Anemia: quais são os principais tipos, sintomas e tratamentos?
Apesar de ser uma doença razoavelmente conhecida, muitas pessoas não sabem exatamente o que é anemia e quais são os seus riscos.
Ela tem sintomas pouco específicos e manifestações de diferentes origens, o que pode atrasar o diagnóstico e comprometer a qualidade de vida do paciente.
A fim de elucidar melhor o tema, preparei este artigo com informações completas a respeito da patologia, que inclui seus tipos, causas, sintomas, fatores de risco, exames e orientações sobre como tratar a anemia.
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O que é anemia?
Anemia é a carência de hemoglobina no sangue.
Basicamente, a hemoglobina é uma proteína presente nas hemácias, responsável pelo auxílio no transporte de oxigênio pelo corpo.
Sendo assim, a anemia provoca uma diminuição na oxigenação dos órgãos e tecidos do organismo, provocando sintomas de diversos tipos.
Apesar de ser uma doença por si só, na maioria das vezes sua aparição ocorre por outras patologias ou deficiências nutricionais.
Além disso, estima-se que essa doença afeta 30% da população mundial, o que representa mais de 2,6 bilhões de pessoas.

Os sintomas são inespecíficos e podem variar de acordo com o indivíduo ou a modalidade da doença
Quais são os tipos de anemia?
Inúmeros são os fatores relacionados ao que causa anemia.
Por isso, a doença é classificada em diferentes tipos, que incluem:
Anemia por falta de nutrientes
Trata-se do tipo de anemia mais recorrente, que surge pela falta de nutrientes fundamentais para a produção de hemácias, como ácido fólico, ferro e vitamina B12.
Inclusive, é estimado que 90% de todas as anemias sejam causadas por deficiência de ferro.
Entre suas manifestações, estão os quadros de:
Anemia ferropriva
Acontece pela falta de ferro no organismo, oriunda da má alimentação e absorção de nutrientes ou perda elevada de sangue.
Ocorre com mais frequência em mulheres em idade fértil, lactantes e gestantes, adolescentes, crianças, vegetarianos com dietas restritivas ou quem fez cirurgia bariátrica, geralmente.
Anemia megaloblástica
Provocada pela deficiência de B12, também como resultado da má alimentação ou de problemas de absorção de nutrientes.
Ainda pode ocorrer como consequência de certos tratamentos para câncer ou efeito de medicamentos.
No entanto, é mais comum em idosos, bariátricos e pacientes com úlceras ou gastrite crônica.
Anemias por doenças na medula óssea
É um tipo mais raro de anemia, que ocorre por conta de deficiências na produção de glóbulos vermelhos e outros elementos sanguíneos.
Nesse contexto, caracteriza-se como:
Anemia aplástica
Pode ser adquirida ou decorrente de outras doenças.
Em geral, os fatores de risco para as patologias na medula óssea que desencadeiam a anemia estão ligados a substâncias tóxicas, radiação, quimioterapia e certos medicamentos.
Ainda pode ser hereditária ou oriunda de condições como lúpus, hepatite e Aids.
Anemia hemolítica
Ocorre quando a medula óssea não consegue repor os glóbulos vermelhos destruídos na quantidade ideal.
Também acontece por intoxicações ou condições autoimunes.
Anemias hereditárias
É um tipo de anemia gerado por alterações genéticas, que afetam a produção e a vida útil dos glóbulos vermelhos.
Em geral, é detectada logo após o nascimento ou até os seis anos de idade.
Quando o gene é herdado apenas do pai ou da mãe, o paciente não desenvolve a doença necessariamente.
Ou seja, via de regra, a patologia atinge indivíduos com genes herdados de ambos os pais.
As anemias hereditárias incluem:
Anemia falciforme
É um tipo de manifestação em que as hemácias adquirem um formato semelhante ao de uma foice.
Assim, a membrana celular é alterada e se rompe com mais facilidade.
A anemia falciforme é o tipo mais recorrente de anemia hereditária.
Talassemia
Ocorre quando uma condição hereditária compromete a produção de hemoglobina.
Com isso, os glóbulos vermelhos produzidos são menores e têm um volume menor da proteína que transporta oxigênio pela corrente sanguínea.
Anemias por doenças crônicas ou autoimunes
São geradas por quadros patológicos, mas contam com diferenças básicas. Entre elas, estão:
Doenças crônicas
Decorre de quadros em que o corpo detecta inflamações e passa a retardar a produção de hemácias, gerando quadros anêmicos.
Além disso, há situações em que patologias crônicas fazem o organismo metabolizar o ferro de maneira anormal, provocando anemia.
Pessoas com problemas renais, câncer e diabetes estão entre os pacientes com mais chances de desenvolver essa modalidade de anemia.
Doenças autoimunes
Nesse cenário, as anemias surgem quando o organismo produz anticorpos que atacam as hemácias.
O quadro mais comum é a anemia hemolítica autoimune, que pode atingir pessoas de todas as idades, mas é recorrente em adultos jovens e também pode ser desencadeada pelo câncer ou doenças virais.
O que causa anemia?
Além das causas relacionadas aos tipos de anemia que mencionei acima, a doença ainda pode ser desencadeada de forma aguda ou crônica.
Nos quadros agudos, ocorre uma queda repentina de hemoglobina responsáveis pelo carregamento de oxigênio na circulação.
Nessas situações, as causas mais comuns incluem hemorragias ou quadros conhecidos como hemólise.
Ou seja, as hemácias são destruídas por conta de traumas ou doenças como coagulação intravascular disseminada e anemia falciforme (citada no item anterior).
Por sua vez, as anemias crônicas possuem origens variadas, e também representam a manifestação mais comum da patologia. Entre as possíveis causas da anemia, estão situações como:
- Hipotireoidismo
- Tumores malignos
- Deficiência de ferro
- Condições renais e doenças do fígado
- Deficiência de vitamina B12
- Intoxicação por chumbo
- Produção e maturação problemáticas das células sanguíneas da medula óssea
- Deficiência de ácido fólico.
Na sequência, saiba quais são os principais sintomas de anemia.
Principais sintomas de anemia
De maneira geral, os sintomas da anemia são inespecíficos e podem variar de acordo com o indivíduo ou a modalidade da doença.
Por isso, ao detectar os seguintes sintomas físicos, é importante buscar ajuda médica e realizar os devidos exames para a confirmação diagnóstica:
- Falta de apetite
- Cansaço generalizado
- Falta de ar (que pode ser confundida com doenças respiratórias)
- Tontura
- Dor de cabeça
- Apatia (principalmente em crianças, que se tornam menos ativas)
- Dificuldades de aprendizado (também mais recorrente em crianças)
- Formigamentos ou sensação de frieza nos pés e nas mãos
- Falta de disposição para trabalhar e realizar as atividades do dia a dia
- Palidez na pele
- Olhos amarelados (condição própria das anemias hemolíticas)
- Palidez nas mucosas, como gengivas ou região interna dos olhos
- Dor no peito
- Desejo de ingerir substâncias que não são necessariamente alimentares, como arroz cru ou gelo.
No próximo tópico, explico como a anemia impacta a qualidade de vida.
Qual o impacto da anemia na qualidade de vida?
Os diferentes tipos de anemia podem prejudicar bastante a qualidade de vida de pacientes de todas as idades.
O quadro é particularmente preocupante entre crianças, que ficam sujeitas ao retardo no crescimento, baixo peso e até morte ao nascer.
A doença ainda representa uma ameaça à vida de mulheres parturientes (que acabaram de dar à luz).
Mesmo que a doença esteja controlada, pode haver impacto significativo na habilidade cognitiva, queda na capacidade de aprendizado e baixa produtividade no trabalho, ameaçando a fonte de renda do paciente.
Devido ao cansaço extremo, aumentam as chances de surgirem transtornos mentais como ansiedade e depressão, que também podem ser agravadas pela anemia.
Quando não tratados, mesmo casos leves podem desencadear a sobrecarga do coração, elevando o risco de doenças como a insuficiência cardíaca.
Como identificar anemia no hemograma?
Se você se pergunta “como saber se estou com anemia?”, a resposta começa pela consulta médica.
Ela começa com a anamnese, uma entrevista estruturada que aborda a queixa de saúde, alergias, comorbidades e outros aspectos do histórico do paciente.
Em seguida, o médico avança para o exame físico para identificar alterações na anatomia e funcionamento do organismo.
Depois, alguns exames de rotina são solicitados para analisar a falta de vitaminas, detectar a taxa de hemoglobina e verificar o formato dos glóbulos vermelhos.
Caso o diagnóstico seja confirmado, outras análises adicionais podem ser pedidas para determinar precisamente qual é o tipo de anemia em questão.
Alguns indicadores laboratoriais do hemograma, exame que avalia os componentes do sangue, são fundamentais para reconhecer a presença da patologia.
O principal indicador hematológico é o nível de hemoglobina, que tende a ser baixo em caso de anemia.
Em geral, constata-se que o paciente tem anemia quando:
- Homens adultos têm níveis de hemoglobina menores que 13g/dL
- Mulheres adultas possuem níveis de hemoglobina abaixo de 12g/dL
- Gestantes apresentam taxas de hemoglobina inferiores a 11g/dL
- Crianças de 6 a 60 meses têm taxas de hemoglobina menores que 11g/dL.
Você sabia que existe diferença entre anemia e deficiência de ferro latente? Explico abaixo.
Qual a diferença entre anemia e deficiência de ferro latente?
Embora a anemia ferropriva seja relativamente comum, é possível ter estoques baixos de ferro sem a doença.
Isso acontece quando há deficiência de ferro latente, uma condição que provoca sintomas como fraqueza e problemas de concentração mesmo com níveis normais de ferro no corpo.
Nesse cenário, são as reservas do nutriente, acumulado por meio de proteínas como a ferritina, que estão se esgotando, mas o organismo consegue manter a taxa de ferro em níveis normais por algum tempo.
Contudo, se nada for feito, a deficiência de ferro latente tende a evoluir para anemia.
Fatores de risco da anemia
Quando as anemias são adquiridas (isto é, não são hereditárias), alguns fatores aumentam o risco para que a doença surja.
Os principais são:
Problemas intestinais
Doenças intestinais que afetam principalmente o funcionamento do intestino delgado podem comprometer a absorção de nutrientes, aumentando os riscos de anemia.
Doença celíaca e de Crohn são exemplos comuns.
Dieta pobre em determinadas vitaminas
Uma alimentação com quantidades baixas de vitamina B12, ácido fólico e ferro também favorece o surgimento da doença.
O risco aumenta para indivíduos que demandam maiores quantidades de ferro no organismo, como gestantes e crianças em fase de crescimento.
Gestação
Por falar em gestantes, elas também estão entre os grupos de risco para o desenvolvimento da anemia.
O ideal é que mulheres grávidas façam a suplementação de ácido fólico (sempre com a devida orientação médica).
Menstruação
Ainda em relação às mulheres, aquelas que não atingiram a menopausa têm maiores riscos para anemia do aquelas no pós-menopausa ou do que homens.
O motivo é que a menstruação provoca a perda de glóbulos vermelhos.
Então, em alguns casos, sua reposição pode não ser suficiente.
Cirurgia bariátrica
Cirurgias bariátricas, intervenções que removem parte do estômago ou que retiram o duodeno reduzem a capacidade de absorção de ferro e vitamina B12.
Em geral, é preciso informar e preparar todas as pessoas submetidas a esse tipo de procedimento.
Além disso, é direito do paciente ser acompanhado para evitar anemia no pós-operatório.
Doenças crônicas
Como você pode conferir no item dedicado aos tipos de anemia, pessoas com certas doenças que não têm cura estão mais propensas a desenvolver quadros anêmicos, por conta da diminuição no volume de glóbulos vermelhos.
As patologias são diversas e podem incluir insuficiência renal, mielofibrose e outros tipos de câncer, por exemplo.

É importante buscar ajuda médica e realizar os devidos exames para a confirmação diagnóstica
Como tratar a anemia?
Sempre que houver suspeita de anemia, o paciente deve procurar por assistência médica, pois é preciso tratar a condição para evitar agravos sérios à saúde.
Apenas um médico pode diagnosticar a doença e orientar sobre as melhores intervenções, sendo que tratamentos por conta própria, automedicação e outras práticas perigosas devem ser evitadas.
Uma vez que a anemia pode ter diversas origens, é fundamental diagnosticar sua causa. Só então será possível normalizar os níveis de hemoglobina.
Entenda como ocorre o tratamento em cada situação:
Anemias por falta de nutrientes
Primeiramente, o médico deve identificar a carência de nutriente.
Em seguida, dieta e suplementação podem ser indicadas para repor vitaminas e minerais e prevenir que a anemia volte.
Para pacientes com anemia ferropriva, os alimentos mais indicados são carnes vermelhas, peixes, aves, leguminosas, nozes, melado de cana e grãos integrais, entre outros itens ricos em ferro.
Já para combater a anemia megaloblástica, as opções incluem carne, ovos, leite, queijo e leite de soja, entre outros alimentos ricos em vitamina B12.
Anemias por doenças na medula óssea
Como é um tipo de anemia mais grave, as intervenções são mais potentes.
Elas podem incluir medicamentos para estimular a medula e demandar transfusões de sangue.
Anemias hereditárias
No caso da talassemia e da anemia falciforme, não existe cura. Contudo, é necessário tratamento com transfusões regulares de sangue.
Além disso, em termos de prevenção, os pacientes devem manter uma alimentação rica em nutrientes e evitar práticas físicas muito pesadas.
Anemias por doenças crônicas ou autoimunes
No caso das doenças crônicas, o tratamento para anemia está relacionado à cura ou ao controle da condição que está gerando a deficiência de hemoglobina.
Já para as doenças autoimunes, os quadros podem ser mais graves, assim como aqueles gerados por problemas na medula.
Nesse cenário, o tratamento também pode exigir transfusões sanguíneas, além de medicamentos para regular o sistema imunológico.
Como prevenir a anemia?
A anemia ferropriva e demais tipos causados por deficiência de nutrientes podem ser prevenidos com uma alimentação balanceada.
Vale reforçar a ingestão de fontes de ferro, como carne, miúdos, ovos, feijão, grão de bico, espinafre e couve, bem como peixes, leite e derivados, que possuem vitamina B12.
Gestantes devem consultar o obstetra para verificar a necessidade de suplementação, e aderir ao aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.
Crianças menores de 2 anos devem continuar recebendo aleitamento materno, mesmo após iniciar a alimentação complementar.
Qual médico trata anemia?
Quadros mais simples podem ser diagnosticados e tratados pelo clínico geral, ou pelo pediatra, se o paciente for criança ou adolescente.
Afinal, os sintomas não costumam indicar o órgão ou sistema afetado, o que pode levar à busca por um desses médicos generalistas.
Já os casos de maior complexidade são encaminhados ao hematologista, especialista que estuda e trata doenças do sangue.
A anemia é a doença que mais motiva a consulta com hematologista, mas esse profissional também avalia condições como hemorragias, púrpuras, trombose venosa, leucemia, linfomas e outros tipos de câncer.
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Conclusão
A anemia é uma doença marcada pela carência de hemoglobina na corrente sanguínea, que por sua vez tem papel fundamental no transporte de oxigênio pelo organismo.
Em condições severas, pode comprometer a saúde dos órgãos e tecidos do corpo.
Os meios de manifestação exigem tratamentos diferentes, mas a avaliação médica é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes em todos os casos.
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