Surdez, o que é? Como prevenir?

Por Dr. José Aldair Morsch, 21 de junho de 2015
Surdez: como é?

O que é surdez?

A surdez ocorre quando há dificuldade ou impossibilidade de captar, conduzir ou perceber os estímulos sonoros oriundos do ambiente.

Como se dá a surdez?

A surdez pode se dar em virtude de dificuldades de condução dos estímulos através das vias auditivas (surdez de condução) ou por transtornos das células perceptivas da cóclea ou do centro cerebral auditivo (surdez de percepção). Ambos os tipos de surdez podem ser uni ou bilateral; parcial ou total; progressiva ou súbita; iniciarem na infância ou na idade adulta e serem de grau leve, moderado, severo ou grave.

As diferentes combinações desses fatores levam a déficits de audição que podem ser classificados em quatro categorias:

  1. Por condução: envolve perturbação na transmissão mecânica de sons (ouvido externo ou médio).
  2. Neurossensorial: resulta de dano no ouvido interno e nas fibras nervosas associadas.
  3. Mista: associação dos dois anteriores.
  4. Central: devido a lesões bilaterais do córtex auditivo ou do tronco cerebral.

Quais são as causas da surdez?

Se uma criança nasce surda (surdez congênita), a causa pode ser genética (hereditária) ou embrionária (adquirida no útero). As principais causas da deficiência congênita são:

  • Hereditariedade.
  • Viroses maternas durante a gravidez (rubéola, sarampo, por exemplo).
  • Doenças tóxicas da gestante (sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose, por exemplo).
  • Ingestão pela gestante de medicamentos tóxicos que lesam o nervo auditivo do feto e consumo de álcool ou drogas pela grávida.

A deficiência auditiva pode ser adquirida posteriormente, quando ocorrem:

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  • Doenças infecciosas bacterianas ou virais.
  • Tumores.
  • Ingestão de remédios tóxicos para os ouvidos.
  • Exposição a sons impactantes (como os de uma explosão) ou a sons contínuos muito altos (acima de 75 decibeis), por exemplo.

Nos idosos, a perda de audição é devida aos desgastes próprios da idade. Nem sempre nosso conhecimento é capaz de discernir e identificar todas essas causas e por isso em cerca de 50% dos casos a origem da deficiência é atribuída a ”causas desconhecidas”. Talvez seja mais fácil reconhecer as causas de perdas auditivas súbitas (unilaterais ou bilaterais). Entre elas, encontram-se:

  • Formação de coágulos nos vasos que irrigam a cóclea.
  • Processos infecciosos (sarampo, rubéola, herpes, etc.), ou mesmo gripe comum.
  • Alergias (reação a soros, vacinas, picadas de abelha ou comidas).
  • Tumor no nervo auditivo.
  • Processos imunológicos que podem atacar a cóclea.
  • Excesso de ruído.
  • Infecção bacteriana do labirinto.
  • Degeneração neurológica.
  • Fratura do osso temporal.
  • Fístula perilinfática.
  • Obstrução dos condutos auditivos por cera ou inflamações.

A surdez de condução pode ser por causas muito variadas, de natureza e gravidade diversas (desde um tampão de cera auricular a um tumor), ligadas a uma obstrução do canal auditivo externo, a uma alteração do tímpano, a uma otite média, a uma obstrução da trompa de Eustáquio ou a um transtorno na cadeia de ossículos do ouvido médio.

A surdez de percepção, também chamada de neurossensorial, deve-se a uma lesão da cóclea, onde se encontram as células de captação sensorial ou, em raras ocasiões, da área auditiva do cérebro. Sua origem também pode ser muito variada, congênita ou adquirida.

Quais são os sinais e sintomas da surdez?

Em casos de surdez de grau leve as pessoas podem ter dificuldades de constatar que ouvem menos que o normal. Quando a perda se torna um pouco mais intensa os sons podem ficar distorcidos e as palavras, por exemplo, se tornam abafadas e mais difíceis de entender.

Fica difícil acompanhar uma conversação de várias pessoas falando ao mesmo tempo ou em locais onde exista eco. Mais adiante, os sons habituais tornam-se difíceis de serem ouvidos e o deficiente auditivo pede, a todo o momento, que se fale mais alto ou que se repita as palavras.

Geralmente, na surdez de condução o indivíduo afetado ouve melhor em ambientes ruidosos porque o ruído de fundo não o incomoda, enquanto que obriga o interlocutor a elevar o volume da sua voz. A surdez de percepção não melhora ao elevar-se o volume dos sons (gritar, aumentar o som da televisão, etc.).

Na surdez muito grave ou total, a pessoa dá sinais de nada estar escutando. Os recém-nascidos com surdez profunda não se assustam com sons altos, como seria de se esperar.

Crianças com problemas de audição têm dificuldades no desenvolvimento da linguagem e se chegarem à escola sem que ela tenha sido diagnosticada, a surdez prejudica o aprendizado. Alguns casos de surdez, na dependência de sua causa, podem ser acompanhados por sintomas adicionais como, por exemplo, dor, febre, zumbido e vertigens.

Como o médico diagnostica a surdez?

A história clínica do paciente é o primeiro passo diagnóstico. Podem seguir-se um exame direto do ouvido e testes com diapasão que visem determinar o tipo de surdez (se de condução ou percepção). Geralmente uma audiometria complementa o diagnóstico.

Se, associadamente, estiver presente a tontura, o labirinto e o sistema nervoso central devem ser investigados por meio de testes específicos. A ressonância magnética está indicada nos casos em que houver suspeita de um tumor afetando o aparelho auditivo. A surdez central é mais difícil para ser diagnosticada e frequentemente tem de ser presumida, depois de serem excluídas as demais alternativas.

Como o médico trata a surdez?

Nesse, como em todos os assuntos relativos à saúde, a prevenção é palavra-chave, mas uma vez estabelecida, a surdez muitas vezes ainda pode ser curada.

A surdez de condução pode ser tratada por meios simples, como instrumentos, medicamentos ou cirurgia, conforme o caso. Para minorar ou solucionar este tipo de surdez, além do tratamento adequado da doença de base, pode-se usar um aparelho auditivo. Já a surdez neurossensorial quase nunca tem solução. Aqui, os aparelhos auditivos não têm qualquer utilidade.

O implante coclear (dispositivo eletrônico que visa proporcionar uma sensação auditiva próxima à fisiológica), ainda raro entre nós, pode ser uma opção para os portadores de surdez neurossensorial profunda.

Mas como ouvir não é apenas escutar e implica também na interpretação dos sons, um treinamento auditivo com um fonoaudiólogo é necessário, sobretudo nos pacientes que nunca escutaram antes. Na surdez dos idosos, a solução consiste no uso de uma prótese.

Como é o aparelho auditivo ou prótese auditiva?

Para saber melhor sobre a surdez é necessário compreender como está constituído e como funciona o aparelho auditivo. O órgão da audição pode ser dividido em três partes:

O ouvido externo é formado pelo pavilhão auricular e por um canal de mais ou menos 2,5 cm de comprimento, chamado canal auditivo, que termina na membrana timpânica. A função principal do ouvido externo é captar e amplificar os sons oriundos do exterior e dirigi-los para o ouvido médio.

O ouvido médio é uma cavidade cheia de ar que começa no tímpano e que contém três ossículos articulados entre si: o martelo, a bigorna, e o estribo.

O tímpano é uma membrana rígida, muito resistente, que vibra como a tampa de um tambor, em consonância com as ondas sonoras captadas pelo ouvido externo e as transforma em vibrações que são levadas ao ouvido interno.

Nele se abre também a tuba auditiva, estrutura que comunica essa parte do aparelho auditivo com as fossas nasais e que tem a função de equalizar a pressão daquela cavidade.

O ouvido interno ou labirinto é formado pelo aparelho vestibular, pela cóclea e pelo nervo auditivo. O aparelhovestibular é constituído por canais semicirculares, responsáveis em parte pelo equilíbrio e sem funções propriamente auditivas.

As ondas sonoras captadas pelo ouvido externo e tornadas vibrações pelos ossículos do ouvido médio são transformadas posteriormente em impulsos nervosos pelo ouvido interno, onde são recebidos pela cóclea e conduzidos pelo nervo auditivo até as células sensoriais auditivas do cérebro.

Como evolui a surdez?

A evolução da surdez depende do que a esteja causando. Se houver, por exemplo, surdez súbita devido a uma explosão, ou coisa semelhante, a audição pode retornar ao normal em 24 horas.

Entretanto, se a exposição a ruídos muito altos (acima de 75 decibeis) for repetitiva, ela pode causar danos ao ouvido interno e a surdez poderá ser irreversível.

Em crianças com otite média costuma haver acúmulo de secreção atrás do tímpano que, na maioria das vezes, é absorvida pelo organismo e a audição tende a se normalizar em algumas semanas.

Na surdez do idoso e na perda auditiva por medicamentos de uso contínuo, em geral a surdez aumenta gradativamente.

Como prevenir a surdez?

A prevenção da surdez deve começar no útero, através da prevenção ou do tratamento de doenças maternas que podem afetar o desenvolvimento normal do aparelho auditivo do feto, do tratamento adequado das otites infantis e de cuidados com os medicamentos potencialmente tóxicos para o ouvido.

Exames preventivos de audição devem ser feitos nos recém-nascidos, porque quanto mais cedo for percebida a deficiência auditiva, mais fácil será a abordagem terapêutica.

Em casa e na escola deve-se observar se há atrasos no desenvolvimento da linguagem, dificuldade de aprendizagem e isolamento, geralmente indicadores de deficiência auditiva. Deve-se evitar os ruídos contínuos acima de 75 decibeis, mas se a pessoa é obrigada a estar em locais onde eles existem, deve usar algum protetor de ouvido.

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Dr. José Aldair Morsch – Cardiologista – Especialista em Telemedicina

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia pela PUC-RS. Pós-graduação em Cardiologia Pediátrica pela PUC-RS. Linkedin

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