O que é hiperplasia prostática benigna (HPB) e como ocorre o diagnóstico?
Você já ouviu falar em hiperplasia prostática benigna? Conhece seus possíveis riscos e impactos sobre a qualidade de vida dos homens?
Favorecida pelo avanço da idade, a condição afeta aproximadamente 50% dos pacientes acima dos 50 anos, segundo estima a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).
Para aqueles na faixa dos 90 anos, a prevalência é significativamente maior: aproximadamente 80% da população masculina apresenta a condição nessa idade.
Apesar de ser uma condição benigna e que não está ligada a nenhum tipo de câncer, seu diagnóstico e tratamento exigem bastante atenção.
Isso porque, além da grande prevalência, o problema pode gerar complicações se não for combatido a tempo.

Elas impactam o sistema urinário e outros órgãos, como os rins.
Inclusive, muitas vezes os sintomas iniciais são confundidos com os do câncer de próstata.
Por isso, conhecê-los é fundamental para buscar a assistência correta e evitar alarmes falsos.
Preparei este artigo para esclarecer tudo o que você precisa saber sobre esse tema central para a saúde do homem.
A seguir, entenda melhor o que é hiperplasia prostática benigna, suas causas, sintomas, fatores de risco, possíveis complicações, diagnóstico, tratamentos e muito mais.

O que é hiperplasia prostática benigna (HPB)?
Hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição urinária ocasionada pelo aumento da próstata.
Trata-se de uma das alterações benignas mais frequentes da próstata.
Ele é comum nos indivíduos com mais de 40 anos e sua incidência aumenta na medida em que a idade avança.
Sua principal consequência é dificultar o ato de urinar.
Isso prejudica significativamente a qualidade de vida e pode levar a complicações, que explico melhor adiante neste artigo.
Ao contrário do que muitos acreditam, quem sofre com hiperplasia prostática benigna não tem predisposição aumentada para o câncer de próstata.
Entretanto, como citei na introdução, seus sintomas podem gerar confusões, trazendo preocupação para os pacientes e familiares.
Também é possível que o homem tenha HPB e câncer de próstata ao mesmo tempo.
Em todos os casos, garantir o diagnóstico correto e precoce é fundamental.
Nesse sentido, existem diversas alternativas de tratamento eficientes para a hiperplasia prostática benigna.

Antes de saber mais sobre elas, veja abaixo detalhes sobre as causas, sintomas e outras características marcantes da doença.

Hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição urinária ocasionada pelo aumento da próstata
Quais são as causas da hiperplasia prostática benigna?
Você provavelmente já sabe que a próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino. Ela fica abaixo da bexiga e cerca a uretra.
Em condições normais, ela é relativamente pequena, ou seja, compara-se seu tamanho com o de uma noz.
No entanto, quando há alterações, suas células crescem e acabam alargando a glândula.
É isso que gera os sintomas e complicações típicos da hiperplasia prostática benigna.
Mesmo que o avanço da idade seja reconhecido como o principal fator para a ocorrência desse processo, as causas exatas não são bem definidas.
Acredita-se que esteja ligado a alterações provocadas por hormônios como a testosterona e a di-hidrotestosterona.
Contudo, não há consenso na comunidade médica e científica.
Além das mudanças hormonais da idade, outros fatores podem estar relacionados, como alterações genéticas e o próprio histórico familiar do paciente.
Sintomas comuns da hiperplasia prostática benigna
A hiperplasia prostática benigna tem sintomas diretamente ligados ao sistema urinário.
Eles incluem problemas como:
- Dificuldade para começar a micção
- Aumento da frequência urinária (muitas vezes urgente)
- Jato fraco de urina (às vezes com interrupções)
- Sensação de bexiga cheia mesmo depois de urinar
- Vontade de urinar que faz o paciente acordar várias vezes durante a noite.
Normalmente, os sintomas se agravam com o passar do tempo, na medida em que a próstata aumenta e aperta a uretra.
Entretanto, nem sempre o tamanho da glândula está ligado à intensidade dos sintomas.
Isso porque existem diversos casos de hiperplasia prostática benigna com sintomas bastante acentuados, mas em que o aumento observado ainda é pequeno.
Essa variabilidade reforça a importância do devido apoio médico para controlar a condição, minimizar seus efeitos e evitar dores de cabeça ainda maiores com riscos de complicações.
Como a hiperplasia prostática benigna se desenvolve no paciente?
Uma vez que a próstata envolve a uretra, seu aumento muitas vezes dificulta ou até bloqueia a passagem de urina.
Como ela também fica abaixo da bexiga, o crescimento da glândula a pressiona e faz a vontade de urinar ser maior.
A hiperplasia prostática benigna ocorre gradualmente, de forma lenta.
Sendo assim, a maioria dos pacientes não percebe a condição inicialmente.
Isso até o crescimento celular aumentar a glândula o bastante para o aparecimento dos sintomas.

No começo, o homem pode sentir apenas uma alteração no fluxo urinário.
Geralmente, a micção se torna mais fina e tem um jato reduzido.
Os demais sintomas e as chances de complicações aumentam na medida em que a próstata cresce.
Cabe ao urologista realizar o acompanhamento para evitá-los.
Nesse cenário, as alternativas de tratamento são diversas. Todas têm suas próprias vantagens e desvantagens.
A escolha depende do caso específico e do perfil do paciente.
Por exemplo, em casos de sintomas leves, faz mais sentido esperar e só iniciar uma intervenção se eles se tornarem incômodos ou severos.
Conhecer os fatores de risco e possíveis complicações é muito importante nesse processo, a fim de adotar as medidas que façam sentido para a saúde e bem-estar do paciente.
Quais os fatores de risco da hiperplasia prostática benigna?
A hiperplasia prostática benigna é motivada pelas alterações hormonais que ocorrem com o avanço da idade.
Sobretudo, a maior incidência ocorre entre homens de 50 anos ou mais.
Somado a isso, está o histórico familiar.
Aqueles que têm parentes próximos que tiveram problemas na próstata possuem mais chances de desenvolver a doença.
Inclusive, a presença anterior de algumas doenças também pode aumentar a predisposição para a hiperplasia prostática benigna.
Nesses casos, as condições prévias mais associadas ao crescimento benigno da próstata incluem doenças cardiovasculares e diabetes.
Por fim, observa-se que o sedentarismo pode facilitar o surgimento da HPB.
Homens com excesso de peso ou que tenham obesidade também estão incluídos no grupo de maior risco.
Problemas decorrentes da hiperplasia prostática benigna
Quando a hiperplasia prostática benigna não é tratada a tempo, ou mesmo quando não recebe as intervenções adequadas, algumas complicações severas podem surgir.
A principal delas é a retenção urinária crônica, que ocorre quando há dificuldade para o esvaziamento completo da bexiga.
Isso piora com o passar do tempo, gerando desconforto e dores.
Nessas situações, a presença de bactérias na urina residual favorece o surgimento de infecções urinárias e até de pedras na bexiga.

Com o passar do tempo, a bexiga pode perder sua capacidade de contração, o que desencadeia a incontinência urinária.
Nesse contexto, há a possibilidade de que outros órgãos próximos sejam atingidos pelas complicações, com destaque para os rins.
Em alguns casos, pode ocorrer a retenção urinária aguda, que torna o paciente incapaz de urinar repentinamente.
Trata-se de uma situação extremamente dolorosa e que exige tratamento urgente para aliviar os sintomas.
Praticamente todas essas complicações podem ser prevenidas com o diagnóstico precoce da hiperplasia prostática benigna.
Como é feito o diagnóstico de hiperplasia prostática benigna?
Sempre que qualquer sintoma for percebido, o paciente deve procurar um urologista de sua confiança para realizar uma consulta médica.
Depois de ouvir e analisar o relato do indivíduo, o especialista deve realizar um exame de toque retal.
A finalidade do procedimento é identificar o possível aumento da próstata.
Se acompanhado pela presença de áreas rígidas, também há a suspeita de câncer.
A fim de confirmar o diagnóstico, alguns exames complementares são solicitados.
A avaliação pode incluir ultrassonografia para estimar o volume da próstata e o resíduo urinário após a micção, além de história clínica, exame físico e outros testes indicados pelo urologista.
Em relação às consequências e complicações da HPB, a bateria de exames pode ser ainda mais completa.
O PSA pode ser solicitado conforme a idade, o risco individual e a necessidade de investigar câncer ou estimar características da próstata.
Se há suspeita de sangue na urina ou infecção urinária, realiza-se o exame de urina tipo I. Para isso, a urina é coletada e então analisada em laboratório.
Por fim, o médico pode verificar se a hiperplasia prostática benigna afeta outros órgãos.
Para isso, são feitos exames de sangue de creatinina e ureia, que possibilitam avaliar a função renal.

A hiperplasia prostática benigna tem sintomas diretamente ligados ao sistema urinário
Qual o tratamento para hiperplasia prostática benigna?
A hiperplasia prostática benigna tem tratamento que varia de acordo com os padrões dos sintomas avaliados no diagnóstico e com o próprio perfil do paciente.
Ele tem direito de ser informado sobre as alternativas à sua disposição e orientado quanto às intervenções mais eficientes, segundo a análise do urologista.
Dentre os procedimentos mais comuns para a doença, destacam-se os tratamentos medicamentosos, as práticas minimamente invasivas e a realização de cirurgia.
Confira os principais detalhes e indicações para cada caso:

Tratamento medicamentoso
Os remédios para hiperplasia prostática geralmente são indicados para homens com sintomas leves e moderados.
Diversas substâncias podem ser recomendadas, separadamente ou em conjunto, dependendo de cada caso (lembre-se: a automedicação nunca deve ser uma alternativa).
Elas incluem inibidores da 5-alfa-redutase, que inibem alguns processos hormonais masculinos e contribuem para a diminuição da próstata.
Há outra opção de medicamento que chamamos de bloqueadores alfa.
Eles relaxam as fibras da próstata e os músculos da bexiga, o que facilita o ato de urinar.
Ainda há a tadalafila.
Ela é recomendada para disfunção erétil, mas também serve para combater os sintomas da hiperplasia prostática benigna em algumas situações.
Tratamentos minimamente invasivos
Já para os pacientes com sintomas de moderados a severos, ou que receberam os remédios citados acima e não apresentaram melhorias, existem outros tratamentos.
Atualmente, há diferentes tipos de terapias minimamente invasivas para o combate da hiperplasia prostática benigna.
Essas técnicas incluem terapia laser, incisão transuretral da próstata, lifting prostático, termoterapia transuretral por micro-ondas, entre outras.
Entretanto, essas intervenções podem gerar complicações e efeitos adversos.
Os principais são sangramento na urina, ejaculação retrógrada e disfunção erétil.
Vale ressaltar, então, a importância da discussão minuciosa de cada opção com o médico, além da realização de um acompanhamento completo para minimizar as possíveis consequências.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia pode ser indicada em casos de sintomas importantes, complicações, falha do tratamento clínico ou outras condições definidas pelo urologista.
O volume prostático auxilia na escolha da técnica.
As cirurgias removem ou reduzem o tecido prostático que causa a obstrução e costumam melhorar os sintomas, embora os resultados e riscos variem conforme o procedimento e o paciente.
Existem diferentes técnicas cirúrgicas e endoscópicas, escolhidas conforme o tamanho da próstata, a anatomia, os sintomas e as condições clínicas do paciente.
Como aliviar os sintomas da hiperplasia prostática benigna
Associadas ao tratamento médico, algumas boas práticas ajudam a aliviar os sintomas incômodos da HPB. Por exemplo:
- Não segurar o xixi
- Diminuir a ingestão de líquidos antes de dormir
- Reduzir o consumo de alimentos diuréticos (chá, café, bebidas alcoólicas)
- Praticar atividade física regularmente.
Continue lendo para entender como prevenir e tratar a condição.
É possível prevenir a hiperplasia prostática benigna?
Não existe uma prevenção definitiva para a doença.

Contudo, investir em um estilo de vida saudável, adotando uma dieta com pouca gordura e muitos vegetais variados pode ajudar.
O mesmo vale para evitar os fatores de risco, mantendo o peso ideal com o apoio da dieta adequada e atividade física pelo menos três vezes por semana.
Outra dica é fazer o check-up médico anualmente, em especial após os 40 anos, incluindo consultas com o urologista para um acompanhamento preventivo.
A periodicidade do acompanhamento deve ser definida conforme idade, histórico e fatores individuais.
Qual médico trata a hiperplasia prostática benigna?
O diagnóstico e tratamento são conduzidos pelo urologista, especialista em condições que acometem os aparelhos urinário e reprodutor masculino.
A assistência inicial deve ser feita presencialmente para viabilizar o exame físico completo, mas os atendimentos posteriores podem se beneficiar da consulta de telemedicina, que dispensa deslocamentos e filas de espera.
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Perguntas frequentes sobre hiperplasia prostática benigna
Veja, agora, respostas diretas para questionamentos recorrentes sobre a HPB:
Como combater a hiperplasia benigna da próstata?
Quadros leves podem dispensar tratamento, pedindo apenas monitoramento médico e mudanças no estilo de vida para evitar complicações. Já os casos moderados a graves podem ser tratados com medicamentos, procedimentos minimamente invasivos ou cirurgia para remover ou reduzir o tecido prostático que causa a obstrução.
O que leva um homem a desenvolver a hiperplasia prostática benigna?
Muitas vezes, o aumento da próstata é uma consequência natural do envelhecimento. Porém, fatores genéticos, alterações hormonais, comorbidades e aspectos do estilo de vida também podem contribuir para o desenvolvimento da hiperplasia prostática benigna.
O que piora a hiperplasia prostática?
Dieta rica em gordura saturada e itens irritantes da bexiga, como álcool e cafeína, podem piorar os sintomas. Excesso de peso, exposição ao frio e o hábito de beber muito líquido à noite também tendem a agravar a HPB.
Quanto tempo dura o tratamento para hiperplasia prostática benigna?
A duração depende do tratamento realizado. Geralmente, a terapia medicamentosa dura vários anos, pois utiliza remédios de uso contínuo para diminuir o tamanho da próstata. Já os procedimentos minimamente invasivos e as cirurgias maiores se resolvem em algumas horas, com recuperação em cerca de 4 semanas.
Conclusão
Apesar de ser uma doença comum e não cancerosa, a hiperplasia prostática benigna é uma das principais condições de saúde que afetam o sexo masculino.
Sendo assim, ela exige muito cuidado e atenção entre os homens, para que não tenham sua segurança e bem-estar comprometidos.
Caso não haja o tratamento precoce, o aumento da próstata pode gerar complicações que afetam a integridade da bexiga e dos rins.
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Referências bibliográficas
https://portaldaurologia.org.br/sua-saude/duvidas-frequentes/hpb-afeta-cerca-de-50-dos-homens-acima-de-50-anos
https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2832
https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-masculina/dist%C3%BArbios-benignos-da-pr%C3%B3stata/hiperplasia-prost%C3%A1tica-benigna
https://telessauders.ufrgs.br/perguntas/como-realizar-o-manejo-de-pacientes-com-hiperplasia-prostatica-benigna-hpb-na-aps
https://aps-repo.bvs.br/aps/como-diagnosticar-e-tratar-pacientes-com-hiperplasia-prostatica-benigna-no-ambito-da-atencao-primaria-a-saude/