Micose de pele: principais causas, sintomas e tratamentos

Por Dr. José Aldair Morsch, 26 de novembro de 2021
Micose de pele

Você já teve micose de pele

Sabe o que causa a infecção e quais são as melhores opções de tratamento?

Praticamente todo mundo sabe o que é essa doença e como seus sintomas podem ser incômodos.

Apesar de ser uma condição comum, é indispensável saber como reconhecê-la e garantir um tratamento adequado.

Afinal, muito além da coceira intensa, a micose de pele também pode gerar algumas complicações se não for combatida corretamente.

Nessas situações, pode ocorrer a disseminação dos fungos e até mesmo infecções bacterianas, que são favorecidas pelas feridas na pele geradas quando o paciente se coça sem parar.

Para você ter ideia da importância do tema, dados divulgados pela Fiocruz indicam que quase um bilhão de pessoas têm micoses superficiais (como as de pele) em todo o mundo.

Se você quer saber o que fazer quando a micose de pele surgir, continue acompanhando este artigo.

Ao longo dele, explico melhor como a doença se caracteriza, quais seus principais tipos, possíveis causas, sintomas, alternativas de tratamento e métodos de prevenção. 

Você ainda vai saber mais sobre a teledermatologia, que viabiliza cuidados prestados pelo dermatologista a distância para agilizar o atendimento.

O que é micose de pele? 

Micose de pele é um tipo de infecção ocasionada pela presença de fungos

Trata-se de uma doença transmissível, ou seja, que pode ser passada de uma pessoa para outra.

O mais comum é que os microrganismos sejam transmitidos por objetos compartilhados ou em ambientes coletivos.

Além disso, os fungos encontram em locais quentes e úmidos as condições ideais para a sua proliferação.

É por isso que a incidência é maior em áreas geográficas que têm essas características de clima. 

Vale citar que, além da micose de pele, também é recorrente que as unhas e o couro cabeludo sejam afetados. 

A identificação do problema tende a ser bastante simples, pois os sintomas mais característicos são as manchas e a coceira incômoda.

Principais tipos de micose de pele

Os principais tipos de micose na pele são divididos de acordo com o fungo que os provoca.

Os mais comuns são:

Pitiríase versicolor

Trata-se do popular “pano branco”, causado pelos fungos do gênero Malassezia

É mais recorrente em pessoas de pele oleosa ou durante a puberdade, que é uma fase em que os hormônios produzem mais sebo na derme. 

Tíneas

Esse tipo é mais conhecido pela espessura das manchas de micose na pele. 

O nome se refere igualmente a um grupo de fungos que se alimenta de queratina e que pode ser encontrado no solo, em animais ou transmitido entre as pessoas. 

O mais comum é a onicomicose (micose nas unhas).

Candidíase

Provocado pelo fungo Candida, esse é um dos tipos de micose na pele oportunistas. 

Ou seja, seu aparecimento é favorecido por situações de baixa imunidade, doenças específicas, uso prolongado de medicamentos e pelo próprio excesso de calor e umidade. 

Micose na pele

O mais comum é que os microrganismos sejam transmitidos por objetos compartilhados

Possíveis causas da micose de pele

A micose de pele é provocada pela infecção por algum tipo de fungo

O mesmo raciocínio vale para as micoses que afetam as mucosas, as unhas e o cabelo.

Ao contrário de outros problemas conhecidos da derme (como a psoríase), essa doença não pode surgir por vírus, processos do próprio organismo, traumatismos, etc.

Como mencionei anteriormente, as causas mais comuns incluem as transmissões diretas entre indivíduos e o uso compartilhado de objetos. 

Entretanto, também é possível adquirir micose de pele a partir de animais e até mesmo no contato com o solo contaminado. 

Em todas as situações, o sistema imunológico está diretamente relacionado à manifestação fúngica.

Ou seja, é muito mais fácil ter manchas de micose na pele quando estamos com as defesas do organismo fracas. 

Junto à questão imunológica, estão os fatores de risco ligados ao ambiente e às chances de transmissão.

São eles:

  • Suor excessivo
  • Viver ou trabalhar em locais excessivamente quentes
  • Permanecer muito tempo ou andar descalço em locais úmidos
  • Ter problemas de circulação
  • Presença de infecções e lesões de pele não tratadas adequadamente.

Continue lendo para entender onde a micose de pele é mais comum.

Áreas mais afetadas pela micose de pele

Embora a micose de pele possa aparecer em diversas partes do maior tecido do corpo, áreas úmidas estão mais suscetíveis ao acúmulo de fungos que causam essa doença.

A candidíase, por exemplo, costuma afetar mucosas como a boca, vagina, pênis e ânus.

Já a tínea acomete os trechos entre os dedos dos pés (condição popularmente chamada de “frieira” ou “pé-de-atleta”) e o couro cabeludo com maior frequência.

Outros locais comuns são as unhas, onde pode aparecer a onicomicose; ou braços, tronco, rosto e pescoço, nas pessoas que apresentam pitiríase versicolor.

Por que a micose de pele é mais comum no verão?

O verão é marcado por calor e umidade.

Essas são as condições ideais para a proliferação e disseminação de fungos que provocam micose.

Além disso, as pessoas usam menos roupas e andam descalças, deixando a pele mais exposta.

Também costumam frequentar locais que facilitam a contaminação, como praias, piscinas e saunas.

Outro hábito relacionado aos meses mais quentes do ano é permanecer com roupas de banho úmidas por horas, o que favorece a multiplicação dos fungos.

Quais são os sintomas da micose de pele? 

As características dos sintomas também podem variar de acordo com os tipos de micose na pele.

Confira os sinais próprios de cada modalidade a seguir:

Sintomas da pitiríase versicolor

A manifestação clássica é a presença de manchas brancas

Contudo, também há o surgimento de pontos avermelhados ou escuros. 

As manchas costumam ser descamativas e podem surgir isoladas ou agrupadas. 

Normalmente, atingem o rosto, tronco, pescoço e parte de cima dos braços.

Sintomas da tíneas 

Nesses casos, a micose na pele se apresenta através de manchas vermelhas e de superfície escamosa

Costumam ter crostas, bolhas pequenas e bordas bem delimitadas. 

Como resultado, a coceira tende a ser intensa e a afetar bastante o bem-estar do paciente. 

Sintomas da candidíase

Por sua vez, a candidíase tem uma manifestação que varia de acordo com a área afetada. 

Nas dobras do corpo, ela costuma gerar fissuras localizadas e placas vermelhas

Na boca, causa lesões com fissuras bem nos cantos. 

Na região genital, gera coceira e secreção esbranquiçada. 

Micose de pele coça?

O sintoma clássico e característico da micose de pele é a coceira, causada justamente pela presença do fungo no local acometido. 

Como a manifestação costuma ser intensa, essa é a consequência mais incômoda da doença.

Inclusive, isso reforça como é importante prezar pelo tratamento. 

A coceira pode surgir em qualquer ponto da derme, sendo localizada ou afetando múltiplas regiões.

Ela ocorre nas manchas, que variam conforme os tipos de micose na pele.

Em algumas situações, suas marcas podem ser mais profundas. 

Elas estão relacionadas à resposta inflamatória gerada pelo organismo.

Vale ressaltar que, sem tratamento, o ato contínuo de coçar gera lesões grandes na pele. 

Com o tempo, também favorece a entrada de outros microrganismos que causam complicações.

Em outras palavras, para não correr riscos, é direito do paciente receber o tratamento adequado o quanto antes.

Micose de pele tem cura? 

Sim. Para isso, é fundamental saber como identificar a micose de pele e como tratá-la, seguindo todas as recomendações médicas

No momento em que os sintomas forem reconhecidos, é fundamental buscar por uma consulta médica para obter o diagnóstico o quanto antes. 

O procedimento de rotina para confirmar o tipo de micose na pele costuma ser o exame clínico. Contudo, também há a possibilidade da solicitação de análises laboratoriais.

Nesses casos, há o exame direto e a cultura do fungo. 

No procedimento micológico direto, é feita uma análise microscópica

Em contrapartida, na cultura, há o incentivo de que haja o crescimento do microrganismo em ambiente controlado para identificar o seu tipo.

Logo depois da confirmação diagnóstica, inicia-se o tratamento. 

Quando ele é eficiente, os sinais de melhora incluem o desaparecimento das lesões e da coceira. 

Já quando há intervenções inadequadas ou inexistentes, as lesões podem aumentar, assim como a vermelhidão, a intensidade da coceira e as chances de complicações. 

Dessa forma, vale ressaltar a importância da disciplina e continuidade do tratamento do paciente ao receber as recomendações médicas.

Isso porque é normal que as pessoas interrompam o uso dos medicamentos quando a coceira e as manchas desaparecem. 

Contudo, ainda há risco de reincidência

Só o médico pode definir a periodicidade correta e qual o remédio para micose de pele mais adequado para cada caso, ou seja, a automedicação é contraindicada.

Além de não funcionar, ela pode gerar complicações de saúde.

Como tratar micose de pele?

A micose de pele tem tratamento baseado no uso de pomadas, cremes ou medicamentos administrados por via oral.

A orientação médica varia conforme cada tipo da doença, incluindo intervenções como:

  • Pitiríase Versicolor: o tratamento comumente usa antifúngicos orais e tópicos simultaneamente
  • Tíneas: a utilização dos antifúngicos pode variar entre a utilização local e oral ou também ser feita de forma simultânea
  • Candidíase: além dos antifúngicos tópicos nas manchas, há também a utilização de remédios com efeito sistêmico.

Reitero a importância de manter o tratamento durante todo o período indicado pelo médico, evitando que os sintomas de micose retornem. 

Segundo informações do Ministério da Saúde, a intervenção costuma durar uma média de 30 a 60 dias

Ainda de acordo com a instituição, os fungos presentes em camadas mais profundas podem resistir. 

Por isso, a interrupção dos sintomas não é indicativo para parar com os medicamentos.

Medicamentos orais

Como a micose de pele é uma infecção, os comprimidos de via oral são importantes para eliminar os agentes causadores do organismo. 

Entre os mais utilizados, estão izonax, cetoconazol e cetomicoss.

Lembrando que qualquer remédio só deve ser utilizado a partir da prescrição médica.

Cremes e pomadas

Para ajudar a combater os fungos e garantir um alívio mais rápido dos sintomas, também há aplicação direta de pomadas e cremes nas manchas de micose na pele. 

As opções incluem cetoconazol creme, canesten, fungisten e clotrimazol.

Consulte com dermatologista para saber qual produto usar.

Alternativas caseiras

Assim como a automedicação, os tratamentos caseiros jamais devem ser feitos sem orientação médica.

Eles nunca devem substituir as intervenções convencionais. 

Contudo, caso o médico autorize, é possível somá-los ao tratamento da micose de pele.

Sobretudo para complementar os cuidados prescritos, você pode utilizar soluções como:

  • Uso de óleo de melaleuca com propriedades antifúngicas, diluído em água. A aplicação é feita com um algodão na área com manchas
  • Elaboração de um spray antifúngico natural, com óleo de alfazema e vinagre de sidra
  • Aplicação de chá de folha de mandioca, também com um algodão, na região afetada pela micose de pele
  • Chá de camomila, aplicado com um algodão. Ele tem efeito calmante que funciona como alívio para coceira.

Não se esqueça de informar ao seu médico essas alternativas e apenas usá-las mediante suas recomendações. 

Prevenindo a volta da micose de pele

Se o tratamento da micose de pele for feito corretamente, a doença é curada. 

Todavia, o paciente deve adotar algumas medidas preventivas para que novas infecções não ocorram.

Isso inclui principalmente cuidados de higiene, que servem para evitar manifestações futuras de fungos. 

Os mais recomendados são:

  • Não compartilhar toalhas, roupas e lençóis com outras pessoas (principalmente com aquelas que têm micose)
  • Priorizar as roupas de algodão e evitar vestimentas muito apertadas
  • Caso você tome banho em locais públicos ou frequente piscinas de uso coletivo, use sempre chinelos
  • Não deixe de trocar roupas íntimas e meias todos os dias
  • Mantenha a pele sempre seca e limpa.

Essas medidas evitam o desenvolvimento de fungos na derme, sendo úteis para prevenir a micose de pele.

Prevenindo a volta da micose de pele

Os principais tipos de micose na pele são divididos de acordo com o fungo que os provoca

Como diferenciar micose de pele de outras doenças dermatológicas?

As principais diferenças estão na aparência das lesões na pele.

A micose costuma gerar manchas arredondadas, com bordas bem delineadas.

Já outra doença dermatológica comum, a dermatite atópica ou eczema, se manifesta através de manchas vermelhas difusas, ou seja, que não são bem delimitadas, podendo causar espessamento da pele ou bolhas.

Por sua vez, a psoríase, doença autoimune crônica, costuma gerar placas avermelhadas cobertas por escamas esbranquiçadas.

Vale dizer que, enquanto a micose e a dermatite têm cura, a psoríase pode somente ter as crises evitadas ou controladas por meio de fármacos e mudanças no estilo de vida.

Importante ressaltar, aqui, que apenas um médico pode diagnosticar cada um desses problemas de saúde, especialmente porque eles podem acometer as mesmas partes do corpo, como o couro cabeludo.

Qual médico trata micose de pele?

Cabe ao dermatologista, que é especialista na saúde da pele, diagnosticar e tratar os casos de micose.

Mas quadros leves podem ser identificados e manejados pelo clínico geral (médico generalista) ou pediatra (para crianças e adolescentes).

Ou mesmo por outros especialistas, como o ginecologista e o urologista, que podem detectar candidíase na região genital, por exemplo, durante uma consulta.

Caso achem necessário, esses médicos podem encaminhar o paciente ao dermatologista para que receba os cuidados adequados diante de quadros intensos ou graves.

Como funciona a teleconsulta com dermatologista?

A consulta de telemedicina com o dermatologista online funciona dentro de uma sala virtual exclusiva.

Esse ambiente é acessado através de um link, após o login na plataforma de telemedicina.

Em seguida, médico e paciente se comunicam, usando recursos de áudio e vídeo modernos para a consulta por videoconferência.

O teleatendimento se parece com a consulta presencial, permitindo relatos sobre sintomas, estilo de vida, alergias, comorbidades, remédios de uso contínuo, cirurgias prévias, etc.

Cada informação a respeito do histórico do paciente ajuda a construir o diagnóstico clínico, que é complementado por dados sobre as lesões.

Elas podem ser observadas através da câmera ou de fotos compartilhadas pelo paciente.

Se for preciso, o especialista solicita mais exames para confirmar a hipótese diagnóstica, e avança para a prescrição médica.

Dentro do sistema, ele emite a receita digital, encaminhamento, atestado online e outros documentos, enviados ao paciente assim que a teleconsulta termina.

Basta ter um dispositivo conectado à internet para marcar e participar do atendimento médico online de forma rápida e simples.

Comece acessando a página de agendamentos aqui e use o campo de busca avançada para localizar o médico de sua preferência.

Prossiga para a escolha da data e hora e faça seu cadastro para marcar uma teleconsulta na plataforma Morsch!

Conclusão

Ao longo deste artigo, esclareci o que é micose de pele, quais os seus principais tipos, como identificar seus sintomas, evitar e garantir o tratamento mais adequado e seguro.

Sabendo dessas informações, não se esqueça de procurar um médico ao menor sinal da doença. 

Afinal, a evolução das coceiras pode prejudicar sua qualidade de vida, gerar feridas maiores na derme e até favorecer o aparecimento de complicações.

Se você gostou de conhecer os detalhes sobre micose de pele, não deixe de compartilhar o texto!

Explore também nosso blog para ficar por dentro das novidades em saúde e bem-estar.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin