Prostatite: entenda o que é, quais as causas e sintomas e como tratar
Você sabia que a prostatite está entre as principais doenças que atingem os homens?
Ao lado do câncer de próstata e da hiperplasia prostática benigna, ela é uma das condições da glândula reprodutiva masculina que mais merecem atenção.
Segundo dados da UFRGS, a patologia tem prevalência média de 8,2% na população, sendo que 35% a 50% dos homens apresentarão sintomas em algum momento da vida.
Apesar de ter um tratamento relativamente simples, é fundamental garantir o diagnóstico precoce e adotar as medidas necessárias o mais cedo possível.
Isso porque, se não combatida, a doença pode evoluir para quadros graves, com complicações que vão desde a sepse até a retenção urinária e a formação de abscessos.

Mas afinal, o que é prostatite?
Quais os seus tipos, causas, sintomas e fatores de risco?
Como diagnosticar, tratar e prevenir essa condição?
Para que você mantenha sua saúde em dia e saiba todos os sinais de alerta, preparei este artigo completo sobre o assunto.
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O que é prostatite?
Prostatite é uma inflamação ou infecção da próstata, glândula que só existe no organismo masculino e fica localizada abaixo da bexiga.
Quando ela ocorre, a passagem da urina é dificultada.
Além disso, o homem sente desconfortos, dores e outros sintomas que explico adiante neste conteúdo.
Em grande parte dos casos, a prostatite está relacionada a infecções bacterianas.
Contudo, ela pode ter outras causas associadas a microrganismos como fungos e vírus, além de fatores gerados pelo próprio organismo.
Em geral, a doença atinge homens adultos.
Inclusive, dependendo do tipo, ela ocorre naturalmente pelo avanço da idade.
Em situações mais raras, pode atingir pré-adolescentes.

A prostatite pode ter outras causas associadas a microrganismos como fungos e vírus
Quais os tipos de prostatite?
Agora que você já sabe o que é prostatite, vale mencionar que seus tipos são diversos e podem ter uma classificação complexa.
Eles incluem casos como prostatite bacteriana aguda e crônica, prostatite crônica não inflamatória ou prostatodinia, síndrome de dor pélvica e prostatite inflamatória assintomática.

Para conhecer a patologia e prevenir-se contra ela, podemos condensar essa categorização em três tipos principais.
São eles: prostatite aguda, prostatite crônica e não bacteriana.
Prostatite aguda
A prostatite aguda é gerada por uma infecção bacteriana.
Sua manifestação é repentina, febril e apresenta sintomas marcantes, especialmente no sistema urinário.
Um exemplo é a dificuldade para esvaziar toda a bexiga, além de febre acompanhada de tremores, calafrios e dor de cabeça.
Trata-se de uma infecção que, ao evoluir, pode levar à septicemia (complicação potencialmente fatal típica de quadros infecciosos agudos).
Outra consequência de sua evolução é o abscesso prostático. Dependendo da gravidade, ele pode exigir tratamento cirúrgico.
Por conta da intensidade e dos riscos relacionados, é fundamental buscar por atendimento no pronto-socorro ao primeiro sinal de prostatite aguda.
Prostatite crônica
Já a prostatite crônica, como o nome indica, tem uma evolução mais lenta.
Ela caracteriza-se como uma infecção urinária e seu tratamento é mais difícil.
Além disso, pode ser resultado de um tratamento inadequado da prostatite aguda ou que não teve resposta aos antibióticos.
Esse quadro infeccioso tem recorrência duradoura por conta da permanência de bactérias no líquido produzido pela próstata.
Ele gera o aumento no PSA, indicador que detecta o câncer de próstata.
Nesse cenário, muitas vezes o diagnóstico de prostatite é confundido com o desse câncer.
Outro fator que dificulta a identificação da inflamação crônica da próstata é a variabilidade ou inexistência dos sintomas.
Em parte significativa dos casos, ocorre o aumento benigno da próstata, provocando ardência ao urinar, dificuldade e frequência aumentada da urina.
Também pode ocorrer dor ao ejacular.
Quando o homem acorda muitas vezes à noite para ir ao banheiro, pode ser sinal de que ele sofre com prostatite crônica.
Prostatite não bacteriana e prostatodinia
Por fim, há a prostatite não bacteriana e a prostatodinia, também chamada de síndrome da dor pélvica crônica.
Esses são os tipos mais recorrentes de prostatite, que ocorrem sem histórico de infecções bacterianas no trato urinário, por exemplo.

Não há uma definição clara das causas, entretanto, devido aos sintomas, especialistas acreditam que elas estão ligadas a agentes como vírus, fungos ou outros microrganismos não identificados.
Outra hipótese é que a própria urina possa afetar a próstata quando há refluxo, o que poderia desencadear a inflamação.
Quais são as causas da prostatite?
A prostatite bacteriana é originada por bactérias do trato urinário ou do intestino grosso. O agente mais comum é a Escherichia coli.
Porém, além da presença de agentes infecciosos e da possibilidade de refluxo da urina, há outras teorias.
Por exemplo, existem chances de a prostatite ser desencadeada pela inflamação da uretra, um quadro conhecido como uretrite.
Também pode haver associação com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como clamídia e a gonorreia.
Ainda se discute a relação de fatores emocionais com a doença.
Isso porque quadros de ansiedade e estresse podem provocar espasmos do músculo do esfíncter.
Acredita-se que esses espasmos irritam a próstata e favorecem o retorno dos fluidos da uretra para a glândula prostática, o que irritaria os tecidos interiores.
Também vale mencionar que a prostatite é mais observada em determinados grupos. Portanto, algumas situações podem estar relacionadas às suas causas.
Isso inclui homens com alguma anormalidade no trato urinário, que têm infecções frequentes de bexiga, que praticam sexo anal ou que desenvolveram hiperplasia prostática benigna.
A prostatite também pode se desenvolver naqueles que foram submetidos a uma intervenção clínica com inserção de um instrumento médico na uretra.
Principais sintomas da prostatite
Embora possa haver alguma diferença entre os sintomas dos diferentes tipos de prostatite, é importante ficar atento a alguns sinais.
Isso porque, a doença tem sintomas considerados “clássicos”, e que indicam a necessidade de buscar por uma consulta médica, incluindo:
- Vontade excessiva de urinar
- Dor ou ardência ao urinar
- Secreção na uretra
- Dor frequente nos músculos entre as pernas.
Na prostatite aguda, esses sintomas podem ser acompanhados de febre, cólicas abdominais e mal-estar generalizado.
Por sua vez, a prostatite crônica ainda provoca dor lombar, nos testículos e períneo.
Independentemente do caso, o paciente ainda pode ter dores durante a ejaculação e diminuição da libido.
Não há confirmação científica de que a prostatite cause impotência.
Fatores de risco para prostatite
Além das causas que apresentei anteriormente, a prostatite possui fatores de risco.
Eles podem variar de acordo com o tipo e a origem da doença.

Entretanto, os mais recorrentes são:
- Presença de lesão na região da próstata
- Ocorrência de trauma pélvico
- Lesão prévia na uretra ou na bexiga
- Doenças do sistema nervoso
- Manter relações sexuais sem proteção
- Fatores genéticos
- Estresse, ansiedade e condições relacionadas
- Desidratação
- Inflamação do testículo, chamada de orquite.
Como é feito o diagnóstico de prostatite?
Assim que o paciente reconhecer algum dos sintomas, é fundamental buscar por um médico para obter o diagnóstico adequado.
Primeiramente, o clínico geral ou urologista irá analisar as queixas. Inicialmente, é comum apresentar dores ou dificuldades para urinar.
Com a suspeita definida, é preciso confirmar o quadro.
Para isso, são solicitados alguns exames de rotina para detectar a prostatite.
Diferentes procedimentos podem ser realizados na bateria de exames.
Os principais são:
- Hemograma
- PSA
- Coleta de urina
- Fluxometria
- Toque retal
- Coleta de líquido prostático.
Dependendo da situação, ainda há a possibilidade de biópsia para confirmar a causa da inflamação e aumento da próstata.

Realizar o tratamento adequado conforme a orientação médica é fundamental
Prostatite pode afetar a fertilidade?
Sim, pode.
Como a próstata produz o esperma, quadros inflamatórios nesse órgão podem comprometer a qualidade dos espermatozoides, prejudicando também sua capacidade de se movimentar para fecundar o óvulo.
Quadros de prostatite crônica são os mais preocupantes, porque podem causar o entupimento das vias da próstata, impedindo que o espermatozoide chegue ao líquido seminal (esperma).
Por consequência, ocorre a azoospermia (falta de espermatozoides no esperma).
Daí a necessidade de tratar a inflamação na próstata, revertendo a possível infertilidade masculina decorrente da doença.
Como tratar a prostatite?
Com o diagnóstico em mãos, o médico deve definir a melhor conduta para a condição do paciente.
A prostatite tem tratamento que varia de acordo com a causa da doença. Ele inclui possibilidades como:
- Antiinflamatório para prostatite: como a patologia gera a inflamação da uretra, os anti-inflamatórios são utilizados para aliviar seus sintomas
- Massagem da próstata: outra medida direcionada ao alívio dos sintomas, feita clinicamente pelo médico
- Antibiótico para prostatite: é utilizado para combater as causas da doença quando ela é desencadeada por uma bactéria
- Bloqueador alfa: é um tipo de remédio para prostatite que relaxa as fibras musculares e o colo da bexiga (região em que a próstata se une à bexiga)
- Suplementação: em muitos quadros, suplementos alimentares naturais contribuem para a melhora do paciente. Eles incluem antioxidantes, zinco e vitaminas A, C e E.
É direito do paciente ser orientado sobre algumas medidas a serem adotadas no dia a dia. Isso porque mudanças no estilo de vida ajudam no combate da prostatite.
Isso inclui o hábito de beber bastante água, realizar banho de assento quente, evitar longos períodos sentados e controlar o consumo de álcool, alimentos picantes e cafeína.
Vale citar que a prostatite em si não é tratada como doença transmissível. O que pode ser transmissível são agentes infecciosos associados, especialmente ISTs.
Assim, o médico precisa informar o paciente e alertar sobre a importância de conversar com as pessoas com quem ele tenha tido relações sexuais, pois pode infectar os parceiros, desencadeando inclusive outras infecções nas mulheres.

Por fim, a automedicação jamais deve ser considerada, pois pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e tratamento e até agravar seu quadro de saúde.
O que acontece quando a prostatite não é tratada corretamente?
Realizar o tratamento adequado conforme a orientação médica é fundamental, uma vez que a prostatite não curada pode causar complicações graves.
Uma delas é o abscesso prostático, bolsa de pus que pode exigir remoção através de cirurgia.
Caso a infecção se espalhe para a corrente sanguínea, o paciente fica sujeito à sepse, condição grave e potencialmente fatal.
Infertilidade, prostatite crônica e retenção urinária severa são outros agravamentos da doença que não recebe o tratamento necessário.
É possível prevenir a infecção na próstata?
O combate da prostatite pode incluir diversas ações preventivas.
Elas servem para minimizar fatores de risco e evitar que a doença tenha chances de se desenvolver.
Para os tipos infecciosos, é importante prezar por hábitos corretos de higiene, que eliminam a presença de microrganismos capazes de afetar o organismo do paciente.
Quanto à transmissibilidade pelo sexo, é essencial fazer uso da camisinha para diminuir os riscos de ISTs capazes de gerar inflamação na próstata.
Ainda há a questão do crescimento prostático favorecido pela idade.
Por isso, todo homem deve manter consultas com urologista anualmente, a partir dos 40 anos.
Inclusive, ter contato próximo e constante com o médico ajuda a identificar e minimizar os riscos de outras condições, como o câncer de próstata.
Somada a essas medidas, a manutenção de hábitos saudáveis é imprescindível para diminuir os riscos de prostatite. São eles:
- Prática de exercícios físicos regularmente
- Alimentação saudável
- Consumo de bastante água
- Dieta rica em zinco
- Realização de check up médico anual
- Comer menos alimentos picantes
- Reduzir o consumo de bebidas alcóolicas.
Continue lendo para saber qual médico procurar na suspeita dessa condição.
Qual médico trata a prostatite?
O urologista é o especialista responsável pelo tratamento de problemas na próstata.
Especializado nos sistemas urinário e reprodutor masculino, esse médico deve ser consultado diante de questões relacionadas à saúde do homem.
Na suspeita de prostatite, a primeira consulta deve ser preferencialmente presencial, possibilitando a realização do exame físico para identificar anormalidades.
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Perguntas frequentes sobre prostatite
Reuni, nesta seção, respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre a doença. Acompanhe:
O que provoca a prostatite?
Microrganismos como bactérias, vírus e fungos estão entre os principais causadores da inflamação da próstata. Contudo, infecções sexualmente transmissíveis, lesões, estresse e ansiedade também parecem ter relação com a patologia.
O que é bom para acabar com a prostatite?
O alívio dos sintomas costuma ser feito com medicamentos anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos, sempre conforme a prescrição médica. Massagem na próstata, reforço na hidratação e banho de assento quente também podem ajudar.
Como descobrir se tem prostatite?
A doença é suspeitada se houver sintomas como dor e ardência ao urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga e vontade frequente de fazer xixi. Para confirmar o diagnóstico, o urologista pode fazer o toque retal, solicitar exames de sangue e de urina.
A prostatite é perigosa?
Na maioria dos casos, não, porque a doença tem tratamento relativamente simples. Todavia, quadros que não recebem o tratamento adequado podem evoluir para condições graves como sepse e abscesso prostático.
Conclusão
Neste artigo, você acompanhou as informações mais importantes sobre a prostatite.
Os sintomas incluem dor ao urinar e desconfortos na região da próstata e, muitas vezes, a reversão ocorre com o uso de medicamentos.
Se você gostou de saber mais sobre a doença, não perca os próximos conteúdos sobre saúde do blog.
Referências bibliográficas
https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/12071/1/Telessauders_prostatite_cronica.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/ist
https://saude.abril.com.br/coluna/com-a-palavra/prostatite-causas-sintomas/
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/problemas-na-prostata-podem-afetar-a-fertilidade-masculina,41188df1fed0e310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html