Afinal, como está a corrida pela vacina contra o novo coronavírus?

Por Dr. José Aldair Morsch, 9 de junho de 2020
Vacina contra o novo coronavírus

A busca pela vacina contra o novo coronavírus tem mobilizado cientistas e médicos do mundo todo. 

Em meio a diversidade de hipóteses de cura, especialmente em relação ao uso de medicamentos, a vacina surge como a principal possibilidade para evitar que mais vidas sejam perdidas.  

O avanço do COVID-19, causador da síndrome respiratória aguada (Sars-cov-2) está gerando uma série de medos e incertezas, assim como novos desafios.

Os médicos, por exemplo, estão superando seus limites com frequência

Além de ficarem mais tempo de plantão que o normal, estão na linha de frente e, portanto, sujeitos a contrair a doença e a transmitir para colegas e familiares.

Para o público em geral, o cenário também tem sido desafiador. Isso porque a grande maioria se encontra em isolamento social, precisando mudar sua rotina e deixar de ver outras pessoas para o bem comum.

É em meio a esse cenário que a busca pela vacina contra o novo coronavírus vem acelerando o passo.

Afinal, ainda não temos previsão de quanto tempo o vírus ainda irá circular e é preciso tomar medidas protetivas com urgência.

Neste artigo, mostrarei porque a vacina contra o novo coronavírus é um passo importante rumo a cura da doença e como anda seu processo de desenvolvimento nos principais países do mundo.

Boa leitura! 

Qual a importância da vacina contra o novo coronavírus?

O rápido avanço da doença, sua taxa de contágio  e letalidade são as principais justificativas do porquê a busca pela vacina está sendo tratada como prioridade global. 

Segundo os últimos dados coletados pelo Ministério da Saúde, mais de 58% das cidades brasileiras já foram afetadas pela doença, sendo que 21% delas já tiveram ao menos um caso de óbito.

No mundo, a pandemia já se alastrou para todos os continentes. Estima-se que apenas 12 países ainda não tenham reportado nenhum caso – 10 deles são países formados por pequenas ilhas localizadas remotamente na Oceania e os outros 2, por serem autocracias, podem estar omitindo os dados.

Nesse cenário, a vacina contra o novo coronavírus poderia reduzir as taxas, especialmente de mortalidade, até chegarmos ao estágio de baixa contaminação.

É importante reiterar que a vacina nada mais é do que uma pequena fração do vírus que, ao ser injetada nas pessoas, eleva a produção de anticorpos. Com isso, ela passa a ficar imune ao vírus, desde que ele não sofra mutações.

Para ser considerada eficiente, porém, a vacina precisa demonstrar caráter protetor. A presença de anticorpos não é o único fator a ser avaliado no caso do COVID-19, pois o vírus envolve outras proteínas.

No momento, existem 12 ensaios clínicos de vacinas contra o novo coronavírus em andamento. 

Metade deles está sendo realizado na China, mas o grande destaque fica por conta dos Estados Unidos.

O governo norte-americano está apoiando uma série de pesquisas, incluindo os realizados pela Moderna, Johnson & Johnson e pelo laboratório francês Sanofi – que conta com centros de estudos no país. 

Por que é tão demorado encontrar uma vacina contra o novo coronavírus?

O primeiro empecilho consiste em encontrar uma fórmula que funcione para todas as pessoas, ou seja, que seja eficiente para jovens, idosos e também para quem se encaixa no grupo de risco.

Para se chegar nessa fórmula, porém, é preciso realizar diversos testes. Especialmente no início, é realizado com um grupo pequeno de voluntários, a fim de gerar menos danos à saúde

Até ser considerada aprovada, devem ser realizadas diversas experimentações, inclusive em relação a quantidade de vírus contidos na vacina.

Após chegar no resultado almejado, os cientistas e laboratórios precisam de amplo investimento, a fim de ter condições para produzir em grande escala.

A empresa Moderna, por exemplo, fechou uma parceria com a gigante Lonza para aumentar a sua capacidade de produção. Com isso, estima-se que poderá fabricar até 1 bilhão de doses em um ano.

Partindo da ideia que a população mundial é de mais de 7,7 bilhões, não basta que apenas um laboratório realize os testes.

Logo, devem ser incentivadas as produções locais, baseando-se sempre em dados científicos.

Veja, a seguir, como está o processo de desenvolvimento e de testes para a vacina contra o novo coronavírus no Brasil e no mundo. 

Em que etapa cada país está na busca pela vacina contra o novo coronavírus?

Até o momento, não existe um tratamento ou vacina que comprovadamente combata o COVID-19. 

Entretanto, a urgência que a pandemia exige está levando diversas empresas a desenvolverem novos métodos, tecnologia e estratégicas para obter êxito.

Veja as principais ações realizadas até o momento!

Busca pela vacina contra novo coronavírus

Diversos países já começaram testes para a vacina contra o novo coronavírus. Conheça os principais.

Estados Unidos

A empresa farmacêutica Moderna, em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e governo dos EUA, realizou os primeiros testes clínicos de uma fórmula imunizadora.

Os testes foram realizados com 45 voluntários, de 18 a 55 anos, que receberam dosagens diferentes do vírus. 

Após realizar 2 doses da vacina, 8 desses indivíduos apresentaram níveis de anticorpos parecidos com o de pacientes que já se curaram da doença.

As únicas reações adversas que foram pontuadas por um dos voluntários foram vermelhidão e sensação de dor muscular nos braços.

A vacina, chamada de mRNA-1273, deve entrar em uma segunda etapa de ensaios clínicos em junho e a expectativa é contar com 600 voluntários.

Em julho, ocorrerá a fase 3, quando serão avaliadas a eficácia e segurança da fórmula oficialmente. 

Nesse meio tempo, o FDA (Food and Drug Administration), agência que regula os medicamentos nos EUA, estará finalizando o protocolo necessário para realizar as análises.

Em caso de resultados positivos, a empresa acredita que a vacina contra o novo coronavírus estará disponível até o fim deste ano ou início de 2021.

Outra empresa que pretende iniciar os testes em humanos da sua primeira vacina é a Novavax. Ela será realizada, porém, na Austrália e contará com 130 participantes saudáveis 

China

Existem 9 projetos em andamento na China, sendo que eles utilizam 5 técnicas diferentes, como vacinas genéticas, inativadas e de vetor viral.

Um deles está sendo promovido pela CanSino Biologics, com a colaboração das forças armadas chinesas. 

Nele, foi desenvolvida uma vacina de subunidade, uma fórmula que contém alguns antígenos específicos, sem patógenos – o que a torna mais segura que as técnicas tradicionais.

Os testes iniciaram em março e contou com a participação de 108 voluntários saudáveis. 

Para os pesquisadores, os resultados foram positivos, motivo pela qual irão iniciar a segunda etapa, contando com uma amostra maior de indivíduos.

Essa será a última etapa antes da rodada definitiva de teste e deverá comprovar a segurança e eficácia do componente, possibilitando estabelecer um plano de vacina.

A China também está utilizando outra abordagem para promover a cura do COVID-19. Segundo pesquisadores chineses, está sendo desenvolvido um tratamento medicamentoso capaz de interromper a pandemia.

Em fase de testes na Universidade de Pequim, esse medicamento não apenas é capaz de acelerar a cura dos pacientes doentes, mas imunizar temporariamente aqueles que não foram contagiados.

A preparação dos ensaios clínicos está em andamento, mas a expectativa é que ele esteja disponível antes do final do ano, prevendo a chegada de mais um inverno na região. 

Brasil

Existem duas pesquisas em andamento no país, ambas em estágio inicial e com metodologias diferentes.

A primeira delas está sendo realizada pelos cientistas do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor). 

Os trabalhos foram iniciados em fevereiro e estão sendo aplicados testes em camundongos.

Para verificar a eficácia e segurança da vacina, devem ser realizados estudos pré-clínicos em pelo menos mais duas espécies de animais. 

Conforme os resultados, deverá ser proposto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o início dos testes em humanos.

Quem também está avaliando uma vacina contra o novo coronavírus é a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Juntamente com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV), a ideia é utilizar o vírus da gripe como veículo para desenvolver a vacina.

No caso, seria criada uma vacina bivalente, abrangendo a gripe e o coronavírus. Devem ser iniciados os testes em camundongos em julho, podendo levar até dois anos para ser oferecido para humanos. 

Alemanha

E empresa alemã BioNTech, juntamente com a gigante farmacêutica Pfizer, iniciaram os testes em humanos de uma possível vacina contra o novo coronavírus. 

A vacina, nomeada BNT162, começou a ser aplicada em abril, em um total de 12 pessoas.

O próximo passo, cujos resultados devem sair em junho, será aplicá-la em 200 voluntários saudáveis, a fim de encontrar a dose adequada de vírus e o grau de eficácia da vacina.

Em uma fase posterior, a vacina será testada em indivíduos mais vulneráveis ao COVID-19.

A empresa não divulgou o cronograma exato do estudo e, portanto, não se sabe quando o produto final estará disponível.

Reino Unido

Os estudos no Reino Unido estão sendo puxados pela Universidade de Oxford, que se baseou em um adenovírus modificado que atinge os chimpanzés.

De acordo com a equipe, a vacina possui o poder de gerar uma intensa resposta imune com uma única dose.

Por não se tratar de um vírus replicante, também não é capaz de causar infecção contínua na pessoa vacinada.

Esse estudo recebeu o apoio do governo britânico, que vê a iniciativa como promissora. Caso apresente resultados satisfatórios, a previsão é produzir um milhão de doses a serem disponibilizadas até setembro.

Itália

A empresa italiana ReiThera, sediada na região metropolitana de Roma, anunciou uma vacina que conseguiu produzir anticorpos contra o COVID-19 em animais, mais especificamente em ratos.

Segundo a diretora da pesquisa, uma única dose da vacina é capaz de estimular a imunidade do paciente – tanto aumentando a produção de anticorpos contra o vírus, capazes de prevenir a infecção, quanto no que diz respeito às células T, que eliminam o vírus já dentro do organismo.

As fábricas da empresa italiana já estão produzindo os frascos do primeiro lote da vacina para passarem por testes em humanos.

Esse teste deve ser realizado a partir do segundo semestre de 2020 e, se obtiver resultados positivos, deve entrar em produção de maior escala logo em seguida.

O que fazer enquanto a vacina contra o novo coronavírus não fica pronta?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, apesar de diversos laboratórios terem iniciado a busca pela vacina contra o novo coronavírus, ela pode demorar de 12 a 18 meses para estar disponível para a população.

Logo, é essencial continuar realizando os cuidados necessários para evitar o aumento da contaminação.

Nesse cenário, as pessoas devem evitar ir a hospitais ou postos de saúde, exceto nos casos em que apresentem sintomas graves da doença. 

O recomendado é ficar em casa e buscar atendimento remoto, através da teleconsulta.

Mas o que é teleconsulta? 

Trata-se de uma consulta realizada à distância com o acompanhamento de profissionais qualificados e especializados. 

Teleconsulta e novo coronavírus

A teleconsulta é uma opção segura e confiável contra o novo coronavírus

Seus principais benefícios são:

  • Permite o atendimento médico a pessoas que moram em regiões de difícil acesso;
  • O diagnóstico é realizado com maior precisão;
  • Otimização de tempo e custos – tanto para médicos quanto para pacientes;
  • Segurança das informações colhidas;
  • Os dados podem ser importados de outras ferramentas;
  • Agiliza o atendimento de pacientes com doenças crônicas ou sintomas típicos de COVID-19;
  • Acesso a diversas especialidades;
  • O médico pode gerar atestados e receitas digitais e enviá-los diretamente para o paciente ou mesmo para a farmácia.

A teleconsulta faz parte da chamada telemedicina, considerada a medicina do futuro.  

Através da telemedicina, médico e paciente se encontram em uma sala virtual, dentro de uma plataforma digital desenvolvida para essa finalidade. 

Ela possui 3 ferramentas essenciais:

  1. Telediagnóstico com laudo à distância;
  2. Teleconsulta e telemonitoramento;
  3. Prontuário eletrônico do paciente em nuvem.

Com esse contato virtual, é possível avaliar os sintomas do paciente e realizar o diagnóstico preciso sem que ele precise sair de casa. 

Além disso, a telemedicina permite recomendar tratamentos mais apropriados e acompanhar a reação do paciente a eles, no chamado telemonitoramento.

A plataforma, porém, não é direcionada apenas para esse contato direto entre médico e paciente. 

Médicos de diversas especialidades também podem se beneficiar, podendo trocar conhecimentos e esclarecer dúvidas para realizar o melhor atendimento possível.

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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