Orientações práticas sobre audiometria ocupacional

Por Dr. José Aldair Morsch, 27 de junho de 2015
Orientações para médicos do trabalho realizarem audiometria ocupacional básica em suas Clínicas

Este descritivo sobre audiometria ocupacional é dividido em etapas para que os médicos da área de medicina ocupacional possam interagir melhor com o exame no seu dia-a-dia e acompanhar seus  pacientes.

Muitos médicos montam seus serviços de medicina ocupacional em locais remotos, longe de serviços que realizam audiometria e podem ter a oportunidade de fazer uma triagem nos colaboradores de empresas da região como forma de auxílio nas decisões de seus PCMSO.

Essa condição facilita nos casos de difícil acesso do trabalhador a este exame e auxilia no acompanhamento em locais remotos. Nesta portaria do CFM podemos conferir as atribuições.

Materiais utilizados no exame de audiometria:

1-Sala de atendimento com poucos ruídos externos

2-Um aparelho de audiometria, chamado audiômetro, certificado pela ANVISA

Solicite um orçamento

3-Uma cabine acústica própria para o exame

4-Um otoscópio para examinar o conduto auditivo do paciente

Antes do exame de audiometria é importante examinar o contudo auditivo para descartar que esteja entupido de cera.

OTOSCÓPIO USADO PARA EXAMINAR O CONDUTO AUDITIVO

 5-Ficha de atendimento de sua clinica para ser preenchida antes do exame

6-Tabela de marcação dos valores de limiares auditivos encontrados no exame

Etapas no atendimento do paciente que vai realizar o exame:

Incie o atendimento chamando o paciente que está na sala de espera e faça a entrevista inicial usando a ficha de atendimento de sua empresa. Em seguida comece com o exame do conduto auditivo conforme sua formação clínica.

1-Procure deixar o paciente sentado confortavelmente e examine ambos os ouvidos

Para que o paciente esteja apto a realizar uma audiometria é necessário que o conduto auditivo esteja íntegro, sem acúmulo de cerúmen, sem otites ou qualquer outra alteração. Caso observe alguma anormalidade, trate de acordo com sua experiência clínica, seja removendo o cerúmen ou usando antibióticos e só depois realize o exame.

2-Instrua o paciente a entrar na cabine acústica e oriente quanto ao uso do fone de ouvido

Lembre-se de colocar o fone de ouvido de acordo com as cores, ou seja, vermelho na orelha direita e azul na orelha esquerda.

Se o seu aparelho tem um botão que o paciente pode apertar quando ouvir o som, solicite que cada vez que ele ouvir um som em qualquer dos ouvidos, independente da intensidade, que aperte e solte o botão.

Se o aparelho não dispuser do botão, combine com o paciente para que ele levante a mão sempre que ouvir o som. Assim você saberá se o paciente recebeu o estímulo sonoro.

3-Configurando o aparelho para realizar o exame

Procure seguir os passos de ligar o aparelho, escolher tone, AC, impulse e se familiarizar com os botões que regulam os decibéis e frequência do som que será emitido no fone do ouvido do paciente. Existem várias marcas de aparelhos e você deve seguir de acordo com o manual de instruções de cada fabricante.

4-Escolhendo e entendendo os limiares de teste de audição

Durante o exame de audiometria escolhemos uma combinação de decibéis e frequência de onda emitidos para pesquisa dos limiares auditivos. Detalhes da execução do exame podem ser esclarecidos com um fonoaudiólogo.

5-Realizando um exame e anotando na tabela de limiares

Quando realizamos a audiometria do ouvido direito, como é rotina, iniciamos testando uma intensidade de decibéis considerada audível pelo paciente. Numa pessoa normal se encontra na faixa de 0 a 25 decibéis. Diante disso seguimos por exemplo os seguintes passos:

1-Ajustamos o limiar inicial em 25 decibéis numa frequência de 1000 Hz e avaliamos se o paciente ouviu o som emitido.

2-Reduzimos de 10 em 10 decibéis até que ele não escute mais o som emitido.

3-Aumenta-se então de 5 em 5 decibéis até que o paciente confirme que escutou o som emitido. O valor encontrado em que o paciente ouviu o som emitido é registrado na planilha, colocando os decibéis e frequência testados.

4-Essa combinação de decibéis e frequência de som emitidos é testada nas frequências de 250, 500, 1000, 2000, 3000, 4000 e 8000 Hz.

5-Utilizamos uma caneta vermelha e anotamos os valores das combinações positivas encontradas entre decibéis e frequência na forma circular para o ouvido direito e uma caneta azul para o ouvido esquerdo, marcando com um X cada combinação.

Finalizando o exame, é necessário enviar a ficha de atendimento e a tabela de valores obtidos para um fonoaudiólogo dar uma opinião, caso tenha dúvidas no resultado.

A nossa intenção com esse descritivo é disponibilizar para os serviços de medicina ocupacional que estão localizados remotamente neste País, sem acesso a um fonoaudiólogo uma espécie de triagem nos exames de audiometria ocupacional feita pelo médico do trabalho presente no serviço que montou e jamais substituir um exame feito pelo fonoaudiólogo.

Á partir do momento que se sinta inseguro com o resultado, é possível pedir opinião de um fonoaudiólogo para analisar o exame que dará seu parecer técnico, nunca o diagnóstico, visto que é de competência médica a interpretação do exame e se constatar algum rebaixamento auditivo, deve encaminhar esse paciente para um serviço terciário, como um otorrinolaringologista para uma avaliação mais completa e indicar a conduta clinica ideal.

Após estudar profundamente este descritivo teórico para médicos, recomendamos que marque um treinamento prático com um fonoaudiólogo para se interagir melhor com o aparelho e realizar alguns exames até se sentir seguro para atuar na sua clinica.

A responsabilidade pela execução do exame é do médico que assumiu o ato de avaliar o paciente, realizar um exame que se ache capaz e conduzir de acordo com seu conhecimento clinico e científico a especialidade em questão.

Esta condição fica muito bem esclarecida neste parecer o Conselho Regional de Medicina do PR onde declara “todo profissional médico é responsável ética e profissionalmente pelo ato que pratica”.

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG - Fundação Universidade do Rio Grande - RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin

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