Estresse: entenda quais as causas, consequências e tratamentos

Por Dr. José Aldair Morsch, 24 de junho de 2026
Estresse

Embora citado frequentemente como algo negativo, o estresse é um mecanismo natural do organismo.

Inclusive, ele é importante para se preparar para situações ameaçadoras e pontuais, como sair de um local perigoso ou planejar uma reunião de trabalho.

Contudo, se torna prejudicial quando se estende por longos períodos, levando ao desgaste da mente e do corpo.

Apresento possíveis causas, sintomas e tipos de estresse ao longo do artigo, junto a dicas para saber quando procurar ajuda psicológica ou médica, o que pode se dar via consulta de telemedicina.

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O que é estresse?

Estresse é a reação do organismo a uma ameaça.

Como resposta ao agente estressor, o corpo entra em estado de alerta, liberando os hormônios cortisol e adrenalina para permitir uma reação de luta ou fuga.

Daí a utilidade desse mecanismo desde os primórdios da humanidade, quando nossos ancestrais precisavam se defender de animais hostis ou de fenômenos climáticos, por exemplo.

No entanto, certas características da vida moderna podem desencadear estresse crônico, mantendo um alerta constante que leva à exaustão.

Nesse cenário, podem surgir sintomas e até doenças devido ao estresse patológico.

Quais os sintomas do estresse?

Quando iniciada a reação de estresse, ocorrem as seguintes manifestações físicas passageiras:

  • Aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, a fim de suprir a maior demanda por oxigênio e energia por parte dos músculos
  • Elevação do nível de açúcar no sangue
  • Supressão da digestão e da função imunológica, redirecionando a energia para resolver a situação desafiadora imediata.

Por consequência, podem aparecer sintomas físicos e psíquicos como:

  • Mãos ou pés frios
  • Boca seca
  • Dor no estômago
  • Suor frio 
  • Tensão e dor muscular
  • Fadiga (cansaço físico intenso)
  • Cansaço mental
  • Aperto na mandíbula ou ranger os dentes 
  • Roer unhas
  • Coceira e outros problemas de pele
  • Diarreia passageira
  • Insônia
  • Coração acelerado
  • Respiração rápida e ofegante 
  • Mudanças de humor
  • Lapsos de memória
  • Dificuldade para se concentrar
  • Alteração no apetite (comer mais, ou menos que o ideal)
  • Depressão
  • Ansiedade, inquietação e agitação.

Quando o estresse se torna crônico, esses sinais tendem a se repetir e intensificar, favorecendo o surgimento de patologias.

Estresse o que é

O estresse é uma resposta natural do corpo, desencadeada por um evento estressor

O que pode causar estresse?

O estresse é uma resposta natural do corpo, desencadeada por um evento estressor.

De acordo com estudos, ele pode dar origem a efeitos psicológicos sob a forma de sintomas e desadaptação, porém, uma vez removido, tende a acarretar uma diminuição do quadro psicopatológico provocado.

Vale esclarecer que nem sempre o evento estressor é negativo, uma vez que qualquer mudança significativa exige uma adaptação do corpo e da mente.

Alguns exemplos de eventos de vida estressores são:

  • Mudança de casa, cidade ou país
  • Morte de um ente querido (luto)
  • Gravidez ou adoção
  • Casamento
  • Divórcio
  • Demissão
  • Problemas financeiros
  • Diagnóstico de doença grave
  • Aposentadoria
  • Aquisição da casa própria, automóvel ou outra conquista pessoal relevante
  • Dificuldades no trabalho (estresse ocupacional).

Continue lendo para entender os diferentes tipos de estresse.

Tipos de estresse

O estresse pode receber duas classificações principais: agudo e crônico.

Saiba detalhes sobre cada um deles.

Estresse agudo

Forma natural e comum, o estresse agudo desencadeia uma reação temporária de luta ou fuga, que cessa assim que a situação se resolve ou há o afastamento do evento estressor.

Essa modalidade de estresse pode ser subdividida em:

  • Angústia: decorre de contextos negativos como lesões, brigas ou erros no trabalho
  • Eustress: resulta de experiências positivas, a exemplo de planejar uma viagem, montar o enxoval do bebê ou reformar a casa.

Tanto o estado de alerta quanto a energia extra relacionados ao estresse são reduzidos assim que a situação se resolve.

Estresse crônico

Esse é o tipo de estresse mais perigoso, que pode levar à exaustão física e mental.

Apesar disso, é constantemente ignorado, porque gera sintomas menos intensos, mas persistentes.

Afinal, quando o estresse é crônico, a liberação de adrenalina e cortisol é frequente, mantendo a pessoa em estado de alerta contínuo.

Essa modalidade pode tanto se desenvolver aos poucos diante dos percalços cotidianos quanto evoluir a partir do estresse agudo.

Principalmente se a forma aguda for motivada por um evento impactante, que pode resultar na extensão dos sintomas de estresse.

Como aliviar o estresse?

Algumas medidas simples ajudam a aliviar os sintomas.

Entre elas:

  • Eliminar ou se afastar do evento estressor, sempre que possível
  • Praticar a atenção plena, trazendo à consciência a razão por trás do estresse para que possa ser administrada
  • Realizar exercícios de respiração para diminuir a angústia, medo e ansiedade
  • Investir em autoconhecimento, a fim de lidar melhor com situações estressoras
  • Planejar reações a situações potencialmente estressantes, como uma reunião com o chefe ou uma prova importante
  • Priorizar o autocuidado, adotando uma dieta balanceada e práticas prazerosas
  • Ter boas noites de sono, contando com ações de higiene do sono (descansar em local escuro, silencioso e bem ventilado, por exemplo)
  • Fazer atividade física regularmente.

Na sequência do texto, esclareço sobre as consequências dessa condição.

Estresse sintomas

Em caso de sintomas persistentes ou que impactam na rotina, você deve marcar uma consulta

O que o estresse pode causar?

Quando não tratado, o estresse pode se tornar crônico e provocar doenças.

Isso acontece quando ele atinge a fase de exaustão, última etapa do mecanismo do estresse ou Síndrome de Adaptação Geral (SAG), definida pelo autor Hans Selye.

Apresento cada uma das três fases a seguir:

Fase de alarme

É a etapa aguda, que serve para preparar o organismo para a resposta de luta ou fuga.

Fase de resistência

Batimentos cardíacos, circulação e pressão sanguínea retornam a valores normais nesta etapa de adaptação

Quando a situação de estresse se resolve, o corpo se adequa e segue funcionando normalmente, sem grandes efeitos sobre a saúde

Fase de exaustão

Algumas vezes, as ferramentas do organismo não são suficientes para uma adaptação completa, ativando novamente os sintomas de estresse que surgiram na fase de alarme. 

Se nada for feito para mudar esse cenário, a exaustão vai se agravando, elevando o risco de surgirem doenças como hipertensão arterial, psoríase, úlceras, depressão ou até eventos graves, como o infarto do coração.

Confira os sinais de alerta para procurar ajuda profissional abaixo.

Quando o estresse precisa de tratamento médico?

Em caso de sintomas persistentes ou que impactam na rotina, você deve marcar uma consulta com psicólogo para identificar e diminuir as fontes de estresse.

Técnicas de psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, costumam ajudar no manejo do estresse crônico, reduzindo sintomas e prevenindo o adoecimento.

Se for preciso, o psicólogo dará o encaminhamento psiquiátrico, recomendado para quadros de maior gravidade, que se beneficiam de medicamentos antidepressivos, por exemplo.

Ressalto, aqui, que não existe remédio para o estresse, portanto, a automedicação é totalmente contraindicada nesses casos.

Além de não aliviar os sintomas, essa conduta pode esconder sintomas de burnout, depressão, ansiedade e outros transtornos, atrasando o tratamento ou piorando o estado de saúde.

Qual médico ajuda a tratar o estresse crônico?

Cabe ao psiquiatra, que diagnostica e trata doenças mentais, auxiliar no tratamento do estresse crônico.

Junto ao psicólogo, o especialista define e acompanha a abordagem terapêutica de maneira personalizada, evitando o agravamento dos sintomas.

A consulta de psiquiatria e a terapia online podem ser conduzidas em uma sala virtual dentro da plataforma de telemedicina.

Basta que o paciente tenha um dispositivo com internet para marcar e participar da consulta por videoconferência.

Primeiro, é preciso acessar a página de agendamentos e digitar a especialidade no campo de busca avançada.

Escolha o profissional, dia e hora de sua preferência e prossiga para o login ou cadastro no sistema (se for o primeiro acesso).

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Perguntas frequentes sobre estresse

Respondo mais algumas dúvidas recorrentes sobre essa reação abaixo.

Acompanhe:

Qual o hormônio do estresse?

O cortisol é conhecido como hormônio do estresse. No entanto, outras substâncias, como a adrenalina, também são liberadas durante a resposta do organismo a ameaças.

Qual o melhor remédio para estresse?

Geralmente, o tratamento não inclui medicamentos. A exceção fica para casos graves ou nos quais existem distúrbios mentais associados, como transtornos de ansiedade e depressão.

Como saber se estou com estresse ou ansiedade?

Apesar de apresentarem manifestações semelhantes, como alterações de sono e apetite, além de coração acelerado, a ansiedade tem sintomas específicos. Por exemplo: preocupação excessiva com o futuro, medo intenso, pensamentos e sensação de que alguma coisa ruim vai acontecer.

O que vem depois do estresse?

Quadros de estresse crônico alcançam a fase de exaustão, que pode desencadear burnout, distúrbios ansiosos ou depressivos. Outras consequências são a desregulação hormonal, doenças cardiovasculares, problemas na pele e dores persistentes.

Conclusão

Ao final deste artigo, você está por dentro das principais informações sobre o estresse.

Conte com a praticidade da teleconsulta se estiver vivenciando sintomas constantes ou intensos.

Se o texto foi útil, não deixe de compartilhar e visitar nosso blog para ler outros conteúdos sobre saúde.

 

Referências bibliográficas

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c7vner4l96eo

https://bvsms.saude.gov.br/estresse/

https://www.scielo.br/j/rprs/a/Jfqm4RbzpJhbxskLSCzmgjb/?lang=pt

https://www.fef.unicamp.br/departamentos/deafa/qvaf/integracao/auto-conhecimento/autoconhecimento/mecanismo-do-estresse/

https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/09/saiba-se-voce-sofre-de-estresse-cronico

https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/comunicacao/noticias/evitar-o-estresse-e-fundamental-para-manter-uma-vida-saudavel

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin