Sarampo: conheça os sintomas, tratamentos e formas de prevenção

Por Dr. José Aldair Morsch, 3 de agosto de 2021
Conheça os principais sintomas, tratamento e prevenção do sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa grave, altamente contagiosa e que pode levar à morte caso não seja tratada da maneira correta.

Embora já tenha sido eliminada de nosso país recentemente, hoje, representa mais uma ameaça à saúde pública.

É por isso que a prevenção é sempre a melhor decisão, aderindo a campanhas de vacinação.

Para esclarecer o assunto, elaborei este artigo com as características, diagnóstico, tratamento e medidas de prevenção da doença. 

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O que é sarampo?

Sarampo é uma doença viral com alto potencial contagioso, que tem evolução extremamente rápida e é capaz de causar complicações graves.

A dificuldade no controle de surtos decorre da facilidade de transmissão, que ocorre por contato direto ou por tosse, espirros e até mesmo por gotículas eliminadas pela respiração. 

A doença afeta principalmente as crianças nos primeiros anos de vida, sendo que as complicações são mais comuns nos menores de 5 anos, mas também podem ocorrer em maiores de 20 anos. 

Os agravamentos variam de acordo com a fase da vida em que se encontra o paciente. Nos adultos, o mais comum é a pneumonia.

Já nas crianças, os riscos são ainda mais preocupantes. 

De acordo com dados divulgados no portal da Secretaria da Saúde do Paraná, de 1 a 3 crianças a cada 1.000 podem morrer por conta da patologia.

A causa mais comum das fatalidades é a pneumonia, que acomete 1 a cada 20 crianças. 

Há também a encefalite aguda, que atinge 1 a cada 1.000 indivíduos e é fatal para 10% deles. 

Outro risco para os menores está nas infecções do ouvido, que ocorrem em cerca de 1 a 10 crianças e podem gerar perdas auditivas permanentes. 

No caso das gestantes, é importante vacinar-se contra o vírus do sarampo antes da gravidez, já que o imunizante é contraindicado durante a gestação. 

Caso isso não seja feito, uma possível ocorrência da doença pode gerar parto prematuro. 

Histórico do sarampo no Brasil

No ano de 2016, a Organização Pan-Americana de Saúde concedeu ao Brasil o certificado de erradicação da patologia

Isso se deu graças ao alcance da taxa de vacinação recomendada pela OMS, que é de mais de 95% da população.

Contudo, o crescente compartilhamento de notícias falsas e o movimento de negação das vacinas fez o país perder esse importante marco

Nesse cenário, a primeira reincidência ocorreu em 2018 nos estados de Roraima e Amazonas. 

O problema evoluiu e, em 2020, o sistema de saúde brasileiro também teve que lidar com um novo surto de sarampo

Somente em 2020, foram 8.419 casos confirmados em 21 estados, sendo o epicentro no Pará, que apresentou o índice de apenas 27,7% da sua meta de vacinação cumprida, resultando em 5 óbitos no estado. 

Principais sintomas do sarampo

O paciente deve ficar extremamente alerta e buscar tratamento, principalmente se a febre persistir

Quais são as causas do sarampo?

O nome científico do agente causador da doença é Measles morbillivirus, que é popularmente chamado de vírus do sarampo. 

O contágio ocorre pelas vias aéreas, durante a respiração, fala, ao espirrar ou ao tossir. 

Estima-se que uma pessoa infectada com sarampo gere transmissão para cerca de 90% dos indivíduos não imunizados ao seu redor.

O período de contágio ocorre de 4 dias antes a 4 dias depois do aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo. 

Inclusive, as manchas de sarampo representam o sintoma clássico da patologia, mas outros sinais devem ser observados. Conheça-os a seguir. 

Quais os sintomas do sarampo?

O sarampo tem sintomas inicialmente iguais a outras doenças virais, tais como:

  • Febre
  • Tosse
  • Corrimento e entupimento nasal
  • Irritação nos olhos 
  • Mal-estar generalizado
  • Dor de cabeça
  • Cansaço excessivo 
  • Dores pelo corpo.

A evolução da doença é veloz. 

Após 3 a 5 dias do aparecimento dos primeiros sintomas, o paciente passa a observar manchas avermelhadas atrás das orelhas e no rosto, que logo se espalham para todo o corpo. 

Quando as manchas aparecem, o paciente deve ficar extremamente alerta e buscar tratamento, principalmente se a febre persistir.

Qual o ciclo de evolução do sarampo?

É possível classificar as fases da evolução da doença desta forma:

  • Incubação: é a etapa assintomática do sarampo, que pode durar entre 7 e 18 dias
  • Pródromo: caracterizado pelos primeiros sintomas da doença, incluindo febre, tosse com catarro, feridas na boca, etc.
  • Exantema: cerca de 2 a 4 dias depois dos sintomas iniciais, surgem lesões avermelhadas em áreas como rosto e cabeça, que vão se espalhando por outras partes do corpo e permanecem por até 6 dias. Nessa fase, também há piora dos sintomas iniciais, com mal-estar intenso e prostração
  • Recuperação: a etapa final é marcada pela chamada descamação furfurácea, uma descamação fina da pele, e pelo escurecimento das lesões.

A seguir, falo sobre o diagnóstico do sarampo.

Como é feito o diagnóstico de sarampo?

Todas as pessoas com sarampo devem buscar por uma consulta médica assim que ocorrer a observação de sintomas.

Crianças, jovens adultos e pacientes imunodeprimidos são aqueles com maiores riscos de complicações, e devem ter atenção redobrada.

Durante o atendimento, o médico primeiro irá avaliar o histórico do paciente e seu relato sobre os sintomas.

Então, ele realiza o exame físico, que determina uma ou mais hipóteses diagnósticas.

Como o sarampo tem sintomas parecidos com os da catapora, rubéola e roséola, o especialista deve confirmar o diagnóstico com alguns exames específicos.

Os exames incluem sorologia (IgM) e RT-PCR em amostras respiratórias. Amostras de urina também podem ser coletadas.

O paciente com suspeita da doença deve se manter isolado, utilizando máscara e tomando cuidados para evitar a transmissão do vírus na sua região.

Além disso, cabe ao médico comunicar o caso às autoridades sanitárias para que mantenham-se alertas em relação a um possível surto.

Essa comunicação é chamada de notificação compulsória e inclui todas as suspeitas, independentemente de sua confirmação.

Como o sarampo é transmitido?

O sarampo tem transmissão de pessoa para pessoa, que ocorre normalmente pela respiração, tosse, fala e espirros.

Soma-se a isso o fato de que as gotículas com partículas virais podem permanecer por um período relativamente longo nos ambientes.

O contágio também ocorre dentro de locais fechados por secreções respiratórias e aerossóis. 

Lembrando que a transmissão ocorre desde alguns dias antes do exantema (aparecimento de manchas vermelhas) até cerca de 4 dias após seu início.

Quanto tempo dura o sarampo?

O período sintomático da doença tem duração média de 10 a 15 dias.

Contudo, a fase de incubação, que é anterior à manifestação de sintomas, pode se estender por até 18 dias. 

Sarampo tem tratamento? 

O sarampo possui tratamento voltado ao alívio dos sintomas e prevenção de complicações. 

Não há intervenção específica para a cura da patologia, pois é o próprio sistema imunológico que combate o vírus causador.

Apesar de não existirem medicamentos próprios para a doença, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o uso da vitamina A

Ela minimiza os efeitos e chances de mortalidade do sarampo, quando consumida imediatamente após o diagnóstico. 

É direito do paciente que o médico determine os melhores meios de aliviar os sintomas do sarampo, minimizando agravamentos mais severos e até fatais.

Antitérmicos e analgésicos são os medicamentos mais indicados aos pacientes infectados.

Além de intervenções específicas para evitar complicações como a pneumonia, sendo fundamental o repouso, a hidratação e uma dieta especial. 

Toda intervenção deve ser orientada por um médico, e a automedicação jamais deve ser considerada, uma vez que gera tratamentos ineficientes ou problemas ainda piores de saúde.

Como prevenir o sarampo?

A vacina do sarampo e a eliminação do contato com pacientes infectados são as únicas formas de prevenir a doença. 

O Ministério da Saúde define e revisa constantemente os critérios de imunização, variando de acordo com as características de cada pessoa.

O direcionamento das vacinas ocorre da seguinte forma:

  • Primeira dose: crianças com 12 meses completos
  • Segunda dose: crianças com 15 meses completos.

Nos estados que recentemente sofreram com aumento nos índices de sarampo, as autoridades podem recomendar uma dose extra entre 6 meses e 1 ano de idade. 

Já no caso dos adultos de até 29 anos que tomaram apenas uma dose da vacina, é fundamental tomar a segunda.

Com as duas doses comprovadas, não é necessário vacinar-se novamente. 

Entretanto, quem não tem certeza da sua imunização também deve se vacinar.

Nessas situações, adultos de 30 a 59 anos devem tomar apenas uma dose. Até os 29 anos de idade, duas doses são necessárias. 

Vale ressaltar que nunca se deve aplicar o imunizante em gestantes. 

Como ele é produzido com o vírus do sarampo atenuado, a baixa imunidade gerada pela gravidez pode causar complicações ou mesmo o desenvolvimento da doença.

Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que as mulheres com planos de engravidar chequem suas doses e, se necessário, tomem a vacina antes da gestação, observando o Calendário Nacional de Vacinação

Sobre a campanha de vacinação contra sarampo

A campanha de vacinação contra o sarampo desenvolvida no Brasil é diretamente responsável pelo aumento na expectativa de vida dos brasileiros.

Como citei antes, de acordo com a OMS, o ideal é que 95% de toda a população seja vacinada. 

Para quem quiser se vacinar, basta procurar a unidade de saúde mais próxima da sua residência. 

Além disso, instituições privadas também oferecem o imunizante. 

Como ocorre a transmissão do sarampo?

A fase de maior transmissão ocorre quatro dias após o surgimento das manchas vermelhas

Quais as vacinas contra o sarampo?

A aplicação de cada uma depende das diretrizes do Plano Nacional de Imunizações e da situação epidemiológica.

Na rotina dos serviços públicos, há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: a Tríplice Viral e a Tetraviral. 

  • A Tríplice Viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola
  • A Tetraviral protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela. 

Já a Dupla Viral, que protege contra sarampo e rubéola, pode ser utilizada em situações específicas, conforme orientação técnica das autoridades de saúde. 

Todas são vacinas de vírus atenuados. 

Isso significa que contêm vírus vivos enfraquecidos, incapazes de causar a doença em pessoas imunocompetentes, mas capazes de estimular o sistema imunológico e induzir a produção de anticorpos

Quando o sarampo é grave?

Crianças pequenas, gestantes, pacientes imunossuprimidos ou desnutridos integram o grupo de risco para o desenvolvimento de complicações do sarampo.

As formas mais graves são aquelas que desencadeiam morte, pneumonia (infecção no pulmão), encefalite aguda (inflamação no cérebro) e otite média aguda (infecção no ouvido).

Para identificar esses quadros, é importante ficar atento aos sinais de alerta abaixo:

Diante desses sintomas, procure ajuda médica o mais brevemente possível.

Qual médico trata o sarampo?

Geralmente, o diagnóstico e tratamento são feitos por médicos generalistas, como o clínico geral (para adultos) e o pediatra (para crianças).

O médico da família e outros especialistas também podem conduzir o tratamento.

Na dúvida, dá para obter orientação médica online a partir de qualquer dispositivo com internet, através da consulta de telemedicina.

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Perguntas frequentes sobre sarampo

Veja, agora, respostas breves para questionamentos recorrentes sobre essa doença.

Como são as manchas de sarampo?

As lesões características são manchas vermelhas pequenas, planas ou com uma elevação leve. Elas surgem primeiramente no rosto e na cabeça, espalhando-se para outras áreas conforme a doença avança. Também podem aparecer bolinhas brancas (sinal de Koplik) na parte interna da bochecha.

Como saber se é sarampo ou alergia?

Alergias costumam ter sintomas como coceira e ardência, comumente leves e que melhoram em poucos dias. Já o sarampo provoca febre, tosse, cansaço, dor de cabeça e pelo corpo, além de mal-estar intenso, e pode levar duas semanas para se resolver.

Qual a diferença entre catapora e sarampo?

Desencadeada pelo Herpesvirus varicellae, a varicela ou catapora provoca bolhas com líquido amarelado, que formam crostas e coçam durante o processo de cicatrização. Por sua vez, o sarampo causa lesões vermelhas e planas, que não costumam coçar.

Qual a diferença entre sarampo e rubéola?

A rubéola, causada pelo Rubella virus, costuma ser mais leve que o sarampo. Embora também se manifeste com manchas vermelhas pelo corpo, ela desencadeia febre baixa, ínguas (gânglios inchados) atrás da orelha, da cabeça e no pescoço e se resolve rápido, em cerca de 5 dias. Já o sarampo provoca sintomas mais graves, como febre alta, fadiga e dores intensas.

Conclusão

Ao longo deste artigo, esclareci em detalhes o que é sarampo, porque ele é perigoso, como identificar e tratar essa doença.

Nesse cenário, é imprescindível para toda a população aderir ao Plano Nacional de Vacinação e prezar pelas doses corretas da vacina.

Somente assim podemos manter a eliminação da transmissão endêmica do sarampo no país e minimizar riscos entre os grupos com maiores chances de agravamentos.

Se você gostou de saber mais sobre o sarampo e quer manter-se informado, não deixe de acompanhar os próximos artigos de saúde e bem-estar aqui no blog.

 

Referências bibliográficas

https://m.biologianet.com/doencas/entenda-o-surto-de-sarampo-no-brasil.htm

https://leia.vercel.app/?s=https%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Fepoca%2Fbrasil%2Fno-ano-da-pandemia-de-covid-19-brasil-enfrentou-surto-de-sarampo-em-21-estados-24840899

https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Sarampo

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sarampo

https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario

https://super.abril.com.br/saude/qual-a-diferenca-entre-sarampo-e-catapora/

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/rubeola

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin