O que é hiperplasia prostática benigna (HPB) e como ocorre o diagnóstico?

Por Dr. José Aldair Morsch, 2 de novembro de 2021
Hiperplasia prostática benigna

Você já ouviu falar em hiperplasia prostática benigna? Conhece seus possíveis riscos e impactos sobre a qualidade de vida dos homens?

Favorecida pelo avanço da idade, a condição afeta aproximadamente 50% dos pacientes acima dos 50 anos, segundo estima a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

Para aqueles na faixa dos 90 anos, a prevalência é significativamente maior: aproximadamente 80% da população masculina apresenta a condição nessa idade. 

Apesar de ser uma condição benigna e que não está ligada a nenhum tipo de câncer, seu diagnóstico e tratamento exigem bastante atenção.

Isso porque, além da grande prevalência, o problema pode gerar complicações se não for combatido a tempo. 

Elas impactam o sistema urinário e outros órgãos, como os rins.

Inclusive, muitas vezes os sintomas iniciais são confundidos com os do câncer de próstata.

Por isso, conhecê-los é fundamental para buscar a assistência correta e evitar alarmes falsos.

Preparei este artigo para esclarecer tudo o que você precisa saber sobre esse tema central para a saúde do homem

A seguir, entenda melhor o que é hiperplasia prostática benigna, suas causas, sintomas, fatores de risco, possíveis complicações, diagnóstico, tratamentos e muito mais. 

O que é hiperplasia prostática benigna (HPB)?

Hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição urinária ocasionada pelo aumento da próstata.

Trata-se de uma das alterações benignas mais frequentes da próstata.

Ele é comum nos indivíduos com mais de 40 anos e sua incidência aumenta na medida em que a idade avança.

Sua principal consequência é dificultar o ato de urinar

Isso prejudica significativamente a qualidade de vida e pode levar a complicações, que explico melhor adiante neste artigo.

Ao contrário do que muitos acreditam, quem sofre com hiperplasia prostática benigna não tem predisposição aumentada para o câncer de próstata.

Entretanto, como citei na introdução, seus sintomas podem gerar confusões, trazendo preocupação para os pacientes e familiares.

Também é possível que o homem tenha HPB e câncer de próstata ao mesmo tempo. 

Em todos os casos, garantir o diagnóstico correto e precoce é fundamental.

Nesse sentido, existem diversas alternativas de tratamento eficientes para a hiperplasia prostática benigna.

Antes de saber mais sobre elas, veja abaixo detalhes sobre as causas, sintomas e outras características marcantes da doença. 

HPB

Hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição urinária ocasionada pelo aumento da próstata

Quais são as causas da hiperplasia prostática benigna? 

Você provavelmente já sabe que a próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino. Ela fica abaixo da bexiga e cerca a uretra.

Em condições normais, ela é relativamente pequena, ou seja, compara-se seu tamanho com o de uma noz.

No entanto, quando há alterações, suas células crescem e acabam alargando a glândula

É isso que gera os sintomas e complicações típicos da hiperplasia prostática benigna.

Mesmo que o avanço da idade seja reconhecido como o principal fator para a ocorrência desse processo, as causas exatas não são bem definidas. 

Acredita-se que esteja ligado a alterações provocadas por hormônios como a testosterona e a di-hidrotestosterona. 

Contudo, não há consenso na comunidade médica e científica.

Além das mudanças hormonais da idade, outros fatores podem estar relacionados, como alterações genéticas e o próprio histórico familiar do paciente. 

Sintomas comuns da hiperplasia prostática benigna

A hiperplasia prostática benigna tem sintomas diretamente ligados ao sistema urinário

Eles incluem problemas como: 

  • Dificuldade para começar a micção
  • Aumento da frequência urinária (muitas vezes urgente)
  • Jato fraco de urina (às vezes com interrupções)
  • Sensação de bexiga cheia mesmo depois de urinar
  • Vontade de urinar que faz o paciente acordar várias vezes durante a noite.

Normalmente, os sintomas se agravam com o passar do tempo, na medida em que a próstata aumenta e aperta a uretra. 

Entretanto, nem sempre o tamanho da glândula está ligado à intensidade dos sintomas. 

Isso porque existem diversos casos de hiperplasia prostática benigna com sintomas bastante acentuados, mas em que o aumento observado ainda é pequeno.

Essa variabilidade reforça a importância do devido apoio médico para controlar a condição, minimizar seus efeitos e evitar dores de cabeça ainda maiores com riscos de complicações. 

Como a hiperplasia prostática benigna se desenvolve no paciente?

Uma vez que a próstata envolve a uretra, seu aumento muitas vezes dificulta ou até bloqueia a passagem de urina.

Como ela também fica abaixo da bexiga, o crescimento da glândula a pressiona e faz a vontade de urinar ser maior.

A hiperplasia prostática benigna ocorre gradualmente, de forma lenta.

Sendo assim, a maioria dos pacientes não percebe a condição inicialmente.

Isso até o crescimento celular aumentar a glândula o bastante para o aparecimento dos sintomas. 

No começo, o homem pode sentir apenas uma alteração no fluxo urinário

Geralmente, a micção se torna mais fina e tem um jato reduzido. 

Os demais sintomas e as chances de complicações aumentam na medida em que a próstata cresce. 

Cabe ao urologista realizar o acompanhamento para evitá-los. 

Nesse cenário, as alternativas de tratamento são diversas. Todas têm suas próprias vantagens e desvantagens.

A escolha depende do caso específico e do perfil do paciente. 

Por exemplo, em casos de sintomas leves, faz mais sentido esperar e só iniciar uma intervenção se eles se tornarem incômodos ou severos.

Conhecer os fatores de risco e possíveis complicações é muito importante nesse processo, a fim de adotar as medidas que façam sentido para a saúde e bem-estar do paciente. 

Quais os fatores de risco da hiperplasia prostática benigna?

A hiperplasia prostática benigna é motivada pelas alterações hormonais que ocorrem com o avanço da idade.

Sobretudo, a maior incidência ocorre entre homens de 50 anos ou mais.

Somado a isso, está o histórico familiar. 

Aqueles que têm parentes próximos que tiveram problemas na próstata possuem mais chances de desenvolver a doença.

Inclusive, a presença anterior de algumas doenças também pode aumentar a predisposição para a hiperplasia prostática benigna.

Nesses casos, as condições prévias mais associadas ao crescimento benigno da próstata incluem doenças cardiovasculares e diabetes.

Por fim, observa-se que o sedentarismo pode facilitar o surgimento da HPB. 

Homens com excesso de peso ou que tenham obesidade também estão incluídos no grupo de maior risco. 

Problemas decorrentes da hiperplasia prostática benigna

Quando a hiperplasia prostática benigna não é tratada a tempo, ou mesmo quando não recebe as intervenções adequadas, algumas complicações severas podem surgir.

A principal delas é a retenção urinária crônica, que ocorre quando há dificuldade para o esvaziamento completo da bexiga. 

Isso piora com o passar do tempo, gerando desconforto e dores.

Nessas situações, a presença de bactérias na urina residual favorece o surgimento de infecções urinárias e até de pedras na bexiga.

Com o passar do tempo, a bexiga pode perder sua capacidade de contração, o que desencadeia a incontinência urinária. 

Nesse contexto, há a possibilidade de que outros órgãos próximos sejam atingidos pelas complicações, com destaque para os rins.

Em alguns casos, pode ocorrer a retenção urinária aguda, que torna o paciente incapaz de urinar repentinamente. 

Trata-se de uma situação extremamente dolorosa e que exige tratamento urgente para aliviar os sintomas. 

Praticamente todas essas complicações podem ser prevenidas com o diagnóstico precoce da hiperplasia prostática benigna. 

Como é feito o diagnóstico de hiperplasia prostática benigna?

Sempre que qualquer sintoma for percebido, o paciente deve procurar um urologista de sua confiança para realizar uma consulta médica.

Depois de ouvir e analisar o relato do indivíduo, o especialista deve realizar um exame de toque retal.

A finalidade do procedimento é identificar o possível aumento da próstata

Se acompanhado pela presença de áreas rígidas, também há a suspeita de câncer. 

A fim de confirmar o diagnóstico, alguns exames complementares são solicitados. 

A avaliação pode incluir ultrassonografia para estimar o volume da próstata e o resíduo urinário após a micção, além de história clínica, exame físico e outros testes indicados pelo urologista. 

Em relação às consequências e complicações da HPB, a bateria de exames pode ser ainda mais completa. 

O PSA pode ser solicitado conforme a idade, o risco individual e a necessidade de investigar câncer ou estimar características da próstata.

Se há suspeita de sangue na urina ou infecção urinária, realiza-se o exame de urina tipo I. Para isso, a urina é coletada e então analisada em laboratório.

Por fim, o médico pode verificar se a hiperplasia prostática benigna afeta outros órgãos.

Para isso, são feitos exames de sangue de creatinina e ureia, que possibilitam avaliar a função renal. 

Hiperplasia prostática benigna Causas

A hiperplasia prostática benigna tem sintomas diretamente ligados ao sistema urinário

Qual o tratamento para hiperplasia prostática benigna?

A hiperplasia prostática benigna tem tratamento que varia de acordo com os padrões dos sintomas avaliados no diagnóstico e com o próprio perfil do paciente. 

Ele tem direito de ser informado sobre as alternativas à sua disposição e orientado quanto às intervenções mais eficientes, segundo a análise do urologista.

Dentre os procedimentos mais comuns para a doença, destacam-se os tratamentos medicamentosos, as práticas minimamente invasivas e a realização de cirurgia.

Confira os principais detalhes e indicações para cada caso: 

Tratamento medicamentoso

Os remédios para hiperplasia prostática geralmente são indicados para homens com sintomas leves e moderados.

Diversas substâncias podem ser recomendadas, separadamente ou em conjunto, dependendo de cada caso (lembre-se: a automedicação nunca deve ser uma alternativa).

Elas incluem inibidores da 5-alfa-redutase, que inibem alguns processos hormonais masculinos e contribuem para a diminuição da próstata.

Há outra opção de medicamento que chamamos de bloqueadores alfa

Eles relaxam as fibras da próstata e os músculos da bexiga, o que facilita o ato de urinar.

Ainda há a tadalafila

Ela é recomendada para disfunção erétil, mas também serve para combater os sintomas da hiperplasia prostática benigna em algumas situações. 

Tratamentos minimamente invasivos

Já para os pacientes com sintomas de moderados a severos, ou que receberam os remédios citados acima e não apresentaram melhorias, existem outros tratamentos. 

Atualmente, há diferentes tipos de terapias minimamente invasivas para o combate da hiperplasia prostática benigna.

Essas técnicas incluem terapia laser, incisão transuretral da próstata, lifting prostático, termoterapia transuretral por micro-ondas, entre outras.

Entretanto, essas intervenções podem gerar complicações e efeitos adversos. 

Os principais são sangramento na urina, ejaculação retrógrada e disfunção erétil. 

Vale ressaltar, então, a importância da discussão minuciosa de cada opção com o médico, além da realização de um acompanhamento completo para minimizar as possíveis consequências. 

Tratamento cirúrgico

A cirurgia pode ser indicada em casos de sintomas importantes, complicações, falha do tratamento clínico ou outras condições definidas pelo urologista. 

O volume prostático auxilia na escolha da técnica. 

As cirurgias removem ou reduzem o tecido prostático que causa a obstrução e costumam melhorar os sintomas, embora os resultados e riscos variem conforme o procedimento e o paciente. 

Existem diferentes técnicas cirúrgicas e endoscópicas, escolhidas conforme o tamanho da próstata, a anatomia, os sintomas e as condições clínicas do paciente. 

Como aliviar os sintomas da hiperplasia prostática benigna

Associadas ao tratamento médico, algumas boas práticas ajudam a aliviar os sintomas incômodos da HPB. Por exemplo:

  • Não segurar o xixi
  • Diminuir a ingestão de líquidos antes de dormir
  • Reduzir o consumo de alimentos diuréticos (chá, café, bebidas alcoólicas)
  • Praticar atividade física regularmente.

Continue lendo para entender como prevenir e tratar a condição.

É possível prevenir a hiperplasia prostática benigna?

Não existe uma prevenção definitiva para a doença.

Contudo, investir em um estilo de vida saudável, adotando uma dieta com pouca gordura e muitos vegetais variados pode ajudar.

O mesmo vale para evitar os fatores de risco, mantendo o peso ideal com o apoio da dieta adequada e atividade física pelo menos três vezes por semana.

Outra dica é fazer o check-up médico anualmente, em especial após os 40 anos, incluindo consultas com o urologista para um acompanhamento preventivo.

A periodicidade do acompanhamento deve ser definida conforme idade, histórico e fatores individuais. 

Qual médico trata a hiperplasia prostática benigna?

O diagnóstico e tratamento são conduzidos pelo urologista, especialista em condições que acometem os aparelhos urinário e reprodutor masculino. 

A assistência inicial deve ser feita presencialmente para viabilizar o exame físico completo, mas os atendimentos posteriores podem se beneficiar da consulta de telemedicina, que dispensa deslocamentos e filas de espera.

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Perguntas frequentes sobre hiperplasia prostática benigna

Veja, agora, respostas diretas para questionamentos recorrentes sobre a HPB:

Como combater a hiperplasia benigna da próstata?

Quadros leves podem dispensar tratamento, pedindo apenas monitoramento médico e mudanças no estilo de vida para evitar complicações. Já os casos moderados a graves podem ser tratados com medicamentos, procedimentos minimamente invasivos ou cirurgia para remover ou reduzir o tecido prostático que causa a obstrução.

O que leva um homem a desenvolver a hiperplasia prostática benigna?

Muitas vezes, o aumento da próstata é uma consequência natural do envelhecimento. Porém, fatores genéticos, alterações hormonais, comorbidades e aspectos do estilo de vida também podem contribuir para o desenvolvimento da hiperplasia prostática benigna.

O que piora a hiperplasia prostática?

Dieta rica em gordura saturada e itens irritantes da bexiga, como álcool e cafeína, podem piorar os sintomas. Excesso de peso, exposição ao frio e o hábito de beber muito líquido à noite também tendem a agravar a HPB.

Quanto tempo dura o tratamento para hiperplasia prostática benigna?

A duração depende do tratamento realizado. Geralmente, a terapia medicamentosa dura vários anos, pois utiliza remédios de uso contínuo para diminuir o tamanho da próstata. Já os procedimentos minimamente invasivos e as cirurgias maiores se resolvem em algumas horas, com recuperação em cerca de 4 semanas.

Conclusão

Apesar de ser uma doença comum e não cancerosa, a hiperplasia prostática benigna é uma das principais condições de saúde que afetam o sexo masculino.

Sendo assim, ela exige muito cuidado e atenção entre os homens, para que não tenham sua segurança e bem-estar comprometidos. 

Caso não haja o tratamento precoce, o aumento da próstata pode gerar complicações que afetam a integridade da bexiga e dos rins. 

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Referências bibliográficas

https://portaldaurologia.org.br/sua-saude/duvidas-frequentes/hpb-afeta-cerca-de-50-dos-homens-acima-de-50-anos

https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2832

https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-masculina/dist%C3%BArbios-benignos-da-pr%C3%B3stata/hiperplasia-prost%C3%A1tica-benigna 

https://telessauders.ufrgs.br/perguntas/como-realizar-o-manejo-de-pacientes-com-hiperplasia-prostatica-benigna-hpb-na-aps

https://aps-repo.bvs.br/aps/como-diagnosticar-e-tratar-pacientes-com-hiperplasia-prostatica-benigna-no-ambito-da-atencao-primaria-a-saude/

Dr. José Aldair Morsch
Dr. José Aldair Morsch
Cardiologista
Médico formado pela FAMED - FURG – Fundação Universidade do Rio Grande – RS em 1993 - CRM RS 20142. Medicina interna e Cardiologista pela PUCRS - RQE 11133. Pós-graduação em Ecocardiografia e Cardiologia Pediátrica pela PUCRS. Linkedin