Sintomas de AVC: entenda os sinais de alerta para o Acidente Vascular Cerebral

Por Dr. José Aldair Morsch, 14 de fevereiro de 2023
avc sintomas

Saber reconhecer os sintomas de AVC e o que fazer diante dessa emergência médica pode salvar vidas.

Isso sem falar em aumentar as chances de sucesso do tratamento, permitindo que o paciente seja atendido logo depois que os primeiros sinais se manifestam.

Geralmente, isso acontece de forma súbita, impedindo os movimentos de uma parte do corpo, que se torna fraca e dormente.

Acompanhe a seguir os principais sinais de um acidente vascular cerebral (AVC), dicas para identificá-los e qual a melhor conduta no socorro à vítima.

Veja também como a telemedicina dá agilidade ao diagnóstico nesses casos.

Quais os principais sintomas de AVC?

Nem sempre é fácil reconhecer um AVC pelos sintomas.

Isso porque o evento pode se manifestar de diferentes maneiras, dependendo da gravidade e região do cérebro afetada.

Lembrando que o acidente vascular cerebral ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro, como no AVC isquêmico, ou sangramento cerebral, como no AVC hemorrágico, comprometendo o suprimento de oxigênio e nutrientes necessários ao bom funcionamento dos neurônios.

Como esse órgão comanda todas as atividades do corpo, uma ou mais funções é prejudicada, desencadeando sinais distintos.

Listo, a seguir, os sintomas mais comuns de AVC, de acordo com o Ministério da Saúde:

  • Dor de cabeça muito forte, de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos
  • Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo
  • Paralisia (dificuldade ou incapacidade de se movimentar)
  • Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz
  • Perda da visão, visão turva ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

Há ainda outras manifestações, que podem incluir:

Importante reiterar que a presença de um ou mais sintomas não significa, necessariamente, que o paciente é vítima de um AVC.

Quanto tempo antes aparecem os sintomas do AVC?

A verdade é que não há tempo a perder diante de uma suspeita de AVC.

Isso porque os sintomas surgem de forma repentina, indicando que uma ou mais áreas do cérebro já estão em sofrimento.

Ou seja, é preciso socorrer a vítima o mais rápido possível para reduzir o risco de morte e sequelas.

Como o AVC é uma emergência tempo-dependente, o atendimento imediato é fundamental para aumentar as chances de tratamento eficaz e melhorar o prognóstico do paciente.

Sinais de avc

A telemedicina colabora para o diagnóstico de AVC através do serviço de laudos online

Dicas para identificar os sintomas de AVC

Pessoas próximas a uma vítima de AVC podem identificar que há algo errado em uma simples conversa ou observação dos movimentos.

Desconfie se a pessoa começar a falar de modo confuso e desconexo ou parar de responder de maneira repentina.

Caso ache que está diante de uma vítima de AVC, você pode fazer um teste rápido recomendado por especialistas: o SAMU.

Cada letra representa uma etapa:

  • S de sorriso: como um dos lados do corpo é afetado pelo AVC, a pessoa ficará com uma expressão distorcida ou “torta” ao tentar sorrir
  • A de abraço: peça para a vítima levantar os braços como se fosse abraçar alguém. Se não conseguir levantar os dois membros ao mesmo tempo, pode ser sintoma de AVC
  • M de música: cante um trecho de uma canção conhecida e peça para a pessoa repetir. Caso esteja sofrendo um AVC, ela terá a compreensão e fala afetadas
  • U de urgência: ao identificar sintomas de AVC, chame uma ambulância ou leve a vítima ao pronto-socorro imediatamente.

Sempre lembrando sobre a necessidade de um socorro rápido nesses casos.

Diferença entre sintomas de AVC e outras condições neurológicas

Algumas vezes, os sintomas de AVC podem ser confundidos com outras doenças do sistema nervoso – geralmente, menos graves que o acidente vascular cerebral.

Mas existem formas de diferenciação, como resumo a seguir:

AVC X enxaqueca com aura

Esse tipo de enxaqueca provoca alterações visuais como pontos brilhantes, formigamentos, náuseas e vômitos. 

Diferentemente do AVC, ela costuma gerar sensibilidade ao som e à luz, além de não causar paralisia ou perda súbita da fala.

AVC X labirintite

Zumbido, vertigem, náusea e perda auditiva estão entre os sinais da labirintite, que afeta uma estrutura interna do ouvido chamada labirinto.

Porém, essa doença não desencadeia formigamento, paralisia, perda súbita da força muscular, confusão mental ou problemas na fala.

AVC X crise convulsiva

Resultante de impulsos elétricos anormais no cérebro, a crise convulsiva costuma ser caracterizada por perda de controle muscular, com espasmos, tremores, movimentos repetitivos e, em alguns casos, perda da consciência.

Já o AVC pode provocar fraqueza, dormência ou paralisia, geralmente em um lado do corpo, além de alterações na fala, na visão, no equilíbrio e no nível de consciência.

AVC X hipoglicemia

Tontura, tremores, suor frio, palpitação e confusão mental são manifestações da hipoglicemia, sentidas em todo o corpo. 

Ela não causa dor de cabeça intensa e repentina, dormência ou fraqueza.

AVC X paralisia facial

Consequência de problemas no nervo que realiza contrações faciais, a paralisia de Bell é restrita apenas ao rosto, sem afetar outras partes do corpo. 

Sintomas de AVC passam sozinhos?

Algumas vezes, sim.

Falo dos casos de ataque isquêmico transitório (AIT), condição desencadeada pela diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro temporariamente.

Por consequência, surgem sintomas de AVC que cessam espontaneamente em até 24 horas.

Mas não se engane, pois a aparente melhora esconde um alto risco de sofrer um AVC grave ou fatal nas próximas horas. 

Ou seja, os sintomas transitórios devem motivar uma visita ao pronto-atendimento, permitindo o diagnóstico precoce de obstruções nos vasos sanguíneos do cérebro e, por consequência, a prevenção do AVC.

Trago mais detalhes sobre o AIT a seguir.

Pré-AVC: sintomas são diferentes?

Chamada popularmente de AIT, pré-AVC, pequeno AVC ou mini AVC, a isquemia cerebral transitória é um quadro semelhante ao acidente vascular cerebral.

Os sintomas podem ser os mesmos do AVC, porém são transitórios e costumam durar poucos minutos, podendo desaparecer completamente em até 24 horas.

Outra diferença está no fato de que os sintomas de pré-AVC desaparecem de maneira espontânea em cerca de um dia.

Contudo, como alertei acima, eles não devem ser desprezados, pois a isquemia cerebral transitória aumenta o risco de o paciente sofrer um AVC em breve.

Afinal, o quadro revela um déficit neurológico provocado pela redução do fluxo sanguíneo, ainda que seja revertido espontaneamente.

Portanto, vítimas de ataque isquêmico transitório devem ser levadas ao hospital para avaliação e monitoramento médico.

Quando os sintomas indicam urgência imediata?

Sempre que houver sintomas de AVC, é preciso socorrer a vítima imediatamente. Ou seja, diante de:

  • Confusão mental
  • Alteração da fala ou compreensão
  • Alteração na visão (em um ou ambos os olhos)
  • Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente
  • Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar
  • Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo (rosto, braço ou perna).

Não espere que os sintomas se intensifiquem para ir ao pronto-socorro mais próximo ou chamar uma ambulância pelo SAMU 192.

Sintomas de AVC

Pré-AVC é uma condição causada pela redução temporária do fluxo sanguíneo cerebral

O que fazer em caso de AVC?

A ação mais importante é pedir socorro, ligando 192 para que uma ambulância do SAMU vá atender à vítima.

Como o tempo de espera pode fazer a diferença, se for possível, leve o paciente até o hospital ou pronto-socorro mais próximo, garantindo que receba assistência com agilidade.

Caso contrário, mantenha a calma e aguarde pela ambulância ao lado da pessoa, observando se há alterações em sua condição clínica.

Posicioná-la deitada de lado, de forma confortável, pode ajudar.

Mantenha a cabeça um pouco levantada, usando uma almofada ou travesseiro como apoio para prevenir engasgos.

Assim que a ambulância chega, os profissionais de saúde prestam cuidados clínicos de emergência, incluindo:

  • Verificação dos sinais vitais e da glicemia
  • Correção do posicionamento, se o paciente estiver vomitando
  • Inserção de acesso venoso no braço não paralisado
  • Administração de oxigênio, se necessário
  • Preenchimento de questionário contendo detalhes sobre sintomas, quando começaram e qual a sua intensidade, de acordo com o relato do paciente ou acompanhante.

Continue lendo para entender o papel da telemedicina para qualificar o diagnóstico do AVC.

Como a telemedicina acelera o diagnóstico de AVC?

Criada para conectar profissionais de saúde e pacientes em diferentes localidades, a telemedicina colabora para o diagnóstico de AVC através do serviço de laudos online.

Essa solução reforça o time de neurologistas qualificados para interpretar exames que afastam ou confirmam a suspeita de AVC, como ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Basta que a equipe local faça os exames normalmente e compartilhe as imagens na plataforma de telemedicina da Morsch para que um de nossos especialistas inicie a avaliação dos registros.

Eles elaboram e assinam digitalmente o laudo eletrônico, que é liberado em minutos no sistema.

Outra opção é a segunda opinião médica, que permite discutir casos complexos em tempo real por videoconferência.

Dessa forma, o paciente recebe o tratamento adequado com rapidez, diminuindo o risco de morte e sequelas permanentes.

Confira todas as soluções da teleneurologia para clínicas e hospitais nesta página.

Pacientes também podem solicitar uma orientação profissional em instantes, recorrendo ao plantão médico 24 horas.

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Perguntas frequentes sobre sintomas de AVC

Veja, nesta seção, respostas diretas para questionamentos comuns entre pacientes e acompanhantes.

Como saber se estou com início de AVC?

Assimetria facial, paralisia, dor de cabeça súbita e intensa, formigamento e perda da força muscular de um lado do corpo estão entre os primeiros sinais de AVC.

Qual o sintoma de um AVC silencioso?

Quadros de bloqueio de pequenos vasos sanguíneos não geram sintomas intensos como em um AVC. Podem ocorrer sinais sutis como dormência intermitente, fraqueza muscular leve, instabilidade ao caminhar ou quase quedas, confusão mental, problemas de memória e concentração passageiros.

O que é um pré-AVC?

Pré-AVC é uma condição causada pela redução temporária do fluxo sanguíneo cerebral. Deve ser visto como alerta para um AVC iminente.

Como fazer teste de AVC em casa?

Lembre-se do teste SAMU, verificando Sorriso (para identificar a boca torta), Abraço (para checar se a pessoa não consegue mover um dos braços), Música (para repetir e identificar fala arrastada e outras alterações) e Urgência (para socorrer a vítima se os sintomas acima estiverem presentes).

É possível ter tido AVC e não perceber?

Sim, principalmente se for um “AVC silencioso”, que não apresenta sintomas clássicos. Daí a necessidade de buscar ajuda médica diante de qualquer sintoma neurológico persistente.

Conclusão

Neste texto, você conferiu os sintomas de AVC e informações importantes para o socorro médico.

Conte com a Telemedicina Morsch para otimizar o diagnóstico desse e outros eventos de saúde, melhorando o desfecho para o paciente.

E para esclarecer suas dúvidas sobre os sinais de problemas neurológicos.

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Referências bibliográficas

https://bvsms.saude.gov.br/avc-acidente-vascular-cerebral/ 

https://www.uol.com.br/vivabem/saude/tudo-sobre-avc/ 

https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/02/27/paralisia-de-bell-entenda-o-que-e-a-doenca-e-saiba-como-diferencia-la-de-um-avc.ghtml 

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/avc

https://www.unasus.gov.br/noticia/aprenda-quais-sao-os-primeiros-sinais-de-um-avc

https://alagoas.al.gov.br/noticia/avc-ou-enxaqueca-com-aura-entenda-as-diferencas-e-saiba-quando-buscar-ajuda-imediata

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin