Profissionais da medicina do trabalho: qual a formação necessária

Por Dr. José Aldair Morsch, 19 de fevereiro de 2020
medicina ocupacional

Entrar no ambiente da medicina ocupacional implica em conhecer a formação dos profissionais da medicina do trabalho para decidir que área está de acordo com sua vocação e qual o melhor retorno financeiro esperado.

Não há dúvidas que o ramo de atividade médica voltado para atender empresas que necessitam de exame médico admissional, exame demissional ou periódico para seus colaboradores é bastante complexa.

Escolher a área de a atuação requer um conhecimento de qual formação profissional lhe é mais atrativa, bem como se as condições para sua efetiva formação estão de acordo com seu orçamento e seu tempo de dedicação.

Neste artigo exploro os tipos de profissionais que atuam na medicina e segurança do trabalho e o tipo de formação necessária. Tire as suas dúvidas nos tópicos a seguir!

O que é a medicina ocupacional ou do trabalho?

A medicina ocupacional ou do trabalho faz parte de um processo de humanização das atividades laborativas nas empresas.

Ter especialistas trabalhando em prol da segurança e da qualidade de vida dos trabalhadores nas companhias é uma verdade do Direito do Trabalho.

A ideia é que a medicina ocupacional possa oferecer aos colaboradores as melhores condições para que eles desempenhem as suas funções com qualidade — sem afetar a sua saúde física ou mental.

Assim sendo, a medicina do trabalho tem como foco prevenir os acidentes e as doenças ocupacionais.

Para isso são realizados exames frequentes nos trabalhadores, analisadas as condições do ambiente interno da empresa etc.

Além de ser benéfica para os trabalhadores, a medicina ocupacional também traz vantagens para as empresas.

Quando estão saudáveis e satisfeitos com os seus empregos, os colaboradores tendem a trabalhar mais e melhor, ou seja, há um aumento na produtividade.

Quem são os profissionais da medicina do trabalho?

medicina ocupacional

 Os profissionais da medicina ocupacional tem, cada um, sua própria formação, que se relacionam entre si 

São um conjunto de pessoas com formações específicas para atuar numa clínica de medicina do trabalho pública ou privada.

Cada profissional tem sua própria formação e atribuições, sendo todas inter-relacionadas.

Esse corpo de especialistas traz o benefício de atender colaboradores de empresas desde a sua contratação, exames periódicos, prevenção de acidentes do trabalho e exames demissionais.

O que é SESMET e qual sua relação com profissionais da medicina do trabalho?

O SESMET é uma sigla usada para um Serviço Especializado em Engenharia deSegurança e Medicina do Trabalho.

A sua constituição depende exclusivamente de manter uma equipe completa de profissionais da medicina do trabalho para atender as empresas, tudo isso previsto na norma regulamentadora NR 04 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Quais os tipos de profissionais da medicina do trabalho?

medicina ocupacional

Daqueles que praticam a medicina ocupacional podemos citar o Médico do trabalho, enfermeiro, ergonomista, dentre muitos outros

Temos alguns profissionais que compõem o corpo da medicina do trabalho e suas atribuições. Confira a seguir os principais deles.

Médico do trabalho

Numa clínica de medicina do trabalho, também chamada de medicina ocupacional, o médico do trabalho executa funções como:

  • emitir o atestado admissional;
  • fornecer o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO);
  • realizar o exame periódico;
  • emitir o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA);
  • criar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

Logicamente que, para atuar como médico do trabalho, é necessário primeiro ter a graduação em medicina, com o mínimo de seis anos de duração.

Devido à alteração da NR 4, pela portaria do Ministério do Trabalho n. 590/2014, os requisitos para que o médico seja considerado médico do trabalho são definidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

O conselho somente reconhece como especialista o portador de RQE (requerimento de especialista). As formas de obtenção são:

  • residência médica de dois anos reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC);
  • aprovação em Concurso de Título de Especialista promovido pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com regras próprias como tempo de atuação na área.

Os cursos de especialização em medicina do trabalho, que eram em geral de um ano, não mais preenchem o requisito da NR4, como acontecia no passado.

Enfermeiro do trabalho

O enfermeiro do trabalho deve obrigatoriamente fazer uma faculdade de enfermagem, com o mínimo de quatro anos de duração e, depois, uma especialização em medicina do trabalho.

Atua exclusivamente na promoção da saúde, segurança e higiene nos ambientes de trabalho, focando em proteção na saúde dos colaboradores para diminuir a periculosidade e melhorar a qualidade de vida no seu espaço de trabalho.

Técnico em enfermagem do trabalho

Esse profissional tem sua formação dentro do segundo grau que fornece a opção de título de técnico em enfermagem padrão para hospitais e clínicas.

Depois, ele complementa o currículo com mais um ano especializado em medicina do trabalho.

O indivíduo pode atuar como responsável pelo ambulatório de uma empresa com um número significativo de colaboradores.

Ergonomista

Tem sua formação técnica complementar a qualquer área médica ou paramédica, como:

  • biomedicina;
  • farmácia;
  • fisioterapia;
  • nutrição;
  • educação física; e outras.

É um profissional responsável por acompanhar ativamente os colaboradores em cada atividade que necessite vigiar a postura; melhorá-la para não ter complicações ou até se recuperar de LER — as Lesões por Esforço Repetitivo.

Técnico em segurança do trabalho

O profissional tem o segundo grau completo e é formado em um curso técnico profissionalizante em segurança do trabalho.

Sua função é identificar as falhas nos campos da saúde, segurança e higiene nos locais de trabalho.

Ele prepara relatórios e entrega aos responsáveis a fim de que estes aperfeiçoem os programas de prevenção de acidentes.

Alguns exemplos de sua atuação:

  • identificar as necessidades nos campos da saúde, como atividades de postura e ergonomia;
  • avaliar a segurança no ambiente de trabalho;
  • medir o nível de higiene nos locais de trabalho;
  • analisar áreas de combate a incêndio e saídas de emergência.

Auxiliar de enfermagem e segurança do trabalho

O auxiliar de enfermagem tem sua formação básica depois de passar pelo segundo grau em escolas públicas ou privadas.

O tempo de formação varia de acordo com o curso de sua região, sendo de seis meses a um ano.

Desempenha a mesma atividade de um auxiliar de enfermagem em um hospital.

Nesse caso, o profissional assume o ambulatório para aferir sinais vitais, fazer curativos ou aplicar medicamentos. É um apoio ao enfermeiro do trabalho.

Engenheiro em segurança do trabalho

Profissionais da medicina ocupacional

 

O engenheiro em segurança do trabalho adquire sua formação de nível universitário.

Ele está encarregado de fornecer ao médico do trabalho todas as informações do ambiente de trabalho necessárias para a criação dos programas de prevenção de acidentes laborais.

Na atividade de saúde e segurança no trabalho, o engenheiro presta sua assessoria em segurança laboral medindo índices de:

  • ruído;
  • poeira;
  • umidade;
  • calor;
  • luz etc.

O propósito é de que tudo chegue ao médico do trabalho e com os programas sugeridos.

Uma empresa de assessoria em segurança do trabalho pode ter como responsável o engenheiro de segurança e medicina do trabalho.

Nesse mesmo cenário o médico do trabalho pode ser contratado para suas funções durante alguns dias da semana.

O ramo de consultoria de segurança do trabalho é uma grande oportunidade para um empreendedor se instalar em uma região e fazer um trabalho valorizado, altamente lucrativo.

O que é preciso para ter sucesso como profissional da medicina ocupacional?

medicina ocupacional

Quer ter sucesso na medicina ocupacional? Conhecimento de gestão e aqueles que vão além da área de atuação são algumas das competências necessárias 

Agora que você já conhece todos os profissionais que podem atuar na medicina ocupacional, é interessante saber o que é necessário para ter sucesso nessa área.

Na sequência, preparei algumas dicas!

Tenha conhecimentos de gestão

É fundamental que o profissional de medicina ocupacional tenha conhecimentos em gestão.

Isso se justifica porque, ao desenvolver as suas atividades, será necessário gerenciar equipes e lidar com um grande volume de trabalho.

Imagine, por exemplo, que você é o médico do trabalho de uma empresa que conta com centenas de funcionários.

Será preciso ter tudo muito bem articulado para que nada saia do controle e não haja atraso nos exames admissionais e demissionais, por exemplo.

Aperfeiçoe seus conhecimentos em áreas além da medicina

Para avaliar a saúde física e mental do trabalhador de uma empresa, o médico precisa saber mais do que interpretar um quadro clínico.

Para executar o seu trabalho com mais qualidade, o profissional deve aperfeiçoar o conhecimento em:

  • aspectos demográficos e históricos da região;
  • questões políticas e sociológicas;
  • fatores que envolvem tecnologia.

Tendo esses conhecimentos, o médico saberá o cenário em que o funcionário está envolvido e como isso influência em sua saúde.

Busque atualização frequente

A medicina ocupacional é uma área que se renova constantemente. Novas leis surgem com frequência, bem como modificações nos exames que são solicitados.

Hoje em dia é exigido que pessoas que trabalham em altura façam espirometria, por exemplo.

Deve-se sempre observar essas mudanças, para que as orientações repassadas às empresas e aos colaboradores sejam sempre eficientes.

Acompanhe as tendências de mercado

Também é interessante que você acompanhe as tendências de mercado na área da medicina.

A ideia é que os trabalhos sejam otimizados nas clínicas de medicina ocupacional, de modo que mais resultados positivos sejam alcançados nas atividades desenvolvidas.

A telerradiologia, por exemplo, pode contribuir para que os laudos dos exames de raio-X sejam elaborados mais rapidamente.

Esse recurso também dispensa a figura do radiologista no quadro de colaboradores de uma clínica de medicina do trabalho — reduzindo, assim, os gastos.

Como ter a Telemedicina Morsch como parceira nos exames ocupacionais?

Qualquer profissional de segurança e medicina do trabalho pode abrir sua clínica e oferecer exames ocupacionais e periódicos para os colaboradores das empresas.

A facilidade de contratar os aparelhos médicos em comodato com a Telemedicina Morsch faz com que o investimento seja mínimo e o retorno muito significativo.

Com aparelhos médicos portáteis é possível marcar nas próprias empresas as visitas para realizar eletrocardiograma, espirometria, eletroencefalograma e entregar o resultado em 30 minutos.

Conclusão

Quando alguém decide entrar no ambiente da medicina ocupacional, precisa saber que isso envolve conhecer vários tipos de atuação na medicina do trabalho.

Cada profissional tem a sua própria formação e uma função dentro de determinada clínica de medicina do trabalho.

Contudo, todos se comunicam e seus trabalhos se complementam a fim de entregar o melhor resultado aos pacientes e às empresas.

Atender organizações e se responsabilizar pela medicina e segurança do trabalho dentro dos ambientes corporativos traz mais qualidade de vida dentro da empresa e maior produtividade de cada colaborador — com reflexo na lucratividade do negócio.

Se existe a possibilidade de atuar nesse segmento, avalie sua condição financeira e tempo para escolher uma das profissões dentro dos profissionais da segurança do trabalho que citei neste artigo.

Lembre-se de que você pode contar com a Telemedicina Morsch para contratar os aparelhos médicos e o laudo a distância para os exames ocupacionais.

Gostou do conteúdo? Não vá embora sem assinar nossa newsletter e receber mais materiais como este diretamente em seu e-mail!

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

COMPARTILHE