Esclareça as principais dúvidas sobre leucemia

Por Dr. José Aldair Morsch, 11 de junho de 2021
Esclareça as principais dúvidas sobre leucemia

A leucemia é um tipo de câncer recorrente no Brasil, que traz sérias consequências à saúde dos pacientes e pode ser fatal.

Seu diagnóstico precoce é imprescindível para o sucesso do tratamento, mas seus sintomas inespecíficos às vezes dificultam a devida assistência para a doença. 

Para que você saiba como reconhecer a condição e quais os meios mais eficazes de combatê-la, preparei este artigo com informações completas sobre o assunto.

A seguir, entenda melhor a patologia, seus principais tipos, causas, possibilidades de cura, fatores de risco, tratamentos e quais os sintomas de leucemia.

O que é leucemia? 

Leucemia é uma manifestação maligna de câncer, caracterizada pelo acúmulo de células patológicas na medula óssea, que ocupam o lugar das saudáveis.

A condição afeta principalmente os glóbulos brancos, chamados de leucócitos, gerando sintomas como febre, perda de peso, fraqueza, entre outros que abordo adiante. 

Nesse sentido, a medula óssea fica na cavidade dos ossos, e é nela onde são formadas as células presentes no sangue.

É nessa região que estão as células precursoras, responsáveis por dar origem aos leucócitos e a outros elementos, como plaquetas e hemácias. 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, mais de 10.800 pessoas adquirem leucemia todos os anos no Brasil, sendo que o número anual de mortes pela doença é de cerca de 7.370.

Principais tipos de leucemia

Os tipos de leucemia são mieloide e linfoide, mas ambos ainda se dividem entre agudos e crônicos. Confira:

Mieloide Aguda

Possui uma manifestação acelerada e atinge crianças e adultos igualmente. Além disso, seu combate inclui quimioterapia e transplante de medula óssea, que conferem até 80% de chances de cura.

Mieloide Crônica

Mais recorrente nos adultos, ela se manifesta lentamente e, às vezes, seus sintomas são de difícil reconhecimento. Na maioria dos casos, o tratamento é feito com medicamentos a vida inteira.

Linfoide Aguda

Avança rápido e afeta adultos e crianças igualmente. No início, é tratada com radioterapia e quimioterapia, mas pode exigir transplante de medula óssea caso as duas primeiras opções não a curem.

Linfoide Crônica

Seu desenvolvimento é lento e gradativo, e a maioria dos pacientes afetados são idosos, que nem sempre necessitam de tratamento.

Além dessas situações, a leucemia ainda pode ter quatro subtipos, que são: 

Linfocítica granular T ou NK

Seu desenvolvimento também é lento e progressivo, mas certas manifestações podem ser mais agressivas e de difícil tratamento.

Agressiva de células NK

Atinge adultos jovens e adolescentes. No mais, o vírus Epstein-Barr a provoca e a quimioterapia a trata.

Células pilosas

É um subtipo da leucemia linfocítica crônica, que não afeta crianças e é mais encontrada em homens. Nela, as células adquirem um aspecto em que parecem ter pelos.

Células T do adulto

É causada por uma doença viral parecida com o HIV, chamada de HTLV-1. É extremamente grave e tem tratamento muito pouco eficaz, que pode ser feito com transplante de medula e quimioterapia. 

O que causa leucemia? 

O que causa leucemia?

Em primeiro lugar, é reconhecido que tanto as leucemias agudas quanto as leucemias crônicas contam com alguns fatores que favorecem seu aparecimento (saiba mais sobre eles adiante).

Apesar disso, a Medicina e a Ciência em geral ainda não sabem ao certo quais são os motivos que levam ao seu desenvolvimento. 

Vale mencionar que a doença não é contagiosa. Ou seja, não pode passar de uma pessoa para outra. Além disso, não é hereditária, o que significa que não passa de pais para filhos. 

Quais os sintomas de leucemia?

Os sintomas clássicos da leucemia são percebidos com mais facilidade nas suas manifestações agudas. 

Isso porque, nos casos crônicos, os sinais aparecem lentamente e às vezes sequer são reconhecidos, sendo identificados posteriormente em exames de rotina.

Em geral, a doença inicialmente provoca emagrecimento acentuado, suor noturno e febre associada a calafrios. Depois que avança, seus sintomas incluem:

  • Dores nas articulações e nos ossos;
  • Aumento do baço, associado à dor na parte de cima esquerda do abdômen;
  • Cansaço, sonolência e palidez associados à anemia;
  • Infecções, como pneumonia, candidíase ou sapinho;
  • Manchas de leucemia roxas pela pele;
  • Sangramento da gengiva e do nariz;
  • Menstruação em maior volume;
  • Concentração baixa de plaquetas sanguíneas;
  • Ínguas inflamadas atrás dos ossos do cotovelo, no pescoço e axilas.

Além disso, quando afeta o sistema nervoso central, gera dor de cabeça, vômito, náuseas e visão duplicada.

Anemia pode virar leucemia? 

Como há uma associação entre os sintomas, muitas pessoas acreditam que a anemia pode virar leucemia em certos casos. 

Contudo, é importante destacar que essa afirmação não é verdadeira, ainda que a relação entre as duas condições exista.

Isso porque, ao comprometer a medula óssea, a leucemia prejudica a produção de glóbulos brancos e vermelhos, além das plaquetas. 

Ou seja, a partir da proliferação de células cancerígenas, esses elementos ficam insuficientes no organismo.

Uma vez que os glóbulos vermelhos se tornam insuficientes, a anemia também surge como consequência da leucemia. 

Dessa maneira, o oxigênio fornecido aos órgãos também é comprometido, gerando sintomas como tonturas, fadiga excessiva, falta de ar, palidez, vertigem e batimentos acelerados. 

Nesse sentido, a carência de leucócitos afeta o sistema imunológico, enquanto a falta de plaquetas favorece hemorragias, febres, dores nas articulações e manchas de leucemia

De forma resumida, não é verdade que a anemia pode virar leucemia, mas um quadro anêmico representa um importante sintoma desse tipo de câncer. 

Inclusive, isso reforça a importância de investigar qualquer tipo de anemia. Já que, muitas vezes, as pessoas tomam comprimidos de suplementação e deixam de consultar um médico – que em certos casos pode detectar alguma doença mais séria. 

Leucemia tem cura? 

Leucemia tem cura?

A leucemia tem cura em casos específicos, quando seu diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é ministrado o mais rápido possível.

Contudo, quando a intervenção demora e o organismo já está muito debilitado, a recuperação do paciente é mais difícil. 

Aproximadamente 80% das crianças conseguem ser curadas com procedimentos de quimioterapia ou transplante de medula óssea. Já nos adultos, o índice é menor. 

Inclusive, o transplante pode ser fonte de cura para muitas situações, mas pode ter complicações e ser contra-indicada.

Em todos os casos, os pacientes devem se informar com seus médicos para entender melhor suas possibilidades de cura e previsões de tratamento.

Fatores de risco e diagnóstico da leucemia 

O diagnóstico da doença geralmente é feito a partir da observação dos sintomas da leucemia no sangue e em determinadas áreas do organismo. 

Sendo assim, as verificações incluem a tendência de sangramento oriunda da diminuição de plaquetas, dores nos ossos e articulações causadas pela infiltração de células doentes. Além de náuseas, vômitos, desorientação e dores de cabeça provocadas pelo comprometimento do sistema nervoso central. 

Como os sintomas da leucemia são pouco específicos, muitos indivíduos acabam se confundindo com outras doenças mais comuns. E isso prejudica a prevenção de seu agravamento e suas chances de cura.

Por isso, é fundamental que os sinais da patologia sejam observados junto aos seus fatores de risco. Caso você tenha ambos, é imprescindível realizar uma investigação junto a um clínico geral, hematologista ou oncologista. 

Nesse sentido, as condições de risco da leucemia incluem: 

  • Exposição a químicos: certos produtos podem aumentar o risco de desenvolvimento de certos tipos de leucemia. O maior exemplo é o benzeno, muito utilizado na indústria química e presente na gasolina;
  • Tabagismo: o hábito de fumar cigarros está associado a maiores riscos de leucemia mielóide aguda;
  • Tratamentos de câncer anteriores: quem já realizou tratamentos de radioterapia e quimioterapia possui mais riscos para a leucemia;
  • Histórico familiar: aqueles com membros da família já diagnosticados com a doença têm mais chances de desenvolvê-la;
  • Problemas genéticos: anormalidades genéticas estão ligadas a maiores riscos de leucemia, como é o caso da síndrome de Down e outras semelhantes.

Quais são os tratamentos para leucemia?

Quais são os tratamentos para leucemia?

Os tratamentos para leucemia podem variar de acordo com o tipo de manifestação da doença, a idade do paciente, as condições gerais de saúde e como ela já se espalhou no organismo.

Após realizar a consulta médica, solicitar exames e definir o diagnóstico, o médico pode ministrar diversos tipos de intervenções, associadas ou não. Entre elas, as mais comuns são:

Terapia de radiação

Nela, feixes de alta radiação, como raios-X, são utilizados para comprometer as células de leucemia e frear seu desenvolvimento.

Durante o tratamento, o paciente fica em uma mesa enquanto o equipamento se move ao seu redor, direcionando os feixes em áreas específicas do corpo ou em todo ele.

Em determinadas situações, a radioterapia ainda serve como meio de preparo para um transplante de medula óssea. 

Terapia biológica

Já a terapia biológica associa diferentes tipos de tratamentos. Isso porque eles têm como objetivo auxiliar o sistema imune do paciente a reconhecer as células de leucemia e atacá-las com mais eficiência. 

Quimioterapia

Muito conhecida por diversos tipos de câncer, a quimioterapia é também a principal intervenção contra a leucemia

Nela, diferentes substâncias químicas servem para matar as células afetadas. A depender do caso, elas são injetadas diretamente na veia ou ingeridas como pílulas. 

Assim como a terapia de radiação, essa técnica também serve como preparação para um transplante. 

Transplante de medula óssea

Também chamado de transplante de células-tronco, ou de células estaminais, esse procedimento visa substituir a medula óssea comprometida do paciente por uma saudável, de um doador. 

Antes da intervenção, o indivíduo deve realizar sessões severas de radioterapia ou quimioterapia para destruir a medula óssea doente. Depois, se ministra uma infusão de células formadoras de sangue para auxiliar na reconstrução da medula. 

Além da possibilidade de doação de medula, a pessoa ainda pode receber suas próprias células-tronco, a depender de cada situação. 

Terapia direcionada

Nas terapias direcionadas, ou diretas, se prescreve algumas drogas para atacar determinadas vulnerabilidades dentro das células cancerígenas.

Um exemplo é o medicamento Imatinib, que freia a ação de uma proteína recorrente em células afetadas pela leucemia mielóide crônica, auxiliando no controle da doença. 

Sendo assim, outros fármacos comuns no controle da doença são:

  • Prednisona;
  • Betatrinta;
  • Decadron;
  • Duoflam;
  • Diprospan;
  • Celestone;
  • Androcortil;
  • Prednisolona;
  • Dexametasona;
  • Betametasona.

Apenas um especialista pode determinar qual é a melhor substância para cada caso, a duração do seu consumo e a dosagem. 

Uma vez definido o tratamento, jamais pare de tomar o medicamento sem antes consultar o seu médico. Mesmo se ele causar efeitos adversos, pois isso pode gerar riscos. 

Dito isso, também vale reforçar que a automedicação jamais deve ser feita, especialmente em condições tão sérias como é o caso da leucemia

Conclusão

A leucemia é um tipo de câncer que compromete as células presentes na medula óssea, afetando principalmente a produção de glóbulos brancos e de outros elementos fundamentais para a composição sanguínea.

Seus tipos podem variar, assim como suas manifestações agudas e crônicas, além dos sintomas oriundos delas. Inclusive, essa variabilidade torna sua identificação difícil entre os pacientes, que às vezes a confundem com outras doenças comuns e menos graves. 

Por isso, é fundamental ficar atento aos seus fatores de risco e garantir a investigação precoce da doença. Nesse sentido, eles incluem situações como exposição a químicos, tabagismo, histórico familiar, disfunções genéticas e tratamentos anteriores de câncer. 

Logo, a importância desse cuidado está ligada à antecipação do tratamento, que caso seja tardio, pode diminuir severamente as chances de cura do paciente. Assim, suas principais intervenções incluem radioterapia, quimioterapia, terapia direta, biológica, direcionada e transplante de medula óssea.

Inclusive, é possível usar esses meios de combate sozinhos ou associados, a depender de cada caso. 

Se você gostou de conhecer mais a fundo os riscos da leucemia e quer se informar sobre outras condições de saúde tão importantes quanto essa, não deixe de acompanhar os próximos conteúdos do blog!

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Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin