Dor nos seios é normal? Saiba o que pode ser a causa

Por Dr. José Aldair Morsch, 5 de abril de 2022
Dor nos seios

Existem vários tipos de dor nos seios.

Ela pode vir em forma de pontadas, desconforto ou sensibilidade e muitas vezes está relacionada às alterações hormonais que a mulher vivencia a cada mês.

Assim, algumas pacientes se acostumam com os incômodos em períodos específicos do ciclo menstrual ou na pré-menopausa.

Porém, existem casos em que a dor nas mamas pode indicar doenças de maior ou menor gravidade, incluindo o câncer de mama.

Daí a necessidade de consultar um médico caso esse desconforto permaneça por vários dias.

Neste artigo, vou tirar as dúvidas sobre a dor nos seios e mostrar quando buscar ajuda médica.

Além disso, vou apresentar formas de receber assistência médica com comodidade, como a teleconsulta.

É normal sentir dor nos seios?

Não posso afirmar que a dor é normal, no entanto, esse é um sintoma comum entre as mulheres em todo o mundo.

Estudos da Febrasgo revelam que a mastalgia ou dor nas mamas será percebida por 65% a 70% das mulheres em alguma fase da vida.

Isso faz do desconforto um relato corriqueiro, que preocupa e leva muitas pacientes ao consultório médico.

O que faz sentido, pois a tendência é pensar logo em doenças graves como o câncer de mama, que é o mais incidente entre as mulheres.

Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde estima que tenham surgido 2,3 milhões de casos novos da patologia apenas em 2020.

Contudo, a mastalgia raramente está relacionada ao câncer de mama, marcando presença apenas em 0,8 a 2% dos casos.

De qualquer forma, é importante investigar esse sintoma para afastar a suspeita de problemas de saúde como infecções e nódulos na mama.

O que pode ser a dor nos seios

Conheça agora as principais causas para o desconforto nas mamas.

Observe que as mudanças hormonais marcam presença em diversos tópicos, gerando uma dor de menor intensidade e que desaparece espontaneamente.

1. Oscilações do ciclo menstrual

Variações nos níveis de progesterona e estrogênio são capazes de deixar as mamas inchadas e mais sensíveis, em especial nos dias que antecedem a menstruação.

Por isso, a mulher pode sentir um incômodo ou dor leve durante a tensão pré-menstrual – a famosa TPM.

Apesar de surgir mensalmente, o desconforto é passageiro e não costuma atrapalhar as atividades diárias.

2. Crescimento durante a puberdade

O período de amadurecimento biológico e fisiológico das meninas engloba o crescimento das mamas.

Nesse contexto, elas podem perceber os seios sensíveis ou até doloridos, o que é um reflexo normal de seu desenvolvimento.

3. Início da menopausa

A transição entre a fase reprodutiva e a pós-menopausa, conhecida como climatério, pode desencadear uma série de sintomas, incluindo a dor nos seios.

Eles ainda podem ter o tamanho reduzido e perder elasticidade, sinais que aparecem junto a ondas de calor, oscilações no humor, diminuição da elasticidade da pele, etc.

4. Mudanças durante a gravidez

Outro período de alterações nos níveis hormonais para a mulher é a gestação, repleta de mudanças fisiológicas para acomodar e nutrir o feto que está no útero.

Uma das mais marcantes é a preparação dos seios para a amamentação, que se dá por meio da produção de leite e crescimento das glândulas mamárias.

Esses processos podem ocasionar incômodos e elevar a sensibilidade das mamas.

Incômodo nos seios

Devido aos níveis de progesterona e estrogênio, é comum sentir um incômodo leve durante a TPM

5. Amamentação e ingurgitamento mamário

O período do puerpério também apresenta alterações importantes nos seios, relacionadas ao início da amamentação.

A descida do leite nos primeiros dias após o parto pode desencadear o ingurgitamento mamário, popularmente chamado de “leite empedrado”.

Nesse cenário, os seios ficam inchados e doloridos, por vezes, com mamilos achatados e avermelhados e pele de aspecto brilhante.

É comum que o problema se resolva espontaneamente depois de alguns dias. Porém, certos casos podem precisar de medidas terapêuticas para sarar.

6. Traumas e lesões

Nem sempre a dor percebida na região das mamas tem origem relacionada a essa parte do corpo.

Por vezes, o incômodo é consequência de pancadas que lesionam ossos, músculos e outras estruturas do tórax.

Como grande parte dessa área está coberta pelas mamas, a dor pode parecer estar nos seios.

7. Inflamação (mastite)

A época da amamentação favorece o surgimento de feridas, sensação de peso nos seios e fissuras no bico (mamilo), por causa da sensibilidade elevada.

Por si só, essas condições já têm a capacidade de provocar dor nas mamas.

Fissuras mamilares e estase do leite podem favorecer inflamação e, em alguns casos, infecção mamária .

Nessa situação, a paciente sofre com inchaço, coceira e vermelhidão, geralmente de apenas um dos seios, além de febre.

8. Medicamentos

Certos antidepressivos e remédios hormonais podem produzir reações adversas como a mastalgia.

Entram nesse grupo as pílulas anticoncepcionais, que alteram os níveis de estrogênio e progesterona no organismo.

9. Nódulos na mama

Existem diversos tipos de nódulos mamários, sendo que a maioria é benigna, ou seja, não vai se tornar câncer.

Um dos mais comuns é o cisto de mama, uma espécie de bolsa que envolve conteúdo líquido e costuma aparecer devido a estímulos hormonais.

Outra lesão benigna é o fibroadenoma que, por ser sólido e fibroso, pode ser sentido quando a mulher faz o autoexame das mamas.

Também pode apresentar alterações de tamanho ou sensibilidade em resposta a variações hormonais. 

Ambos os nódulos podem desencadear dor nos seios, pedindo avaliação médica para que seja prescrito um remédio ou outra medida terapêutica que acabe com o desconforto.

10. Câncer de mama

Como adiantei anteriormente, os tumores malignos raramente se manifestam através da dor.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é mais comum que a paciente repare em sinais como:

  • Nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor
  • Vermelhidão da pele do seio ou aspecto de casca de laranja
  • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço
  • Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos.

Aproveite para ler nosso guia completo sobre câncer de mama.

11. Cirurgias mamárias e próteses de silicone

Inchaço, desconforto e sensação de peso nos seios são reações esperadas após a colocação de implantes.

Mamoplastia redutora e mastectomia para remover um tumor também podem deixar as mamas sensíveis e doloridas, provocando fisgadas e dormência durante o período de recuperação e regeneração dos nervos.

Geralmente, os sintomas melhoram progressivamente, até desaparecerem em algumas semanas.

É indicado procurar ajuda médica caso a dor se estenda por mais tempo, piore, não melhore com analgésicos ou apareçam outros sintomas como calor, febre e saída de secreção pelas mamas.

12. Falta de sustentação e atividade física

A falta de um top esportivo adequado leva ao excesso de movimentos dos seios, desencadeando dores.

Principalmente se a mulher tiver mamas grandes, mas mesmo seios médios ou pequenos podem sofrer com problemas como a distensão dos ligamentos de Cooper – estruturas que dão sustentação às mamas. 

O uso de sutiã inadequado, que pressione os seios excessivamente, também pode gerar desconforto, que tende a diminuir após a retirada ou substituição da peça.

Qual a diferença entre dor nos seios cíclica e não cíclica?

A principal diferença está na associação com questões hormonais naturais.

A mastalgia cíclica tem relação com o ciclo menstrual, geralmente aparecendo durante a TPM e desaparecendo quando a menstruação desce.

Ela costuma afetar ambos os seios (dor bilateral), sendo manifesta através de uma sensação de peso ou inchaço devido à maior sensibilidade.

Já a mastalgia não cíclica ou acíclica não é associada à menstruação, surgindo como uma dor localizada, constante e que aparece em qualquer momento do ciclo.

É mais rara que a dor cíclica, podendo resultar de diferentes condições, desde hábitos prejudiciais, como o uso de sutiã ou top inadequado, até doenças.

Como aliviar a dor nos seios?

Se o desconforto é leve e passageiro, como os relacionados ao ciclo menstrual, climatério e puberdade, ele não requer tratamento.

É possível amenizar a dor com medidas simples, que você pode fazer em casa, por exemplo:

  • Aplicar compressas de água morna
  • Massagear os seios com delicadeza durante um banho morno
  • Usar sutiãs confortáveis, como os tops para exercício físico. Mulheres grávidas devem dar preferência ao sutiã de amamentação
  • Utilizar blusas e vestidos de tecidos leves
  • Evitar dormir de bruços
  • Adotar uma dieta leve, livre de gorduras
  • Diminuir a ingestão de cafeína
  • Praticar atividade física regularmente.

Continue lendo para entender quando esse tipo de dor gera preocupação.

Quando a dor nos seios preocupa?

Para explicar a gravidade da dor nos seios, vou começar separando esse incômodo em três tipos descritos pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP):

  • Dor cíclica leve: está relacionada às oscilações do ciclo menstrual, surgindo durante a TPM ou menstruação. Tende a desaparecer depois desse período
  • Dor cíclica moderada e severa: é aquela que dura mais de uma semana. Sua intensidade chega a interferir na rotina e saúde da mulher, que pode não conseguir executar algumas tarefas. Nesses casos, é preciso buscar ajuda médica para diminuir o desconforto
  • Dor acíclica: é aquela que não tem relação com o ciclo menstrual, podendo se manifestar de modo ocasional ou contínuo e irradiar para áreas como axilas, ombros, braços e mãos. A dor acíclica bem localizada e persistente pode ser indício de câncer de mama.

Portanto, a dor nos seios é preocupante quando tem duração estendida por mais de uma semana, não está relacionada à TPM ou menstruação, é severa, persistente e focal.

Outros sinais de alerta são sintomas associados como coceira, sangramento, saída espontânea de líquidos do peito, caroço e mudanças no aspecto da mama.

Esses problemas podem gerar suspeita inicial da própria paciente ao realizar o autoexame das mamas, conhecendo o aspecto habitual das mamas e buscando avaliação médica ao perceber alterações.

Sempre que se sentir à vontade, apalpe os seios com calma, prestando atenção em seu aspecto e verificando se há alteração no tecido mamário.

Essa medida contribui para a detecção precoce do câncer de mama, que tem chances de cura na casa dos 90% quando descoberto em fase inicial.

Inflamações e nódulos benignos também podem receber tratamento rápido, evitando complicações e acabando com o desconforto.

Qual médico consultar para dor nos seios?

Dois especialistas estão capacitados para avaliar e tratar a dor nos seios.

Geralmente, as mulheres recorrem ao ginecologista, que as acompanha durante as diferentes fases da vida.

Esse profissional é especializado em saúde da mulher e reúne conhecimentos sobre menstruação, hormônios, infecções sexualmente transmissíveis (IST) e outros temas ligados ao sistema reprodutor feminino.

Muitas vezes, o ginecologista também atua como obstetra, cuidando dos detalhes para uma gestação tranquila e saudável.

Outro médico solicitado diante de dor nos seios é o mastologista, especialista no estudo e tratamento de doenças que acometem as mamas.

Esse profissional atende tanto ao público feminino quanto ao masculino, pois os homens também podem sofrer com doenças nas mamas.

O próprio câncer de mama é uma delas, embora apenas 1% dos casos afete pacientes homens.

Outro problema masculino recorrente tratado pelo mastologista é a ginecomastia, uma condição que faz os seios dos meninos crescerem.

Nódulos, infecções, inflamações e assimetrias estão entre os principais problemas femininos que esse especialista avalia e trata.

Além, é claro, do câncer de mama.

Dores nas mamas

A mamografia é um dos principais exames para rastrear o câncer de mama em estágio inicial

Quais são os exames para dor nos seios?

Um dos principais procedimentos é o exame clínico, realizado durante a consulta com o ginecologista ou mastologista.

Durante o exame, o médico observa a aparência dos seios, seu formato e a textura da pele para verificar alterações incomuns.

O profissional ainda confere a existência de cistos ou outros tipos de caroço nas mamas através da palpação.

Caso seja necessário, ele pede exames de imagem para dar suporte ao diagnóstico, fornecendo informações sobre o tecido mamário e características dos nódulos.

Um deles é a mamografia, procedimento que emprega radiação ionizante para obter uma fotografia interna das mamas.

Inclusive, esse é o principal exame para rastreamento do câncer de mama em estágio inicial.

O Ministério da Saúde recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, sem sinais ou sintomas suspeitos.

Nas pacientes jovens, que têm mamas mais densas (firmes), é indicado o ultrassom de mamas para avaliação de achados suspeitos do exame clínico ou para complementar o resultado da mamografia.

Como é o tratamento?

O tratamento vai depender da causa da dor nos seios.

Se tiver origem cíclica, medidas simples como as compressas de água morna podem ser suficientes para acabar com o incômodo.

Para as dores de intensidade moderada ou severa, analgésicos podem ser receitados a critério médico.

Não se automedique, pois os remédios podem piorar ou até mascarar a origem da mastalgia.

Caso o desconforto seja provocado por nódulos, é indispensável passar em consulta médica para que sejam avaliados.

Assim, a paciente terá detalhes sobre sua situação e poderá iniciar o tratamento adequado rapidamente.

Cistos, por exemplo, podem ter seu conteúdo removido totalmente por meio de punção aspirativa por agulha fina (PAAF).

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Dores agudas e persistentes podem exigir atendimento imediato, inclusive no pronto-socorro, especialmente se houver sinais associados, como trauma grave, falta de ar, dor torácica, febre alta, sinais de infecção sistêmica ou rápida piora.

No entanto, o ideal é manter um acompanhamento médico preventivo, combinando hábitos saudáveis e visitas regulares ao ginecologista.

Ainda que se sinta bem, vale ir ao consultório uma vez ao ano para fazer um checkup com bateria de exames ginecológicos.

Se estiver sentindo dor nas mamas frequentemente, ou se o desconforto durar mais de uma semana, marque uma avaliação médica.

O mesmo raciocínio se aplica caso repare em sintomas associados à dor nos seios.

O atendimento pode ser feito de forma convencional ou online, via videoconferência.

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Perguntas frequentes sobre dor nos seios

Respondo de maneira breve a questões recorrentes sobre esse sintoma abaixo.

Como é a dor na mama hormonal?

Flutuações dos hormônios estrogênio e progesterona podem desencadear a mastalgia cíclica, que geralmente é sentida em ambos os seios como um peso ou inchaço. Essa dor é intensa dias antes da menstruação e melhora após o início do fluxo menstrual. Também pode estar relacionada à gravidez ou ao período que antecede a menopausa (climatério).

Como saber se a dor na mama é de gravidez?

O desconforto na gravidez pode ser percebido por toda a extensão de ambas as mamas, especialmente nos mamilos. Muitas vezes, é uma sensação de peso acompanhada por sintomas como inchaço, menstruação atrasada, sono excessivo e enjoo matinal.

É normal sentir dor nas mamas fora do período menstrual?

A dor mamária pode ocorrer por alterações benignas e fisiológicas, mas deve ser avaliada quando persistente, intensa, focal ou associada a outros sinais. Embora seja comum o desconforto durante a TPM, mesmo nessas ocasiões, é preciso ficar atenta a sintomas muito intensos ou que duram mais de uma semana, exigindo avaliação médica. 

Como saber se a dor na mama é câncer?

A dor não é um sintoma típico do câncer de mama. Contudo, ainda que seja raro, a dor acíclica bem localizada e persistente pode sinalizar um tumor, principalmente quando aparece junto a um ou mais dos sinais que mencionei acima.

Conclusão

Apesar de causar preocupação, a dor nos seios costuma ser reflexo de alterações hormonais naturais ao longo da vida da mulher.

Nem por isso você deve descuidar da saúde ou se acostumar com esse incômodo.

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Referências bibliográficas

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/394-dor-mamaria

https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/conceito-e-magnitude

https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/huab-ufrn/documentos-institucionais/arquivos-documentos-institucionais-geral/pop-utin-034-manejo-clinico-em-aleitamento-materno-ingurgitamento-mamario.pdf

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/186-fibroadenoma

https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama

https://ge.globo.com/eu-atleta/noticia/dor-nos-seios-ao-correr-para-a-mulher-um-bom-top-e-tao-importante-quanto-um-bom-tenis.ghtml

https://www.sogesp.com.br/saude-mulher/blog-da-mulher/mastalgia-70-das-mulheres-no-mundo-sentem-dor-nas-mamas/

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin