Obesidade: entenda os graus, causas, consequências e como tratar

Por Dr. José Aldair Morsch, 7 de abril de 2026
Obesidade

Casos de obesidade se tornaram um problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Mais que um simples excesso de peso, essa doença produz impactos na qualidade de vida dos pacientes, além de sobrecarregar os atendimentos no SUS.

Avance na leitura para conferir um panorama completo com as causas, prevenção, tratamentos e quando procurar ajuda médica.

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O que é obesidade?

Obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura no corpo.

Trata-se de uma das patologias crônicas mais comuns, afetando 650 milhões de pessoas no planeta, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A obesidade já atinge 25,7% dos brasileiros – percentual que correspondia a 11,8% em 2006, de acordo com o relatório Vigitel 2024.

Esses dados são preocupantes, pois revelam um crescimento veloz da doença no país, com consequente aumento no risco de doenças cardiovasculares e mortes prematuras (que afetam pessoas entre 30 e 69 anos).

Somente entre 2010 e 2021, o Brasil registrou 24.678 óbitos prematuros por obesidade, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

Qual a diferença entre sobrepeso e obesidade?

Enquanto a obesidade é uma doença, o sobrepeso é uma condição intermediária em que o indivíduo começou a acumular gordura em excesso.

Ou seja, embora não esteja obeso, ele ultrapassou o limite de peso considerado saudável para sua altura, idade e composição corporal.

O que é obesidade mórbida?

Obesidade mórbida é a forma mais grave da doença, quando o IMC é maior ou igual a 40 kg/m2.

IMC é o Índice de Massa Corporal, uma ferramenta utilizada para classificar o sobrepeso e os graus de obesidade.

Doença obesidade


Obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura no corpo

Quando é considerado obesidade?

Quando o IMC é maior ou igual a 30 kg/m2, fica caracterizada a obesidade.

Esse índice permite relacionar o peso à altura, resultando em uma classificação para as faixas de peso normal, abaixo ou acima do ideal.

O cálculo do IMC é feito a partir da divisão do peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros).

A partir do resultado, dá para classificar o IMC como:

  • Abaixo do peso: IMC menor que 18,5 
  • Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9
  • Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9
  • Obesidade: IMC igual ou acima de 30. 

Importante dizer que essa classificação vale para adultos e idosos, pois crianças e adolescentes têm o IMC calculado de acordo com percentuais que consideram o desenvolvimento esperado para cada faixa etária.

Como saber o grau de obesidade?

A obesidade é subdividida em três graus diferentes, considerando a gravidade da doença:

  • Obesidade grau I: IMC entre 30 e 34,9
  • Obesidade grau II: IMC entre 35 e 39,9
  • Obesidade grau III (obesidade mórbida): IMC a partir de 40.

De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde, 6,7 milhões de brasileiros são obesos, sendo que a obesidade mórbida afeta mais de 863 mil pessoas no país.

Outros 1,6 milhões de indivíduos sofrem com a obesidade grau II (7,7% da população brasileira), e 20% das pessoas monitoradas apresentam obesidade grau I.

O que causa obesidade?

A obesidade tem causa multifatorial, envolvendo fatores nutricionais, fisiológicos, genéticos, psicológicos, comportamentais e ambientais.

Ou seja, não se trata de uma condição provocada somente pelo comportamento da pessoa, nem pela “falta de força de vontade” para comer menos.

Tanto que o acúmulo de gordura em excesso afeta indivíduos de todas as classes sociais, etnias e idades, que costumam apresentar dois ou mais dos seguintes fatores de risco combinados:

  • Predisposição genética: uma pessoa tem 9% de chance de se tornar obesa caso nenhum dos pais tenha a doença. Mas o risco sobe para 50% quando um dos pais é obeso, e para 80% quando ambos têm a doença
  • Dieta hipercalórica, com consumo de mais calorias que o necessário para as necessidades diárias
  • Alimentação rica em ultraprocessados, sal, açúcar e gordura. Muitas vezes, ela é consequência de um ambiente obesogênico, com difícil acesso a alimentos saudáveis
  • Sistema hormonal desregulado: diversos hormônios são responsáveis por enviar mensagens sobre a reserva de gordura, saciedade e sensação de fome. Na obesidade, esse sistema manda sinais distorcidos, favorecendo o ganho de peso e dificultando a perda de gordura
  • Sedentarismo: a falta de atividade física diminui o gasto calórico
  • Transtorno de compulsão alimentar (TCA): leva o paciente a ingerir grandes quantidades de comida em pouco tempo
  • Ansiedade, estresse crônico e sono de má qualidade: podem levar a comportamentos de compulsão alimentar
  • Medicamentos: remédios para diabetes, depressão, psicoses e outras condições podem aumentar o apetite
  • Comorbidades: hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e outras doenças favorecem o acúmulo de gordura corporal.

Na sequência do texto, esclareço sobre as consequências da obesidade.

O que a obesidade pode causar?

A obesidade desencadeia uma inflamação crônica de baixo grau no organismo, elevando o risco de diversas doenças não transmissíveis (DNTs).

Conheça algumas delas a seguir.

Diabetes tipo 2

Doença metabólica crônica, tem como principal característica os valores elevados de glicose no sangue.

A relação entre hiperglicemia e obesidade tem origem no aumento da resistência à insulina.

Doenças cardiovasculares

A obesidade leva à sobrecarga cardíaca, colesterol alto e acúmulo de placas de ateroma nos vasos sanguíneos. 

Nesse cenário, podem surgir hipertensão arterial, aterosclerose e até eventos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Câncer

O estado de inflamação crônica gerado pela obesidade tem relação com pelo menos 13 tipos de câncer, segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC).

Estão associados à doença tumores malignos no endométrio, fígado, rins, pâncreas, esôfago, estômago e mama (após a menopausa), além do câncer colorretal.

Obesidade no corpo

A obesidade desencadeia uma inflamação crônica de baixo grau no organismo

Como prevenir a obesidade?

A prevenção foca nos fatores de risco modificáveis, com destaque para a reeducação alimentar.

Ela promove a substituição de itens industrializados, fast food e comidas gordurosas por alimentos naturais e nutritivos.

Simultaneamente, vale investir em exercícios físicos regulares, combinando treinos de força a atividades aeróbicas, como caminhar, dançar ou praticar esportes.

Caso essas estratégias não funcionem, é indicado procurar um endocrinologista para emagrecer com saúde, a partir da investigação de causas hormonais que estejam colaborando com o ganho de peso.

Durante a consulta médica, também será possível identificar efeitos colaterais de medicamentos em uso ou sinais de outras doenças.

Como tratar a obesidade?

O tratamento também envolve algumas frentes.

Alimentação saudável e combate ao sedentarismo são fundamentais para alcançar os objetivos.

Essas medidas também evitam o efeito sanfona, quando o paciente recupera o peso perdido depois de alguns meses de tratamento.

Certos quadros necessitam, também, de medicamentos ou cirurgia bariátrica.

Remédios para emagrecer

Dependendo do caso, podem ser indicados fármacos que ajudam a perder peso, a exemplo de sibutramina, orlistate e da combinação naltrexona e bupropiona, todos administrados por via oral.

Também podem ser utilizadas canetas emagrecedoras contendo semaglutida (princípio ativo do Wegovy e Ozempic), tirzepatida (presente no Mounjaro) ou liraglutida (contida no Saxenda e Olire).

Lembrando que todos os remédios só devem ser usados sob prescrição médica.

Quando a obesidade se torna perigosa?

Qualquer grau de obesidade é perigoso para a saúde, pois aumenta o risco de doenças metabólicas, cardiovasculares e até câncer.

Porém, é importante ligar o sinal de alerta na etapa de sobrepeso, quando o IMC está entre 25 e 29,9 kg/m2 e ainda é possível prevenir a obesidade.

Qual médico trata obesidade?

Geralmente, a doença é diagnosticada e tratada a partir da consulta com endocrinologista, que é o especialista em distúrbios metabólicos.

Também é possível contar com o suporte do médico nutrologista, especializado no papel da alimentação e nutrientes no organismo.

Nutricionista, educador físico e psicólogo são outros profissionais de saúde que podem compor a equipe multidisciplinar para tratamento da obesidade.

Os profissionais podem atender presencialmente ou via teleconsulta, dispensando deslocamentos e a espera por atendimento.

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Perguntas frequentes sobre obesidade

Respondo, agora, às questões recorrentes sobre o tema. Acompanhe:

Obesidade tem cura?

Obesidade não tem cura, mas pode ser controlada. Como há diferentes mecanismos envolvidos na origem da doença, mesmo quando o paciente perde peso, é preciso manter o tratamento a longo prazo para evitar recidivas.

A obesidade está relacionada a que tipo de doença?

Diabetes tipo 2, pressão alta, apneia do sono e até certos tipos de câncer podem ter relação com a obesidade.

Por que a obesidade não é considerada um transtorno alimentar?

A obesidade não é um distúrbio psiquiátrico, e, sim, metabólico. Por sua vez, transtornos alimentares são quadros psiquiátricos relacionados à alimentação ou comportamentos voltados ao controle do peso.

Quais as dores que a obesidade causa?

Dor lombar, na coluna, no quadril e outros desconfortos musculoesqueléticos são comuns entre pessoas obesas.

Qual o maior vilão da obesidade?

Segundo estudos, o maior vilão é a dieta hipercalórica e desbalanceada, repleta de itens ultraprocessados, com açúcares e farinhas refinadas, bebidas açucaradas, álcool, fast food, etc.

Conclusão

Ao longo do artigo, ficou claro que a obesidade é uma doença e requer tratamento contínuo.

Conte com a praticidade da teleconsulta para manter os cuidados de saúde em dia!

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Referências bibliográficas

https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/promocao-da-saude/fact-sheet-obesidade

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https://bvsms.saude.gov.br/obesidade-18/

https://sbcbm.org.br/obesidade-atinge-mais-de-67-milhoes-de-pessoas-no-brasil-em-2022/

https://bvsms.saude.gov.br/11-10-dia-nacional-de-prevencao-da-obesidade/

https://www.scielo.br/j/rsp/a/qWRDdb8rtdfSkhM6qKXzXtP/?lang=pt

https://www.endocrino.org.br/obesidade/noticias-de-departam/hormonios-importam-e-muito-no-controle-do-peso/

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/degusta/alimentacao-com-saude/obesidade-esta-ligada-a-13-tipos-de-cancer-alertam-especialistas,040237f5583baa64b30ce3e3a845f1553cz1qaan.html 

https://saude.abril.com.br/medicina/remedios-para-emagrecer-aprovados-no-brasil-modo-de-usar-potencia-e-preco/ 

https://abeso.org.br/transtornos-alimentares-tem-recuperacao/ 

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin