O que é dengue, como ocorre a transmissão e por que prevenir?

Por Dr. José Aldair Morsch, 7 de dezembro de 2021
O que é dengue, como ocorre a transmissão e por que prevenir?

Todo brasileiro já ouviu falar sobre dengue e sabe da importância de combatê-la. Mas você conhece, de fato, as principais características da doença?

De acordo com dados publicados pelo Correio Braziliense, a patologia provocou 212 mortes no país até novembro de 2021.

O número representa uma queda de 62% em relação ao mesmo período de 2020, quando haviam 564 óbitos registrados.

Apesar da melhoria significativa, isso não significa que a população pode “afrouxar” o combate contra o mosquito Aedes aegypti (que é vetor da dengue). 

Afinal, os ciclos endêmicos e epidêmicos são constantes no Brasil. A falta de cuidado e a negligência quanto à água parada pode favorecer novos aumentos nos casos. 

Que os cuidados devem ser constantes você provavelmente já sabe. Muito além disso, é fundamental ficar atento aos sintomas, possibilidades de tratamento e outras características significativas para minimizar os possíveis agravamentos da doença.

Sabendo disso, preparei este artigo com informações completas sobre a dengue. A seguir, saiba mais sobre seu histórico, diferenças para outras patologias semelhantes, principais sorotipos, sintomas, transmissão, diagnóstico, tratamento, prevenção e muito mais. 

O que é dengue?

A dengue é uma doença febril considerada grave. Ela surge de forma aguda e pode evoluir para fases subaguda e crônica.

Pessoas de todas as idades estão suscetíveis à sua infecção. Contudo, indivíduos mais velhos têm risco aumentado de desenvolver a forma grave e complicações capazes de levar à morte.

Além disso, caso o paciente tenha alguma doença crônica, como hipertensão ou diabetes, a gravidade e o potencial fatal da dengue são maiores, mesmo que a condição esteja tratada.

A causa está ligada a um arbovírus. Ou seja, um vírus que é transmitido por meio da picada de um mosquito.

No Brasil, o principal agente transmissor é o Aedes aegypti, popularmente chamado de mosquito da dengue.

Em suma, como o mosquito se prolifera na água parada, sua incidência ocorre com maior frequência nos períodos mais chuvosos do ano. 

Além disso, é imprescindível adotar cuidados para evitar a água parada todos os dias, já que o país possui um histórico significativo de incidências da doença.

Histórico no Brasil

Em primeiro lugar, acredita-se que o Aedes aegypti tenha chegado ao Brasil no século 18, dentro de navios negreiros (já que os ovos do mosquito resistem até um ano sem contato com a água). 

As primeiras referências de epidemias são de 1916 e de 1923, em São Paulo e Niterói, respectivamente (contudo, não haviam registros científicos dos casos). 

Apesar de tentativas de campanhas internacionais para erradicar a dengue, no final da década de 60 ela já infestava algumas das principais metrópoles brasileiras.

Mesmo sendo uma doença conhecida, as primeiras documentações clínicas e laboratoriais de uma epidemia só ocorreram entre 1981 e 1982, em Roraima. 

De acordo com a Fiocruz, a dengue tem ciclos endêmicos e epidêmicos constantes no Brasil. A cada 4 ou 5 anos, novas epidemias surgem. 

Inclusive, as maiores epidemias detectadas da doença são relativamente recentes. Elas ocorreram nos anos de 1998, 2002, 2008, 2010 e 2011. 

Nesse sentido, o período mais crítico foi o de 2010, quando cerca de 1 milhão de infecções foram notificadas no país. 

Desde os primeiros registros de 1981, mais de 7 milhões de casos já foram notificados. Inclusive, a doença tem se agravado nos últimos anos, com maiores complicações e hospitalizações.

Qual é a diferença entre dengue, zika e chikungunya? 

Junto da dengue, o mosquito Aedes aegypti também é responsável por outras doenças bastante temidas: a zika e o chikungunya.

Além do mesmo agente transmissor, as três patologias têm características semelhantes causando muitas vezes confusão na população.  

Em relação aos sintomas, a condição mais parecida com a dengue é o chikungunya. Ambas causam dores no corpo, mas o chikungunya atinge mais as articulações, que também incham.

Em contrapartida, a Zika não é dolorosa e também provoca coceiras pelo corpo (acompanhadas de manchas). Contudo, sua febre é menor do que a das outras doenças e às vezes pode ser inexistente.

Quais as principais características de cada doença?

Pontuadas as diferenças mais significativas, confira abaixo um breve resumo de cada quadro e como eles se diferem entre si:

  • Dengue: começa com uma febre alta, de 39° a 40°C. Seu início é repentino e pode durar entre 2 e 7 dias. Junto do quadro febril, há dores nos corpo e articulações, dor de cabeça, fraqueza, prostração, erupções e coceira, além de dor atrás dos olhos. Em alguns casos, há vômitos, náuseas e perda de peso;
  • Chikungunya: também pode ter um começo súbito e marcado pela febre, mas em intensidade menor que na dengue. Há dor muscular, que é muito mais acentuada nas articulações. Os sintomas geralmente duram de 3 a 10 dias e também incluem dor de cabeça e erupções na pele;
  • Zika: o principal sintoma é a erupção na pele, conhecida como exantema,  acompanhado de coceiras, febre baixa ou ausente, dores nas articulações, dor de cabeça, dor nos músculos e conjuntivite (que não tem coceira e nem secreção, mas apresenta olhos vermelhos). O mais comum é que os sintomas passem de 3 a 7 dias.

Além dos sinais clínicos, a realização de um hemograma também é de suma importância para diferenciar as 3 doenças. 

Quais as principais características de cada doença?

Os indicadores mais importantes são a queda nas plaquetas e a leucopenia, que são mais contundentes na dengue e quase não ocorrem na Zika.

Principais sorotipos da dengue 

O agente viral transmitido pelo Aedes aegypti e que causa a dengue faz parte da família Flaviviridae e é do gênero Flavivírus.

Existem quatro tipos de sorotipos virais no Brasil que são responsáveis pela doença. Eles são denominados DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.

Toda pessoa pode contrair os 4 sorotipos de dengue. Quando ocorre a infecção por um sorotipo, o organismo torna-se imune a ele. 

Chamados popularmente de sorotipos 1, 2, 3, e 4, cada um deles pode tanto gerar formas assintomáticas da doença, quanto brandas, graves e até fatais. 

Quais são os sintomas da dengue? 

Como mencionei logo acima, a infecção da dengue pode ocorrer de forma assintomática, leve, moderada ou bastante grave (podendo até ser fatal).

Quase sempre, a primeira manifestação da doença é abrupta e começa como uma febre repentina e alta, de 39° a 40°C.

Primeiramente, essa fase dura de 2 a 7 dias, sendo marcada por intensas dores de cabeça, nos corpos e nas articulações. 

Junto disso, o paciente também sente fraqueza, dor atrás dos olhos, prostração, coceira e erupções na pele. 

Nem todos os pacientes têm náuseas, vômitos e perda de peso, mas é comum que isso ocorra. Ao mesmo tempo, em algumas situações, podem surgir manchas vermelhas na pele. 

Como o início da dengue é majoritariamente febril, pode ser difícil diferenciá-la de outras doenças.

Além disso, quando a manifestação é grave, normalmente também ocorrem vômitos persistentes, dor abdominal contínua e intensa, além de sangramento nas mucosas.

De maneira geral, os sintomas “clássicos” da dengue são:

  • Febre alta, de mais de 38.5ºC;
  • Mal estar generalizado;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Dores musculares e nas articulações; 
  • Possíveis manchas pelo corpo;
  • Dor atrás dos olhos e ao movimentá-los;
  • Falta de apetite.

Sempre que um sintoma for percebido, é imprescindível realizar os exames de rotina da doença para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Toda a assistência contra a dengue é oferecida de forma integral no Sistema Único de Saúde (SUS). É direito dos pacientes brasileiros recebê-la gratuitamente. 

Inclusive, todo caso deve ser notificado pela rede de assistência ao Ministério da Saúde, que é responsável pelas ações de controle endêmico e epidêmico. 

Como ocorre a transmissão da dengue?

De antemão, como ressaltei ao longo deste artigo, a dengue é transmitida no Brasil pelo mosquito Aedes aegypti. Ele também é responsável por doenças como Zika e Chikungunya.

Entretanto, também vale ressaltar que esse não é seu único agente causador. O Aedes albopictus é outro inseto considerado um vetor da doença.

Apesar disso, não há registros de dengue causada pelo A. albopictus em terras brasileiras, ainda que ele exista no país. Sua ligação com a doença ocorre majoritariamente em nações asiáticas.

Voltando ao A. aegypti, é bastante recorrente que ele pique as pessoas nos períodos da manhã e no final da tarde, já que ele tem hábitos diurnos. 

Inclusive, apenas as fêmeas picam os humanos. Ou seja, ela é a responsável pela transmissão da dengue.

Algo importante a ser reforçado é que o mosquito da dengue é bastante adaptado aos ambientes urbanos.

 Como ocorre a transmissão da dengue?

Portanto, mesmo quem mora em grandes centros precisa reforçar seus cuidados, já que o mosquito prolifera-se facilmente encontrado dentro das residências com água parada.

Como é feito o diagnóstico da dengue? 

O processo de diagnóstico da dengue é majoritariamente clínico e deve ser feito por um médico. 

Em seguida, após a análise física e dos sintomas do paciente durante a consulta, o profissional de saúde deve solicitar alguns exames para confirmar o caso.

Os principais procedimentos incluem testes rápidos, usados para triagem, além de sorologia, biologia molecular e isolamento viral.

Em resumo, nos exames laboratoriais de sorologia, há a realização do diagnóstico por meio das técnicas MAC Elisa, PCR e isolamento. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a análise para os pacientes suspeitos da doença. 

Sobre o tratamento da dengue 

Apesar da importância de garantir o tratamento adequado para a dengue, o Ministério da Saúde destaca que não existe um procedimento específico contra a doença.

Na verdade, depois que há a confirmação da patologia, toda a assistência consiste no alívio dos sintomas do paciente.

Em outras palavras, a ideia é garantir que a patologia não seja tão severa durante sua manifestação. Dessa maneira, o tratamento paliativo é mantido até que o ciclo da dengue encerre a doença por conta própria.

Entre as principais medidas e recomendações, destacam-se por exemplo: 

  • Repousar bastante;
  • Jamais recorrer à automedicação;
  • Ingerir muitos líquidos;
  • Prezar constantemente pela hidratação, que em alguns casos pode ser por via intravenosa (soro).

As medidas de tratamento podem variar de acordo com cada caso. Apenas o médico pode definir as ações mais recomendadas para as especificidades do paciente. 

Prevenir a dengue é fundamental!

Considerando que a dengue possui ciclos endêmicos e epidêmicos relativamente constantes, é fundamental prezar pelo seu combate todos os dias. 

Mesmo que suas manifestações possam ter intensidade variável, a doença é potencialmente fatal. Portanto, minimizar seus riscos é uma responsabilidade de todas as pessoas.

As principais medidas preventivas são voltadas à minimização e eliminação da proliferação do Aedes aegypti. 

Lembre-se que o mosquito da dengue se reproduz onde há água parada, pois é nela que ele deposita seus ovos.

Prevenir a dengue é fundamental!

Sendo assim, é fundamental que a população adote cuidados em suas próprias casas, retirando todo objeto que possa acumular água. Isso pode incluir:

  • Latas e embalagens acumuladas;
  • Copos plásticos e tampas de garrafas descartadas a céu aberto;
  • Acúmulo de pneus velhos;
  • Vasos de plantas sem barro ou areia que sugue a água;
  • Garrafas pet armazenadas na rua;
  • Caixas d’água e cisternas destampadas;
  • Armazenamento de tambores e latões sem tampa;
  • Lixeiras abertas na rua;
  • Entre outros objetos semelhantes. 

Conclusão

A dengue é uma doença bastante conhecida pela população brasileira. 

Mesmo que a conscientização sobre o seu combate seja ampla, o surgem  novos casos constantemente exigindo dessa forma, ainda mais atenção da população no combate ao Aedes aegypti.

Ao longo deste artigo, você pôde conferir um breve histórico da dengue no Brasil, seus principais sorotipos, sintomas mais comuns, métodos de diagnóstico, tratamento e muito mais. 

Vale ressaltar que, apesar de não existir um protocolo específico contra a evolução da patologia, deve-se primordialmente garantir a assistência adequada, pois minimiza as chances de agravamentos.

Se você gostou de saber mais sobre a dengue e quer manter-se informado sobre outros temas importantes para a sua saúde, não deixe de acompanhar os próximos conteúdos do blog.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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