Frequência cardíaca em pediatria: veja os valores de referência e saiba como aferir
A frequência cardíaca em pediatria sofre alterações de acordo com a idade da criança.
Fetos e recém-nascidos têm uma FC alta, que vai diminuindo até se aproximar dos valores normais para um adulto saudável.
Nas próximas linhas, você vai conhecer a importância, valores de referência e cuidados para aferir a frequência cardíaca no paciente pediátrico.
Também vai entender como a telemedicina auxilia na investigação de alterações no ritmo cardíaco, dando suporte às equipes de saúde por meio do telediagnóstico pediátrico.
Continue lendo para conferir todos os detalhes.
O que é frequência cardíaca em pediatria?
Frequência cardíaca em pediatria é o sinal vital que mede a quantidade de batimentos cardíacos por minuto de crianças e adolescentes.
Como adiantei na introdução do texto, os valores normais variam conforme a idade, refletindo o amadurecimento dos aparelhos cardiovascular e nervoso, responsáveis pela condução das batidas do miocárdio.
Vale lembrar que o ritmo cardíaco adequado é regular e compassado, sendo a frequência cardíaca medida pelo número de contrações do coração por minuto.
Naturalmente, a FC sofre alterações passageiras, dependendo da atividade que o indivíduo está realizando, especialmente se está em repouso ou em exercício.
Contudo, quando em ritmo sinusal (normal), cada batimento deve seguir o padrão, sendo formado no nó sinusal, localizado no átrio direito (câmara cardíaca superior direita).
Em seguida, o impulso elétrico estimula os átrios e, depois, segue para os ventrículos – câmaras cardíacas inferiores.
A despolarização das células ocorre primeiro; a entrada de íons de cálcio durante esse processo ajuda o miocárdio a se contrair.
Depois, a saída de íons de potássio repolariza as células, levando ao relaxamento (repolarização ventricular).
Em um adulto saudável, essa trajetória dura cerca de 0,19 segundo.

Os valores normais variam conforme a idade, refletindo o amadurecimento dos aparelhos cardiovascular e nervoso
Por que monitorar a frequência cardíaca em pediatria?
Monitorar a FC no paciente pediátrico é fundamental para acompanhar seu desenvolvimento e identificar anormalidades.
Apesar de serem normais em certos contextos, as alterações na frequência dos batimentos podem sinalizar problemas no coração, com destaque para as arritmias cardíacas.
Segundo alerta a Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas), essas alterações na FC causam a morte súbita de cerca de 300 mil brasileiros todos os anos, podendo acometer 1 em cada 4 pessoas durante a vida.
Muitas vezes, as arritmias são assintomáticas, o que atrasa a detecção e o tratamento adequado e coloca a vida do paciente em risco.
Daí a relevância de manter o monitoramento da FC, permitindo o diagnóstico precoce de condições como:
- Taquicardias (taquiarritmias ou arritmias de padrão rápido)
- Bradicardias (bradiarritmias ou arritmias de padrão lento)
- Bloqueio de ramo esquerdo (BRE) ou direito (BRD)
- Fibrilação atrial
- Fibrilação ventricular
- Flutter atrial
- Extrassístoles.
Entendido o conceito, saiba na sequência quais são os valores de referência.
Qual a frequência cardíaca normal em pediatria?
A FC normal para crianças e adolescentes depende da idade.
O acompanhamento dos batimentos cardíacos começa com os exames de pré-natal, ainda durante a vida uterina.
Nessa fase, o feto tem FC entre 110 e 180 bpm, sendo essa faixa considerada normal.
Conforme o tempo passa, o amadurecimento dos órgãos permite a redução na frequência cardíaca, até que os valores alcancem os famosos 50 a 100 bpm (ideais para adultos saudáveis em repouso).
Veja os valores de referência da FC de acordo com a idade, em repouso, abaixo:
- Recém-nascido: 100 a 160 bpm
- 0-5 meses: 90 a 150 bpm
- 6-12 meses: 80 a 140 bpm
- 1-3 anos: 80 a 130 bpm
- 3-5 anos: 80 a 120 bpm
- 6-10 anos: 70 a 110 bpm
- 11-14 anos: 60 a 105 bpm
- 15 anos ou mais: 60 a 100 bpm.
No próximo tópico, comento sobre os fatores que interferem na FC pediátrica.
O que pode alterar a frequência cardíaca em crianças?
Uma série de condições são capazes de alterar a FC em pacientes pediátricos.
Reuni as principais em três grupos, sobre os quais falo a seguir:
Fatores passageiros
A FC sofre oscilações durante o dia devido à variação da necessidade de oxigênio e energia, que são enviados às células através do sangue.
Assim, atividades que demandam esforço físico, como exercícios, aumentam a frequência cardíaca.
Explosões emocionais de raiva, medo e situações estressantes, que fazem o bebê chorar, também elevam a FC, bem como a ingestão de substâncias estimulantes como a cafeína.
Desidratação e febre também costumam aumentar a FC.
Já a redução na frequência cardíaca pode resultar de dor intensa, longos períodos de jejum (hipoglicemia), frio extremo, momentos de relaxamento e sono.
Uso de medicamentos
Broncodilatadores, corticoides e alguns anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e diclofenaco, estão entre os fármacos que alteram a frequência cardíaca.
É útil verificar o uso dessas substâncias ao avaliar possíveis arritmias, fazendo adequações no tratamento quando necessário.
Doenças
Além das arritmias, várias bpatologias podem estar por trás de alterações na FC, incluindo:
- Insuficiência cardíaca
- Malformações congênitas
- Valvulopatias como a insuficiência mitral
- Inflamações como a pericardite e miocardite
- Anemia
- Diabetes
- Problemas na tireoide
- Infecções.
Continue lendo para saber como aferir a FC em bebês, crianças e adolescentes.

A FC sofre alterações passageiras, dependendo da atividade que o indivíduo está realizando
Como aferir a frequência cardíaca pediátrica?
Em bebês menores de 12 meses, é indicado dar preferência à pulsação braquial, tomando o pulso por meio da área interna do braço, enquanto crianças maiores podem ter a FC aferida através do pulso.
O profissional de saúde deve usar dois dedos, com exceção do polegar, para pressionar levemente a artéria escolhida, comprimindo-a contra um osso.
Depois, ele conta os movimentos ao longo de 60 segundos, pelo menos, para observar se os batimentos são normais.
Claro que você também pode utilizar equipamentos como medidores e oxímetros pediátricos para uma aferição automática e mais precisa.
Ou realizar um eletrocardiograma, em caso de suspeita de doenças cardíacas.
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Conclusão
Abordei, neste artigo, a importância e fatores que interferem na frequência cardíaca em pediatria.
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