratar a crise de ausência é o neurologista.

Ou o neuropediatra, especialista no acompanhamento de doenças do sistema nervoso durante a infância.

Consulta online com neurologista

Episódios convulsivos como as crises de ausência têm impacto negativo na rotina do paciente, exigindo uma avaliação médica.

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Perguntas frequentes sobre crise de ausência

Acompanhe respostas breves para dúvidas comuns entre pacientes e cuidadores abaixo:

Quanto tempo demora uma crise de ausência?

Crises de ausência típicas duram segundos, frequentemente menos de 10 segundos e, em geral, menos de 30 segundos.

Como fica uma criança com crise de ausência?

A criança costuma ficar com o olhar perdido ou vago e interromper o que estiver fazendo de repente. Em alguns casos, os olhos viram para cima ou ocorrem movimentos automáticos e repetitivos, como mastigar sem alimentos ou piscar sem parar.

Qual é o remédio para crise de ausência?

Lamotrigina, etossuximida e valproato são exemplos de medicamentos anticonvulsivantes que podem ser receitados para prevenir crises de ausência e tratar a epilepsia. No entanto, nem sempre existe a necessidade de um tratamento medicamentoso, que deve ser feito apenas sob prescrição médica. Fuja da automedicação, que pode piorar o quadro de saúde e mascarar sintomas importantes.

O que pode ser confundido com crise de ausência?

Distração e falta de atenção são frequentemente confundidas com crises de ausência. A resposta a estímulos pode ajudar na diferenciação, mas o diagnóstico deve ser confirmado por avaliação médica e eletroencefalograma. 

Conclusão

Identificar uma crise de ausência é importante para buscar o suporte de um neurologista rapidamente.

Neste texto, comentei os sintomas dessa condição, que pode ser passageira ou se repetir por anos.

De qualquer forma, o paciente pode ter mais qualidade de vida quando recebe tratamento.

E a plataforma de teleconsulta Morsch está pronta para ajudar você nessa rotina de cuidados.

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Referências bibliográficas

https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/doencas/epilepsia/

https://crmsc.org.br/noticias/79-epilepsia-infantil-crises-de-ausencia-o-que-sao-e-como-identifica-las/

https://aps-repo.bvs.br/aps/o-que-e-uma-crise-epileptica-o-que-fazer-na-presenca-de-um-individuo-que-apresenta-uma-crise-epileptica/

https://portal.cfm.org.br/artigos/epilepsia-tem-cura 

https://abneuro.org.br/2022/05/05/crises-de-ausencia-tratamentos/

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin