Câncer de próstata: saiba mais sobre sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Por Dr. José Aldair Morsch, 29 de outubro de 2021
Câncer de próstata

Quando o assunto é a saúde dos homens, um dos problemas que mais exigem atenção é o câncer de próstata.

Isso porque se trata da segunda neoplasia mais comum entre pacientes do sexo masculino – atrás apenas dos tumores de pele não melanoma, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer.

A incidência elevada reforça a importância de se informar a respeito do assunto e de garantir o diagnóstico precoce

Isso é ainda mais importante se considerarmos os riscos de mortalidade. 

Segundo informações do Ministério da Saúde, são mais de 14 mil óbitos anuais decorrentes da patologia.

Não por acaso, uma data específica foi criada para incentivar a prevenção: em 17 de novembro, é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. 

Inclusive, a ocasião deu origem ao mês de conscientização Novembro Azul, que se tornou popular em todo o mundo, garantindo um foco ainda maior no tema.

Mas afinal, como prevenir o câncer de próstata? Como ele ocorre, quais os seus estágios, sintomas, fatores de risco e melhores recomendações de tratamento?

Confira as respostas para essas e outras questões ao longo deste artigo.

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O que é câncer de próstata?

Câncer de próstata é um tumor maligno na próstata – uma glândula que apenas os homens têm. 

Ela fica localizada abaixo da bexiga, na frente do reto e envolve a parte de cima da uretra. 

Quando os homens são jovens, a glândula é menor, tendo o tamanho de uma ameixa. Contudo, ela cresce naturalmente com o avanço da idade. 

Se esse crescimento for anormal ou muito acelerado, pode ocorrer uma neoplasia. 

Claro que essa conclusão só é possível com uma investigação médica aprofundada.

De maneira geral, o câncer de próstata é gerado como qualquer outro. 

Nas estruturas do organismo, as células se multiplicam para que as novas ocupem o lugar das antigas. 

Se ocorrer uma falha e isso for feito de forma descontrolada, formam-se tumores.

Por sua vez, esses tumores podem ser benignos ou malignos, sendo o segundo caso chamado câncer.

Em grande parte dos quadros, o câncer de próstata pode crescer lentamente e sequer apresentar sintomas, tendo um controle simples. 

Já em parte dos pacientes, ocorre a metástase com crescimento acelerado, atingindo outros órgãos.

Essa situação é potencialmente fatal, exigindo tratamentos severos. 

Veja, no próximo item, como são os padrões de evolução do câncer de próstata. 

Câncer de próstata homens

A próstata fica localizada abaixo da bexiga, na frente do reto e envolve a parte de cima da uretra

Quais os estágios do câncer de próstata?

O câncer de próstata pode avançar e desenvolver-se de diferentes maneiras.

Por conta disso, sempre que há o diagnóstico da doença, os médicos devem identificar seu grau de estadiamento.

Isso porque, em cada nível, há recomendações específicas de tratamento e chances diferentes de cura.

Em relação aos estágios, os tipos de câncer de próstata podem ser caracterizados da seguinte maneira: 

  • T0: fase em que não há evidência de tumor
  • T1: quando existe um tumor ainda não identificado por exames
  • T2: tumor em estágio primário, limitado apenas à próstata
  • T3: o tumor vai além da próstata e pode afetar a cápsula prostática e vesículas seminais
  • T4: tumor invade outras áreas próximas, como reto, esfíncter e músculos
  • N0: nódulos linfáticos próximos da próstata sem metástases
  • N1: nódulos linfáticos próximos da próstata com metástases
  • M0: inexistência de metástases à distância
  • M1: presença de metástases afastadas da próstata, em outros órgãos ou ossos.

Nos estágios menos severos, o câncer de próstata é silencioso

Com a evolução, entretanto, o tumor pode gerar sinais característicos nos pacientes. Conheça-os abaixo. 

Quais são os sintomas do câncer de próstata?

As fases iniciais do câncer de próstata geralmente não provocam sintomas.

Afinal, quando isso ocorre, muitas vezes confunde-se essa patologia com outras doenças benignas que afetam a próstata. 

A principal delas é a hiperplasia benigna, que ocorre em mais da metade dos homens com mais de 50 anos de idade. Nesses casos, a glândula cresce naturalmente. 

Há também a prostatite, que é uma inflamação gerada por bactérias. Nos dois casos, o paciente pode ter dificuldade de urinar ou frequência aumentada de urina. 

Já nos estágios avançados, além dos sinais urinários, pode ocorrer dor óssea. Em casos mais graves, há chances de insuficiência renal e infecção generalizada.

De maneira geral, os sintomas de câncer de próstata mais característicos são:

  • Dificuldades para urinar
  • Presença de sangue na urina ou no sêmen
  • Micção mais frequente que o normal
  • Demora para urinar
  • Diminuição da urina
  • Disfunção erétil
  • Dormência ou fraqueza nos pés e nas mãos
  • Dor nas costas, no quadril, nas coxas, ombros e demais ossos em casos de disseminação da doença.

Sintomas corriqueiros, como dor de cabeça, não indicam a presença de câncer de próstata. 

Todavia, eles podem estar indiretamente relacionados a uma neoplasia se houver a presença concomitante de sintomas urinários.

O que causa câncer de próstata?

O câncer de próstata tem causas ligadas ao crescimento anormal de células, algo que é comum a qualquer tumor.

Contudo, existem alguns fatores de risco específicos.

Em primeiro lugar, vale citar o avanço da idade

Segundo o Ministério da Saúde, 9 a cada 10 homens diagnosticados no Brasil têm mais de 55 anos. 

Também há o histórico familiar

Todo homem que tem pai, avô ou irmão diagnosticado com câncer de próstata antes dos 60 anos de idade compõe o grupo de risco da patologia. 

O excesso de peso e a obesidade também são fatores de risco. 

Ainda de acordo com o MS, observa-se uma correlação da neoplasia com o peso corporal elevado. 

Por fim, informações do Inca apontam que a exposição a certos agentes químicos está ligada ao desenvolvimento do câncer de próstata. 

Isso inclui produtos à base de petróleo, dioxinas, fuligem, fumaça de escape de veículos e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, conhecidos no mercado pela sigla HPA.

Muitas vezes, há exposição ocupacional ao arsênio, por exemplo, muito usado como agrotóxico e conservante de madeira; ou às aminas aromáticas, recorrentes nas indústrias mecânica, química e alumínica.

Câncer de próstata o que é

O câncer de próstata pode avançar e desenvolver-se de diferentes maneiras

Como é feito o diagnóstico do câncer de próstata?

Como os sintomas de câncer de próstata tendem a ser silenciosos no início da evolução da doença, é importante que os homens investiguem sua presença preventivamente.

Em geral, isso é recomendado para aqueles que fazem parte dos grupos de risco. 

A idade ideal para iniciar as rotinas de rastreamento não é unânime entre os especialistas. 

Por isso, é importante que homens acima dos 40 anos consultem o urologista para determinar a necessidade das investigações anuais. 

Esses exames de rotina preventivos podem incluir a análise de sangue PSA ou o exame de toque retal para verificar o aumento da próstata. 

Se o PSA estiver alterado ou se houver um nódulo na próstata durante o toque, é necessária a realização de uma biópsia.

Nesse procedimento, pequenos pedaços da glândula são retirados e analisados em laboratório. 

Contudo, há alternativas para diagnosticar o câncer de próstata de forma menos invasiva

Para os homens com probabilidades baixas de tumor, pode ser indicada a Ressonância Magnética multiparamétrica (RMmp).

Esse exame de imagem dispensa biópsias desnecessárias. A ideia é minimizar custos, possíveis riscos e a própria ansiedade do paciente. 

Agora, caso a RMmp não tenha resultados normais e aponte lesões suspeitas, então a bateria de exames deve obrigatoriamente incluir a biópsia. 

Isso porque só a análise histopatológica do tecido da glândula, obtida no procedimento de biópsia, pode confirmar a ocorrência do câncer de próstata.

Qual a diferença entre hiperplasia prostática benigna e câncer de próstata?

Mais de 50% dos homens apresentam hiperplasia prostática benigna (HPB) após os 50 anos.

Essa condição consiste no aumento do tamanho da próstata e, ao contrário do câncer, a HPB é benigna.

Aumento na frequência das micções e jato urinário fraco são sintomas da hiperplasia prostática, que costumam ter manifestação desde o estágio inicial.

Embora afetem a mesma área do corpo, HPB e câncer de próstata não estão relacionados, e a hiperplasia não evolui para câncer.

Câncer de próstata tem cura?

Sim, o câncer de próstata tem cura.

Especialmente quando descoberto em estágio inicial, quando as chances de cura podem chegar a 98%.

Para isso, é imprescindível seguir as rotinas preventivas, como o check-up médico anual após os 40 anos, além de iniciar o tratamento precocemente se houver indícios de tumor maligno.

Como é o tratamento do câncer de próstata?

O câncer de próstata com exame positivo deve ser tratado o mais cedo possível. 

Durante as consultas médicas, o urologista define os procedimentos adequados para cada caso. 

Assim, ele determina a abordagem terapêutica de acordo com a gravidade do tumor, a idade do paciente, sua expectativa de vida e possíveis comorbidades

O paciente tem direito de ser informado sobre as alternativas à sua disposição. Junto delas, ele deve conhecer suas chances de sucesso e possíveis efeitos adversos. 

Portanto, dependendo do caso, as opções de tratamento podem ser aplicadas de forma individual ou combinada. As principais são: 

  • Prostatectomia: procedimento de retirada da próstata. Ele é bastante comum e exige intervenção cirúrgica
  • Tratamento hormonal: voltado ao alívio de sintomas em casos avançados. São empregados medicamentos para câncer de próstata que regulam a produção de hormônios masculinos
  • Radioterapia: consiste no uso de radiação controlada em certas regiões da próstata, a fim de eliminar as células cancerígenas.

Não importa quais sejam os tratamentos para câncer de próstata, a automedicação nunca deve ser uma opção. 

Isso porque só um especialista pode garantir a devida recuperação da patologia. Além disso, o uso indiscriminado de fármacos pode mascarar sintomas e piorar o quadro de saúde. 

Ainda, o médico pode optar pela simples observação do paciente para prevenir a evolução da neoplasia, indicada para cânceres em estágios iniciais e que evoluem lentamente. 

Assim, se o paciente é idoso (com mais de 70 anos, por exemplo), às vezes faz mais sentido acompanhar sua condição clínica e evitar complicações do que optar por intervenções agressivas.

Como prevenir o câncer de próstata?

Existem medidas preventivas que podem ser adotadas para reduzir as chances de tumores.

Elas não são específicas para o câncer de próstata. 

Na verdade, são cuidados comuns à prevenção de toda doença crônica não-transmissível. 

Isso inclui ações básicas para a manutenção de uma vida saudável, como:

  • Manter uma alimentação equilibrada
  • Praticar atividades físicas habitualmente
  • Evitar o sobrepeso e a obesidade
  • Ter moderação no consumo de bebidas alcoólicas
  • Não fumar (nem passivamente). 

Claro que essas prevenções não garantem totalmente que o câncer de próstata não se desenvolva, principalmente entre os homens que fazem parte do grupo de risco.

Porém, elas podem fazer toda a diferença para minimizar as chances de ocorrência e até gravidade da doença.

Importância do laudo precoce para o paciente com câncer de próstata

Se você já prestou atenção a alguma campanha do Novembro Azul, certamente sabe como o diagnóstico precoce é importante para o combate do câncer de próstata.

Ele garante que o tumor seja identificado em seus estágios iniciais, em que as chances de sucesso no tratamento são muito maiores

Como expliquei anteriormente, realiza-se essa detecção principalmente por meio do exame de sangue PSA ou do toque retal.

Contudo, é fundamental que todo homem com mais de 40 anos converse com seu urologista para avaliar a necessidade de investigações periódicas.

Além disso, ao perceber um sintoma urinário, é indicado procurar ajuda médica o quanto antes. 

Para você ter ideia, especialistas consultados pelo G1 indicam que as chances de cura do câncer de próstata são 90% maiores se o diagnóstico for obtido precocemente. 

Por isso, mantenha-se atento a possíveis sinais e siga todas as orientações para o seu perfil enquanto paciente.

Qual médico trata o câncer de próstata?

Geralmente, o tratamento é feito por uma equipe multidisciplinar que inclui, pelo menos, um urologista (especialista no sistema urinário e reprodutor masculino) e um oncologista (especialista no diagnóstico e tratamento do câncer).

Dependendo do quadro, esses médicos podem receber o suporte de um radioterapeuta para sugerir e realizar a radioterapia. 

Ou de um radiologista especializado em medicina nuclear, que conduz e interpreta exames de diagnóstico por imagem como a PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons).

Durante e após o tratamento, urologista e oncologista agendam consultas periódicas para avaliar a evolução da terapia. 

É comum que os encontros sigam mesmo após a remissão e retirada do tumor.

Nessa etapa, o paciente se beneficia da consulta de telemedicina, que permite receber assistência médica sem sair de casa.

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Perguntas frequentes sobre o câncer de próstata

A seguir, respondo algumas questões recorrentes entre pacientes e cuidadores. Acompanhe!

Quais são os primeiros sinais do câncer de próstata?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), os primeiros sintomas costumam surgir quando o tumor comprime a uretra (sintomas obstrutivos) ou impede o fluxo de urina, irritando a bexiga (sintomas irritativos). Diminuição do jato urinário, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e urgência miccional são alguns exemplos.

O que leva uma pessoa a ter câncer de próstata?

Assim como qualquer outro câncer, a neoplasia da próstata tem causa multifatorial. Envelhecimento, genética, sobrepeso, tabagismo, dieta rica em itens ultraprocessados e gordurosos e exposição a agentes químicos estão entre os fatores de risco.

Quantos anos a pessoa vive com câncer de próstata?

O prognóstico depende do tipo e do estágio do tumor, sendo estimado de forma personalizada. De maneira geral, a sobrevida é maior quando o diagnóstico é precoce e não há metástase.

O que pode ser confundido com câncer de próstata?

Existem condições que provocam sintomas semelhantes aos do câncer de próstata, mas são benignas, a exemplo de hiperplasia prostática benigna (aumento natural do tamanho da próstata com a idade), prostatite (inflamação da próstata), bexiga hiperativa (condição que causa urgência miccional) e estenoses de uretra (entupimento parcial ou total).

Conclusão

O câncer de próstata está entre os problemas de saúde masculinos que mais exigem cuidado. 

Afinal, há alta incidência dessa doença na população e podem ocorrer consequências fatais caso não haja um tratamento precoce e adequado.

Ao longo deste artigo, você conferiu como reconhecer os sintomas da doença, as recomendações para sua investigação, os fatores de risco que exigem atenção, alternativas para combatê-la e as ações preventivas. 

Continue se informando sobre outras condições tão relevantes quanto o câncer de próstata, acompanhando mais artigos sobre saúde aqui no blog.

 

Referências bibliográficas

https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios 

https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/prostata 

https://sbu-sp.org.br/publico/19556-2/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-10/cura-de-cancer-de-prostata-pode-chegar-ate-98

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/09/cancer-de-prostata-diagnosticado-no-inicio-pode-ter-90-de-chance-de-cura.html 

https://portaldaurologia.org.br/sua-saude/duvidas-frequentes/10-perguntas-sobre-o-cancer-de-prostata

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/05/nao-e-so-cancer-de-prostata-conheca-4-doencas-urologicas-que-afetam-homens.htm

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin